Palocci está submetido a uma espécie de tortura chinesa, que parece interminável e vai minando a pessoa, aos poucos. É a maldição do caseiro.

Carlos Newton 

O tempo passa e conspira contra Palocci, prolongando sua flagelação-penitência. O procurador geral da República Roberto Gurgel deu ao chefe da Casa Civil o prazo de 15 dias para que explique como ficou rico tão subitamente e indique quais são seus clientes. A princípio, criticava-se o procurador por estar protegendo Palocci, já que o prazo é extenso demais para uma resposta tão simples. Mas agora já se diz que o procurador é maquiavélico e, ao estender o prazo, sua verdadeira intenção seria submeter Palocci a uma espécie de tortura chinesa, que parece não acabar nunca, como se fosse a maldição do caseiro Francenildo.

A cada dia, uma novidade. Agora, é a Caixa Econômica Federal informando à Justiça que o responsável pela violação dos dados bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi o gabinete do então ministro da Fazenda e hoje ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. É a primeira vez que o banco estatal responsabiliza o ex-ministro. Até então, dizia que apenas havia “transferido” os dados sob sigilo para o Ministério da Fazenda, sem acusar Palocci ou seu gabinete pelo vazamento. O que houve? Mudou a Caixa? Mudou Palocci? Mudou a orientação do Planalto? Ou mudou a consciência dos dirigentes da Caixa?

São muitas dúvidas. E por que o ex-presidente Lula evitou falar em público sobre a situação do ministro Antonio Palocci, diante das suspeitas sobre o aumento substancial em seu patrimônio nos últimos quatro anos? Lula saiu pela tangente. E não há qualquer novidade nisso, ele está apenas repetindo a mesma técnica usada nos dois mandatos, quando predominava o “Eu não sabia de nada”. Agora, apenas passou para o “Não tenho nada a ver com isso”.

No almoço de mais de três horas com senadores do PT, anteontem, ele sugeriu que o partido siga unido na defesa “do companheiro Palocci”, Depois da reunião-comilança realizada na casa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e da esposa, senadora Gleisi Hoffmann, custeada com recursos públicos, é claro,  a avaliação de todos era a de que “a situação de Antonio Palocci ainda está sob controle”, ora vejam só. Lula e os senadores achavam que “ainda não surgiu nenhuma prova concreta que inviabilize a permanência de Palocci no governo”, acredite se quiser.

Enquanto isso, acionado pela imprensa (representante maior do interesse público, num país em que os três poderes – governo, judiciário e legislativo – estão “dominados”), o garrote vil da tortura vai apertando o pescoço de Palocci, e a cada dia, aumentam um pouco a pressão.

Agora, surge a informação de que o Imposto Sobre Serviços (ISS) da prefeitura de São Paulo demonstra que somente no ano passado a “consultoria” de Palocci faturou R$ 20 milhões, em pleno ano eleitoral, dos quais R$ 10 milhões num período que ele praticamente dedicou por inteiro à campanha de Dilma Rousseff, como seu principal coordenador operacional e financeiro, buscando apoio em votos e patrocínio em espécie (para a campanha ou para a consultoria?), e os outros R$ 10 milhões depois de Dilma eleito e ele sagrado como futuro ministro.

O governo e o PT, porém, ainda dizem que tudo isso é coincidência. Enquanto Lula tenta demonstrar que não tem nada a ver com isso, Antonio Palocci já virou game virtual. Na rede mundial de computadores, os internautas não perderam tempo e transformaram o enriquecido ministro em personagem do jogo “Palocci! O Cara!”,  criado praticamente em tempo real com as suspeitas envolvendo a empresa de consultoria do ministro.

O jogo é simples. A figura de Palocci surge de dentro de uma série de buracos, e o internauta deve acertá-lo com socos. Quanto mais socos, mais pontos. Enquanto isso, Lula, o governo e o PT seguem achando que a situação está sob controle, como se estivessem no melhor dos mundos panglossianos, criados por Voltaire na obra imortal “Cândido ou o Otimismo”.

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