Pandemia exige sacrifício de todos, mas quem se sacrifica mesmo são os mais pobres

Ônibus cheios são potenciais focos de transmissão de Covid-19.

Transportes públicos são focos de contaminação

J.R.Guzzo
Estadão

A humanidade ainda não conseguiu inventar um sistema realmente eficaz através do qual sociedades e governos, em momentos de adversidade comum à população, possam adotar medidas que representem “sacrifícios para todos”. Não há nenhum problema com os sacrifícios. Eles vêm sempre. A questão está no “todos”.

Eles nunca são todos. Sempre, invariavelmente, os sacrifícios de verdade vão para a maioria, apenas – e justo a maioria mais pobre, mais vulnerável, menos instruída, menos assistida pela tecnologia.

O POVO MORA LONGE – É a multidão, imensamente maior que as classes intelectuais, artísticas e financeiramente bem resolvidas, que mora longe, trabalha pesado e chacoalha todos os dias na trinca ônibus-metrô-trem de subúrbio.

É esse mundo de gente, mais uma vez, que está de fato sofrendo com o pretenso “problema para todos” – no caso, a calamidade social de primeiríssima classe criada com a covid e com as providências que foram adotadas pelo poder público para gerir a epidemia. Não é “problema para todos”. É problema para eles.

Tome-se, para ficar só num dos grandes desastres da covid, e talvez o maior de todos: o desemprego. Já são mais de 14 milhões de brasileiros que estão tendo suas vidas destruídas pela eliminação da produção e do trabalho nas atividades que exerciam – seja com carteira assinada, seja por conta própria, seja no oceano de empreendimentos que foram e estão indo para o diabo porque o governador, o prefeito e os seus médicos querem fechar tudo.

UMA RUÍNA SOCIAL – Enquanto os “cientistas” e as autoridades locais estão dizendo “fique em casa”, e socando fiscal e polícia em cima do povo, a sociedade se arruína – e essa ruína cai direto em cima dos que têm menos.

Não são os funcionários públicos, os professores e os vigilantes mais radicais do “distanciamento social” que estão perdendo o emprego ou a condição de ganhar o sustento através do trabalho livre. Não são os executivos de empresas bem sucedidas e bem equipadas para enfrentar o tranco gigante na economia. Não é, obviamente, a turma do “home office”, do “trabalho remoto”, etc. etc. Não são, nem mesmo, os trabalhadores mais qualificados, ou mais experientes.

Quem está sofrendo é a massa pela qual ninguém jamais se interessa. São os que ganham menos, os que tem menos preparo profissional, os que podem ser trocados em cinco minutos por um outro disposto a ganhar salário menor. São os mais moços, os que sabem fazer pouco, os que não conhecem ninguém. São os negros – não os negros “fashion” da publicidade da televisão, mas os da vida real.

ESPETÁCULO DE HIPOCRISIA – Para toda essa gente, a elitezinha que vive na câmera asséptica da quarentena mental só propõe uma coisa: peçam dinheiro ao governo federal.

É o maior espetáculo de hipocrisia que a sociedade brasileira já viveu. Os militantes “pela vida” ficam em seus apartamentos. Mas exigem que os porteiros, os faxineiros e os demais empregados do prédio venham trabalhar todo o dia, no horário marcado; ou é assim, ou é o olho da rua. Para a minoria ficar em casa, dar entrevista e viver na sua bolha, é preciso que milhões não fiquem em casa. O resto é conversa de CPI.

13 thoughts on “Pandemia exige sacrifício de todos, mas quem se sacrifica mesmo são os mais pobres

  1. Mais uma forte razão, para os pobres adotarem logo um controle de natalidade, que possa caber no bolso: não na bolsa-família, bolsa disso e daquilo!
    Não procurem culpado no governo, na sociedade, no saci-pererê etc. A culpa é tão somente sua! Aprenda confessar mea culpa!

    • Esqueça Sr. Paulo,
      O povo só quer saber de cerveja e FUC FUC!!

      Tão nem aí pro país é com a prosperidade, aliás prosperidade é poder fazer churrasco com muita breja.
      Esse é o perfil do povão e o pagador de impostos é quem paga a conta da esbórnia sexual e alcoólica dessa turma.
      Eles não tem esperança de nada a não ser aproveitar ao máximo o que escrevi acima.

      O futuro deles, foi a festa é a sacanagem de ontem…

      O resto, nóis paga!

      Um abraço,
      JL

    • Felipe Quintas (via Facebook)

      O PSDB não tem voto, não tem uma bancada legislativa das maiores, mas, por algum motivo, todos os postulantes à Presidência beijam a mão do partido e do seu líder FHC. Lula, Ciro, Bolsonaro (que se elegeu pendurado no PSDB e encheu o governo de tucanos), todos eles.

