Palocci revela que Mantega vendia informações privilegiadas para banqueiros

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Mantega, um dos ministros mais corruptos do país

Marina Dias, Daniela Lima e Mônica Bergamo
Folha

Nas negociações para fechar um acordo de colaboração premiada, o ex-ministro Antonio Palocci sustenta que seu sucessor na Fazenda, Guido Mantega, montou uma espécie de central de venda de informações para o setor financeiro durante os governos petistas. A sede seria o prédio do Ministério da Fazenda em São Paulo, na avenida Paulista, onde Mantega costumava despachar às sextas-feiras.

Palocci implica o sucessor em um suposto esquema de repasse de informações privilegiadas. Segundo ele, Mantega antecipava dados a respeito de juros e edição de medidas provisórias, por exemplo, que eram de interesse de bancos, em troca de apoio ao PT.

ACESSO ANTECIPADO – De acordo com Palocci, agentes do sistema financeiro tinham acesso antecipada ou privilegiadamente a dados importantes e, assim, podiam se preparar ou mesmo se proteger diante de medidas que afetariam o setor.

De acordo com relatos de quem tem acesso às investigações, o esquema começou no governo Lula, em 2006, e seguiu durante o governo Dilma Rousseff, enquanto Mantega foi ministro, até 2015.

Antes de Mantega, quem ocupava a chefia da equipe econômica de Lula era justamente Palocci. Os dois nunca se deram bem.

LULA E EMPRESÁRIOS – Palocci foi condenado pelo juiz Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato em Curitiba, a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, envolvendo contratos com a Odebrecht na construção das sondas da Sete Brasil e o Estaleiro Enseada do Paraguaçu.

Mantega, por sua vez, é investigado na Lava Jato e chegou a ter sua prisão preventiva decretada no ano passado – foi liberado em seguida–, acusado de ter pedido ao empresário Eike Batista R$ 5 milhões para saldar dívidas de campanha eleitoral do PT.

Como mostrou a Folha em maio, Palocci tenta negociar, no acordo de delação, que sua pena seja cumprida em um ano de prisão domiciliar e que seus depoimentos sejam focados em banqueiros e empresários, além de Lula.

DELAÇÃO EM PREPARO – Preso desde setembro de 2016, Palocci tem se dedicado à elaboração dos anexos de sua proposta de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a força-tarefa da Lava Jato.

Como a delação ainda não foi assinada, pode haver mudança no conteúdo do acordo segundo os principais interesses dos procuradores.

Para dar início às conversas, por exemplo, os investigadores exigiram que Palocci confirmasse informações sobre Lula que estão nas delações de ex-executivos da Odebrecht, principalmente no diz respeito à conta “Amigo”, que estaria ligada ao ex-presidente petista. Palocci sinalizou positivamente sobre atender a esta solicitação.

CONTA DE LULA – Segundo o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, Palocci operava uma conta propina destinada às demandas políticas de Lula.

Outro episódio que Palocci pode esclarecer, de acordo com os procuradores, é o suposto benefício financeiro obtido por Lula na criação da Sete Brasil, em 2010. Para construir sondas, a empresa contratou estaleiros controlados por empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

MANTEGA NEGA – A defesa de Guido Mantega afirma que “causa estranheza” a informação de que Antonio Palocci pretende envolvê-lo em um suposto esquema com os bancos em sua delação premiada.

“Qualquer caixa de agência bancária do país sabe que quem representava os interesses do mercado financeiro era o próprio Palocci” diz o advogado Fábio Tofic Simantob. “Guido Mantega, pelo contrário, assumiu sempre posições que desagradavam os bancos, a ponto de ser demonizado. Não houve pessoa mais execrada pelo mercado do que Mantega. A informação, por isso, não faz nenhum sentido”, segue ele.

O advogado faz referência a divergências entre o ex-ministro e os bancos no período em que ele comandou a economia do país, de março de 2006 a janeiro de 2015.

MEDIDA PROVISÓRIA – Em 2008, por exemplo, Mantega baixou uma medida provisória elevando de 9% para 15% a alíquota da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) devida por instituições financeiras.

Num ensaio para o livro “As Contradições do Lulismo”, o cientista político André Singer, colunista da Folha, lista uma série de embates entre Mantega e os bancos. Segundo ele, “enquanto Lula foi conciliador”, o governo Dilma decidiu “entrar em combate com frações de classe poderosas”, tensionando “o pacto estabelecido com o setor financeiro”

REDUÇÃO DE JUROS – Ele relata, por exemplo, que na era Dilma/Guido Mantega o governo pressionou os bancos privados a baixarem os spreads, diferença entre as taxas que eles pagam quando captam dinheiro e as que cobram quando emprestam. Mantega dizia que os spreads eram “absurdos”

Em outra medida que desagradou o setor, o Banco do Brasil fez uma redução agressiva nos juros em 2012 e elevou os limites de várias linhas de crédito para empresas e consumidores com o objetivo, segundo relatou a Folha na época, “de acirrar a concorrência com Itaú, Bradesco e Santander e estimular a economia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A delação de Palocci está mesmo na reta de chegada, porque ele trocou de advogado. Era defendido por José Roberto Batochio, que também defende Lula e Mantega, que vão ser entregues na bandeja por Palocci. Quanto a André Singer, é suspeito para opinar, devido à sua amizade pessoal a Mantega. Aliás, que mandou reduzir os juros foi Dilma Rousseff, seu ministro Mantega era absolutamento contrário. (C.N.)

