Palpites furados para a Copa

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Tostão
(O Tempo)

Já conhecemos a bola da Copa e a formação dos grupos. A Brazuca é linda. Espero que os jogadores a tratem com carinho e que joguem um bolão. A Copa não é lugar para bolas murchas. Os craques deveriam se divertir com a bola, ocupar o espaço imaginário entre a brincadeira, os efeitos especiais, e a seriedade, o compromisso com a vitória.

O sorteio foi ótimo para o Brasil na primeira fase. Croácia, México e Camarões estão no terceiro nível da competição em qualidade técnica. O México, por ter vencido o Brasil algumas vezes, deve ser o mais difícil adversário.

Mas, nas oitavas de final, o Brasil deve enfrentar Espanha, Holanda ou Chile. Logo após o sorteio, o tradicional Parreira disse que, se o Brasil se classificar, vai ter um grande rival pela frente, Espanha ou Holanda. Esqueceu do Chile. Muitos vão fazer o mesmo. No bolão, apostei em Espanha e Chile. Porém, os holandeses seriam adversários mais difíceis que os chilenos. Diferentemente do México, que costuma jogar mal e ganhar do Brasil, o Chile sempre joga bem e perde.

Muitos conceitos e palpites serão desmentidos quando a bola rolar. Não podemos escolher os melhores só pela tradição. Existe um grande número de seleções, que formam um segundo grupo, com pouca diferença técnica entre elas, como Itália, Holanda, França, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Suíça, Colômbia, Chile, Uruguai e outras. Qualquer resultado entre essas seleções não é surpresa. Seria zebra se uma dessas equipes eliminasse, nos jogos mata-mata, um dos quatro favoritos (Brasil, Espanha, Alemanha e Argentina)? Penso que não, porém não é o mais provável.

Se existe, em todo o mundo, zebras em todos os torneios curtos, com jogos mata-mata, por que um azarão nunca ganhou uma Copa? Uma das explicações é que os grandes jogam o Mundial com muita seriedade. Outra é que um azarão tem de ganhar de mais de um grande em jogos eliminatórios. Já a preferida da turma da teoria da conspiração é que forças ocultas nunca deixam os pequenos vencerem o tradicional torneio.

A partir de agora, haverá milhões de bolões para a Copa. Já fiz minha simulação, e deu Brasil e Argentina na final. Já dei também meu palpite dos 16 classificados. No grupo do Brasil, aposto também no México como segundo colocado.

As chances de um “entendido”, como Nelson Rodrigues chamava os comentaristas, acertar mais da metade dos resultados na Copa é a mesma de quem não conhece nada de futebol. Essa incerteza é uma evidência da importância do acaso, ainda mais em jogos com pouca diferença técnica. É também uma constatação de que a história de uma partida, de um campeonato, está muito acima da nossa pretensiosa sabedoria sobre o mundo da bola.

COPA EM BH

Na primeira fase, teremos quatro jogos em Belo Horizonte: Colômbia x Grécia, Argentina x Irã, Costa Rica x Inglaterra e Bélgica x Argélia. De todos, o melhor é Argentina x Irã, pela presença dos argentinos, um dos favoritos ao título, além de eles ficarem concentrados em Belo Horizonte, na Cidade do Galo. Inglaterra, Colômbia e Bélgica são outras atrações.

O melhor será nas oitavas de final, pois é quase certo que o Brasil será o primeiro de seu grupo e que vai enfrentar Espanha, Holanda ou Chile no Mineirão. Será uma partida dificílima, ainda mais se for Holanda, que eliminou o Brasil na última Copa, ou a Espanha, atual campeã do mundo. O Chile, apesar de ter um bom time, é um antigo freguês.

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