      Evidentemente não é para ter o apoio do povo, que, em geral, tem asco da tucanalha. Mas, sim, para ter apoio da elite do poder (CIA + banca) que controla a urna eletrônica e que tem no PSDB o seu principal representante no Brasil.

      Não quero saber de Lula, Ciro e Bolsonaro. Quero saber de quem tem peito e apoio para quebrar essa estrutura nefasta de poder que sequestrou o Brasil e o fez de refém.

      E não estou falando de “revolussaum”e sim de Política com P maiúsculo, que sirva para realizar a cidadania e o bem comum e não o lucro espoliativo dos gestores de ativos, que sirva para proporcionar a cada brasileiro(a), independente da sua origem, cor e condição, uma vida de dignidade e não de escravidão.

      Infelizmente, não estou vendo nenhum candidato a nada com esse perfil. Só estou vendo, no zoológico eleitoral, prostitutos, perversos, cínicos e enganadores profissionais dispostos a nos colocar de cabeça para baixo numa feira de escravos em troca de uma mansão na Flórida.

      https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1589613837902531

    • Vai ser difícil, hein cidadão, fazer omelete sem quebrar os ovos ? Ora essa, se vc tem alguma mágica que não seja um projeto transformador de bosta em ouro, via trabalho, muito trabalho, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o milagre da multiplicação dos pães, dos peixes e das oportunidades, diga-nos então qual é a mágica, sabichão ?

  2. Os comentários acima que, de certa forma, culpam os pobres pela situação que se encontram não estão errados, não.
    No entanto, carecem de uma análise mais apurada, pois a fecundidade dos desvalidos é pródiga, contraditória e paradoxalmente.

    Primeiro:
    Qual seria a necessidade maior do ser humano, além daquelas básicas, de comer e matar a sua sede?
    A sua sexualidade, o sexo, que significa viver, conectar-se ao Universo, à natureza!

    Segundo:
    Independente do modo como vivem pobres e miseráveis, a única identidade que possuem com os abastados, elites, castas e os senhores do dinheiro está na sua satisfação sexual.

    Terceiro:
    Se existe algo que o ser humano não pensa no “Dia D e Hora H”, é na consequência do ato sexual, ou seja, se redundará em filho ou não.
    O prazer do momento sobrepuja o raciocínio, a lógica, a mente, pois o sexo é o resumo e o significado da existência.
    Sem ele, e não haveria ser humano, assim como qualquer outra forma de vida animal.

    Quarto:
    Para que os carentes deixem da sua “produção” de filhos e, para evitá-la, dependerá somente do casal de necessitados, jamais haverá um Planejamento Familiar.

    Quinto:
    Se todos sabemos da obrigatoriedade e responsabilidade com a vida que se traz para este mundo, que seriam justamente os desafortunados a evitá-las, pois são eles que mais precisam de ajuda para colaborar com esta finalidade – a começar que não possuem recursos para se alimentar, quanto mais adquirirem anticoncepcionais diversos -, caberia aos governantes este auxílio tanto social quanto pedagógico.

    Desnecessário eu dizer que governo algum se preocupou com as crianças que nascem em berços nada esplêndidos, pelo contrário, mas no mesmo nível daquela manjedoura conhecida de todos os cristãos!

    Logo, se durante o “rala e rola”, o pobre tem o seu momento de vida, de sentir a sua existência se esvaindo nos poros de toda a pele que lhe cobre o corpo, de ter emoções e sensações tanto quanto possui o rico, o milionário, o abastado, o fausto, por favor, considerem que esta pessoa não pode prescindir daquilo que o ser humano tanto busca na sua vida:
    Uma companheira (o) sexual, onde ele se conecta à vida e à espécie humana!

    Não podemos culpar os desvalidos pelo sexo. Esta conclusão é um erro clamoroso. Devemos culpar os governantes, sim, pelo descaso da pobreza e da miséria, no mínimo não contribuindo concretamente para um Planejamento Familiar em nível do Bolsa Família, por exemplo.

    Se, no lugar de aumentar a esmola para os filhos do casal, aumentassem os donativos para quem se apresentasse voluntariamente para ser esterilizado ou seguisse ao pé da letra as orientações governamentais que estariam ajudando o casal a evitar ter a sua prole aumentada, então reais a mais a cada ano sem filhos, certamente os desvalidos teriam bem menos frutos de seus amores que hoje.

    Mas, existe um grande problema para que esta ideia se realize, apesar de sabermos da sua necessidade:
    As religiões, que não concordariam com o Planejamento Familiar e o controle através de doações de contraceptivos alegando, cinicamente, que o homem não deve se opor à vontade de Deus!