4 thoughts on “Palocci revela que Mantega vendia informações privilegiadas para banqueiros

  1. Sei não..
    .
    Imagem que ilustra a nota é para ser interpretada como adequada para o presente momento.

    O “top-top” do ex-ministro, enrolado, está valendo para ele mesmo. Corrupto, abestado e ferrado…

  2. REPRESENTATIVIDADE PERDIDA

    As relações da Odebrecht e da JBS colocam a nu, as relações promíscuas entre o alto empresariado, a classe política e os Poderes da União, aí inclusos, os funcionários públicos que chafurdaram na lama e que tinham o DEVER de proteger a coisa pública, em nome de seus representados.
    Bilhões de reais foram desviados para contas secretas nos paraísos fiscais. Outros bilhões saíram dos cofres públicos (BNDES, Fundos de Estatais, etc…), através de empréstimos subsidiados, pagos pelo cidadão brasileiro, para que esses empresários pudessem comprar empresas frigoríficas nos Estados Unidos e na Austrália, se tornando campeões nacionais deles mesmos e empregando trabalhadores nos EUA, enquanto desempregavam aqui no Brasil.
    O que de positivo adveio para a nação, a ação desses campeões nacionais? Creio que muito pouco ou quase nada. De negativo, porém, vieram o endividamento público e o desemprego ultrapassando 14 milhões de brasileiros.
    Uma hora e sempre ela chega, a hora H, inexoravelmente, desvendaria essa teia corruptiva, que vem sangrando de morte a nação. Descobrimos estupefatos, que alguns parlamentares exigiam das empresas, recursos para campanhas eleitorais e para usos particulares, em troca de financiamento público, invariavelmente do BNDES. Os créditos eram liberados em troca de propina. Esse era o papel desse banco privatizador, que de social existe somente no nome.
    Wesley Batista delatou que representantes dos governos do Ceará e de Minas pediram a ele, o dono da JBS, 20% dos créditos tributários devidos pelos Estados em questão, em troca da liberação rápida daqueles recursos, da ordem de 110 milhões. Ou seja, pingariam 20 milhões para campanhas políticas. Trata-se de uma fraude eleitoral, pois configura concorrência desleal da disputa política.
    Impensável, sob todos os aspectos, que esses fatos escabrosos ocorriam na calada da noite, nos motéis de luxo, nos porões dos palácios, nos bares da moda, nos estacionamentos de shoppings e nas alcovas mais recônditas desse país.
    Mesmo após o Mensalão e no desenvolvimento da Lava Jato, a roubalheira nos cofres da nação foi interrompida. Não pararam um minuto sequer as transações imorais entre o público e o privado.
    O pior de tudo o que está acontecendo, é reconhecer que permanecem dilapidando os cofres públicos, nos bastidores do poder. Empresários ávidos de recursos públicos pressionavam seus representantes no Congresso para trocar o comando do BNDES. Afinal, foi substituída a representante do hospital das empresas privadas, a qual estaria sendo rigorosa em demasia na liberação de empréstimos subsidiados. Foi demitida ou pediu demissão? Nós, simples mortais jamais saberemos.
    Está posto em “cheque”, o modelo de representação popular na modalidade presidencialista de coalisão. O povo não está sendo representado na prática. O que vigora no Parlamento Federal é a representatividade do empresariado, que segue ditando as leis e normas governamentais, em troca de benesses de todos os tipos. A direita e a esquerda ficaram reféns do financiamento privado de campanha, que exige retorno do investimento.
    Não há “ideologia” de nenhum dos lados, salvo raríssimas exceções. O toma lá dá cá está explícito e se depreende das delações dos empresários, dos políticos presos, dos doleiros, dos diretores e gerentes da estatal Petrobrás, e até de um certo senador delator.
    Salta aos olhos, a podridão que tomou conta da nação, que afinal, se transformou numa grande festa da roubalheira, em que os representantes do povo, em desabalada alegria levam vantagem em tudo. No entanto, algo de bom começa a tomar corpo, em conversas nas ruas, nas feiras, nos bares e nas esquinas. O povo está insatisfeito com a podridão que vem à tona, está triste e com vergonha de ter votado nos traidores da pátria, nos Judas do nosso futuro, nos responsáveis pela nossa desgraça, naqueles que, perdoam as dívidas das empresas com a Previdência ou parcelam essas dívidas em suaves prestações, sem juros com prazo de 200 meses, que equivalem a longos 17 anos. Um doce de coco para o empresário inadimplente, o que desmotiva, àqueles empresários que pagam em dia.
    É justo, então, bombardear as televisões e jornais alardeando o suposto déficit da Previdência Social, se os governos estimulam a sonegação? Querem empurrar para o povo, a falta de gestão e a renúncia fiscal, que beneficia o empresariado.
    Já não temos mais uma ideologia. Entretanto, o conhecimento advindo das delações premiadas está despertando do sono profundo, as classes sociais, inclusive, a classe menos favorecida, os despossuídos de bens materiais. Uma nova UTOPIA emerge na desagregação da ética, anunciando uma nova era, uma transformação nos costumes, aquilo que o enciclopedista do Renascimento, o filósofo Thomas Morus defendeu em seu pequeno livro, o sonho pode ser alcançado. As massas antes amorfas, despertam agora do sono profundo, a cada dia, em que são revelados os podres das elites.
    Vai ficando mais difícil, saírem ilesos das ruas, dos bares, dos aeroportos, sem que umas vaias ecoem em seus ouvidos, àqueles que defendem o fim da Lava Jato, àqueles que defendem a libertação dos corruptos presos preventivamente e daqueles que querem votar leis amordaçando as redes sociais e o Ministério Público. O povo quer ética, transparência e acima de tudo honestidade ampla, geral e irrestrita. Ou isso, ou a desintegração da sociedade brasileira, o que nenhum brasileiro poderá desejar, em sã consciência.

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