Pandemia evitou a demissão de Paulo Guedes, mas agora não tem mais desculpas

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Charge do Gilmar Fraga (Gáucha/ZH)

Carlos Newton 

O estranho governo de Jair Bolsonarro é envolto em dúvidas, todo nebuloso, mas uma coisa é certa – se não tivesse havido a pandemia de coronavírus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já teria rolado ladeira abaixo, junto com o posto Ipiranga e tudo o mais. E não é por mera coincidência que três de seus mais importantes assessores já tenham se desligado, a começar pelo secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.

É impressionante que Guedes tenha assumido o cargo sem haver esboçado um programa econômico, exatamente como ocorreu com o petista Antonio Palocci, ao assumir o ministério da Fazenda em 2003. O PT não tinha nenhum plano para a economia, quem colocou o governo para andar foi a dupla Carlos Lessa e Darc Costa, dois grandes craques em política econômica.

PIB DE 7,5% – Lessa e Darc, presidente e vice do BNDES, colocaram o banco a serviço do país, recriaram a indústria naval, apoiaram os setores produtivos e as exportações, especialmente o agronegócio, incentivaram os micros e pequenos empresários com o cartão BNDES, e o resultado foi a subida do PIB, que chegou a 7,5% em 2010, último ano de Lula.

Quando deixou o governo, por se desentender com Palocci, o professor Lessa deu uma aula à Nação, ao atacar a postura da Fazenda e prever que a alta da economia seria um “voo de galinha”, logo iria desabar. Não deu outra, e até agora não ocorreu a retomada da economia.

Palocci tinha a desculpa de ser médico, mas Guedes é economista e se julga um gênio, embora seja apenas genioso.

TODO ENROLADO – Desde o início do governo, Guedes se mostrou todo enrolado, não sabe o que fazer. Como uma espécie de samba de uma nota só, fica repetindo que é preciso vender Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica e algo que mais que tenha dado certo e  propicie lucro e segurança ao país.   

Ao assumir, em 1º de janeiro de 2019, Guedes não tinha nenhum plano, deveria ter seguido a linha de Meirelles, que se mostrara acertada, mas a vaidade não permitiu. Com a reforma da Previdência, prometeu que o país economizaria R$ 100 bilhões por ano, perfazendo R$ 1 trilhão em dez anos, mas ninguém pensou em interná-lo.

Em fevereiro deste ano, entregou a Bolsonaro seu projeto de reforma tributária. Apesar de não saber da briga entre  José Lins do Rego e Oswald de Andrade, o presidente poderia ter repetido a frase do escritor paulista, dizendo: “Não li e não gostei”, porque simplesmente recusou a proposta de Guedes, sem entrar no mérito.

A NOVA VERSÃO – Guedes aproveitou a pandemia e ficou escondido atrás do coronavírus até 21 de julho, quando enviou ao Congresso a primeira parte da reforma, envolvendo a tributação sobre o consumo.

Não se trata de reforma, mas de aumento de impostos. Atualmente, paga-se 0,65% de PIS e 3% de Cofins, num total de 3,65%, que o farsante Guedes quer elevar para 12%, mais do que triplicando o valor para os empresários. Os banqueiros, porém, pagariam apenas 5,8%, a pretexto de que as instituições financeiras “não apropriam nem permitem a apropriação de créditos”. Entenderam? Claro que não vai. É só mais uma desculpa para favorecer os bancos.

Bolsonaro também proibiu Guedes de recriar a CPMF, mas o ministro de uma nota quer ressuscitá-la com outro nome. Em tradução simultânea, isso não vai dar certo e Bolsonaro vai deletar o ministro.   

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P.S. –
Pode parecer esquisito, mas Bolsonaro acha que não tem nada a ver com isso. A retomada da economia é problema de Guedes. Se ele não resolver, é só mudar o ministro. Simples assim. Mas a recíproca também é verdadeira. Quando o governo não dá certo, é só trocar o governante. Pensem nisso. (C.N.)