    Os governantes cínicos e hipócritas, manipuladores e desonestos, acatam as “orientações” religiosas para ou obterem a vitória eleitoral ou para se manterem no cargo cuspindo na Constituição, que é clara e insofismável, sobre a laicidade brasileira, ou seja, a exclusão das igrejas do exercício do poder político e/ou administrativo.

    Não acusem o pobre quanto ao que lhe resta de dignidade, de humanidade, de vital:
    Que não deva fazer sexo!
    Deve e pode, pois a lei natural jamais será impedida por quem quer que seja; pela lógica, raciocínio, responsabilidade, seja lá o quê e quem for.

    Agora, cabe aos governantes orientá-lo, educá-lo, alcançar-lhe os recursos para esta nobre intenção.

    Em outras palavras:
    Não adianta entregarmos um automóvel para uma pessoa que não dirigir, pois ou ela se acidenta ou causa danos de monta ou até mata ou pode morrer.

    Esta é a pessoa que precisa de sexo, como todos nós. Não é necessário ensiná-la como deve ser na intimidade, mas precisamos deixá-los cientes que o sexo pode ser muito mais prazeroso, intenso, onde se atinge o ápice sexual, caso realizado com segurança e porque se está evitando uma gravidez indesejada!

    Se frequentamos a escola para deixarmos de ser analfabetos, o mesmo acontece com a relação sexual:
    Sabemos que o sexo é inenarrável pela sua intensidade e satisfação, prazer e sentido à vida, mas temos de aprender como evitar que, deste ato tão importante, o sexo passe a ser o vilão para os desvalidos porque têm vários filhos sem poder sustentá-los!

    Só falta, agora, uma campanha de castração de pobres e miseráveis, pois ali adiante poderemos encontrar os insanos que irão propor essa espécie de “limpeza social”.

    E é evidente que não me dirijo aos comentaristas acima, porém me refiro à falta de análises mais profundas e complexas para podermos acusar com veemência e correção, os culpados por essas tragédias sociais que assolam o Brasil!!!

    • “E é evidente que não me dirijo aos comentaristas acima, porém me refiro à falta de análises mais profundas e complexas para podermos acusar com veemência e correção, os culpados por essas tragédias sociais que assolam o Brasil!!!” O FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assolam o País) foi detectado há mais de 50 anos, pelo saudoso Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

  3. PERGUNTEMOS AO POVO, VIA PLEBISCITO, se ele quer continuar votando nos seus políticos, partidos, ou bandidos, de estimação, e ele, o povo, será levado pelo conjunto da obra do sistema apodrecido, a dizer que sim, à moda vítimas, reféns, súditos e escravos, sob o efeito da “Síndrome de Estocolmo”, apaixonados pelos seus algozes, fantasiados de democratas, heróis e patriotas defensores da pátria e da democracia, tudo enganação, na verdade plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, fantasiada de democracia só para ludibriar a tola freguesia, em defesa dos quais, fanatizados, em estado de histeria coletiva e surto psicótico, não hesitarão em levar à cruz ou à forca novos Cristos e novos Tiradentes, enquanto perigosíssimos e terríveis inimigos da pátria, dele$, patriota$ e heróis de araque, macunaímicos .

  4. Hoje já existem muitos métodos contraceptivos, inclusive, custeados pelo contribuinte, através do SUS. Seria bem mais módico, para a parcela útil da sociedade, pagar para evitar o nascimento de um despossuido do que o deixar nascer e continuar pagando pela sua sobrevivência.
    Quem paga berra com razão! Seria menos uma válvula de sucção do dinheiro do cidadão.
    Quase sempre, quando se vê esses samaritanos com oblatividade de madre Tereza de Calcutá, são pessoas que em nada contribuem, ou levam vida de sanguessugas também.
    Vejam o vampirismo do qual sou vítima:
    Imposto de Renda Anual sem retorno: R$ 14.600,00 + 8 boletos de 163,00.
    Desconto Mensal para a Seguridade Social: R$ 407,29.
    E outros menos onerosos…..

  5. Hipocrisia é o que mais se vê neste país. Elegeu-se o lockdown como a solução para acabar com a pandemia mas com as suas exceções, às pessoas que exercem funções mais simples, as menos qualificadas, à estas o “fique em casa” não se aplica. A burguesia brasileira se pretende ser muito “iluminada”, “aberta” à novas ideias e comportamentos mas na prática continua pensando como sempre pensou, explorar os mais frágeis o máximo possível, afinal de contas alguém precisa limpar a casa para mim, ou levar os cachorro para passear.

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