Palocci sai da toca e dá entrevista ao “Jornal Nacional”. Instruído pelo advogado José Roberto Batochio, falou, falou, mas não disse nada.

Carlos Newton

Enfim o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, decidiu tentar se defender publicamente das acusações de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. A entrevista foi uma desesperada manobra do advogado José Roberto Batochio para tentar reverter a queda  livre de Palocci, que hoje não passa de um corpo que cai. Não tem mais prestígio nem moral para continuar no governo, os próprios petistas lhe viram o rosto e o desprezam, mas ele ainda finge que não está acontecendo nada, agarrando-se ao cargo de uma forma constrangedora.

Muito bem instruído por Batochio, que há alguns anos conseguiu absolver Palocci no processo do caseiro e agora busca novo milagre jurídico-social, Palocci limitou-se a dizer que todas as atividades de sua empresa, a Projeto, foram feitas de forma transparente, em termos contábeis.

Até aí, morreu Neves, como se dizia antigamente. Mas o ministro não citou o nome de nenhuma das empresas que pagaram milhões pelos conselhos econômicos desse modesto ex-médico sanitarista, hoje fenômeno empresarial. Também afirmou que sua empresa jamais atuou junto a órgão público ou sequer representando empresas privadas nos órgãos públicos. Por fim, recusou-se a falar de valores, argumentando que “isso não é de interesse público”, como se ele ainda soubesse fazer distinção entre público e privado.  

– Nunca prestei consultoria nestes casos. Em nenhum momento eu participava de um empreendimento que houvesse órgão público com órgão privado. O que eu fazia era consultoria para órgãos privados. Tenho perfeita clareza do que a lei permite ou não permite – garantiu o ministro, que parece considerar a opinião pública como apenas um punhado de idiotas.

– Todas as informações tributárias já estão nos órgãos de controle. E todas as demais informações serão prestadas à Procuradoria Geral da República. Portanto, toda a vida da minha empresa estará disponível para os órgãos de controle – argumentou o genial consultor empresarial.

Palocci é um farsante, um mentiroso, um corrupto. Vamos repetir o que escrevemos aqui no blog em 17 de maio: “O ministro denunciado tem obrigação de se explicar, de abrir suas contas, de mostrar quem lhe pagava milhões para receber consultoria. Foi a Odebrecht? Ou a Camargo Corrêa? Quem sabe a Queiroz Galvão? Talvez a Gerdau, tão ligada ao governo? A CSN? Ou a EBX, de Eike Batista? E se foi alguma grande multinacional, algum conglomerado chinês? Nada contra. Mas mostre quem o enriqueceu, tão subitamente e em sua fase de maior ostracismo.

Palocci declara que seu patrimônio é hoje de R$ 7,5 milhões. Isso é uma deslavada mentira. Quem tem apenas R$ 7,5 milhões não gasta R$ 6,6 milhões para comprar um apartamento, cujo condomínio é caríssimo, e a manutenção, idem. Seria muita burrice. Palocci agora tem de fazer como o assessor do irmão de José Genoino e mostrar o dinheiro que enfiou na cueca”.

Hoje, todos sabem que o patrimônio de Palocci não é de apenas R$ 7,5 milhões, pois ele ganhou R$ 20 milhões somente no ano passado, quando se dedicava a coordenar a campanha eleitoral de Dilma Rousseff e a chefiar o chamado governo de transição. Esteve ocupadíssimo durante o ano inteiro, mesmo assim faturou, repita-se, R$ 20 milhões em “consultorias”.

Está mais do que provado (até pelo silêncio do próprio Palocci) que ele não soube distinguir o que é público e o que é privado. Comportou-se como se fosse uma senhora Erenice Guerra de terno e gravata. E agora, como dizia o Barão de Itararé, Palocci está arriscado a deixar a vida pública para entrar na privada.

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