14 thoughts on “Pandemia evitou a demissão de Paulo Guedes, mas agora não tem mais desculpas

  1. Com a economia de um país não se brinca, não se faz alegorias carnavalescas.

    Dilma Rousseff – aquela que Lula reconheceu publicamente que era “mais competente” do que ele – havia destruído a economia do país com sua “Nova Matriz Macroeconômica”, com as “pedaladas fiscais” e com a manutenção em escala monumental da corrupção. Foi “impichada” por péssimo comportamento no bordel Brasil.

    emer foi empossado e colocou Henrique Meirelles como ministro da Fazenda que, por sua vez, indicou Ilan Goldfajn, para ocupar a presidência do Banco Central (BC).

    O país começou a apresentar melhoras e chegou a sair da UTI da economia.

    Veio a eleição e Bolsonaro – com 20 anos de militância no baixo clero da Câmara dos Deputados – não teve a sensibilidade política-administrativa de convidar os dois para continuar o trabalho que apresentava bons resultados. Não respeitou a máxima futebolística “time que está ganhando não se mexe”.

    Depois dessa mancada veio a pandemia do coronavírus e a situação aí está de quase falência da economia – que ainda não ocorreu devido ao comportamento positivo do setor agropecuário.

    Porém, hoje, a população urbana do Brasil está em torno de 80% da população global.

    Vai ser preciso muito trabalho, muita união da equipe e competente liderança para soerguer o Brasil.

    Hoje percebemos que na área da economia temos dois ministros que já provaram ser competentes, na Infraestrutura e na Agricultura.

  2. Guedes quer colocar em prática as velhas políticas recomendadas pelo consenso de Washington, coisa que até o FMI considerou como danosa aos países em desenvolvimento.

    É preciso mudar os rumos da economia. Já se viu que Meirelles também não é um bom nome, pois é mais do mesmo.

  3. Guedes hipnotizou muitos falando de bilhões e trilhões.
    Tudo mostrou que não passa de charlatanismo.
    Mas Bolsonaro faz também charlatanismo prometendo a cura com a Cloroquina – indicar tratamento embora não seja médico (cadê o CRM que tempos atrás perseguia os cubanos?)

  4. Guedes vai ficar até o fim do governo e se duvidar vai ficar até o fim do governo reeleito.
    Aceitem que doi menos, Guedes tem feito um excelente trabalho como ministro da economia, tentando tirar esse Estado monstruoso das costas do brasileiro.
    O Sr. CN um saudosista nacional-desenvolvista não se conforma do Estado não ser a “locomotiva” da economia, acredita piamente que um dia o Estado brasileiro se tornará honesto e levará o Brasil ao primeiro mundo!

  5. Jad Bal Ja;
    Eu construí um predinho comercial aqui na minha cidade nos anos de 2015/2016/2017.
    Não consegui vender nenhuma unidade na construção. Todos os meus 17 Funcionários foram demitidos.
    No final de 2018, só comecei a vender algumas unidades depois das eleições de Novembro. Imagina o prejuízo com Taxa de Condomínio, Juros e IPTU.
    No final de 2019 e início de 2020, com a queda brutal dos juros, as vendas finalmente aconteceram.
    Estou recontratando os meus 17 ex Funcionários.
    Meu democrata amigo Newton que me desculpe, mas não tem como eu não gostar do Paulo Guedes.

  6. Não podemos nem mesmo contar com uma possível invasão americana – iria dar no mesmo: o Bozo de lá chegou a afirmar que o que aconteceu no Líbano foi um grande ataque! Além do covid existe uma outra praga: a direita-imbecil!

  7. Arregaçou com os Chilenos impondo guela abaixo com seu amigo ditador e sanguinário seu perverso modelo de previdência, e tentou fazer o mesmo aqui.
    Não tem nenhum plano pra recuperação de fato da economia, apenas o discurso de ódio contra os pobres e classe média, retirada de direitos sociais, fim de fgts, da contribuição previdenciária patronal, privatização de estatais rentáveis na bacia das almas e aumento da carga tributária sobre consumo.
    Quem diria que essa oposição ridícula no final das contas teria razão, é um tchutchuca pros ricos e um tigrão pros menos favorecidos.

  8. Particularmente fico com a segunda hipótese, entre tirar um péssimo ministro e um presidente pior ainda, prefiro tirar este último, ministro bom não é tão difícil assim de achar, presidente bom é coisa que está faltando a este país há bastante tempo.

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