Para agradar seguidores fanáticos, Bolsonaro blefa ao desafiar os limites institucionais

Irritado, Bolsonaro insiste que estava interessado na segurança ...Carlos Pereira
Estadão

A atual composição do Supremo Tribunal Federal é fruto de indicações de seis diferentes presidentes. Este processo gerou uma Corte composta de preferências políticas e ideológicas muito distintas. Apesar dessas diferenças, percebe-se que as últimas decisões da Suprema Corte têm mostrado uma unidade incomum entre seus onze membros, especialmente em se tratando de um plenário tão diverso. Será que as heterogeneidades ideológicas e políticas entre seus membros foram diluídas?

As decisões unânimes da Suprema Corte podem estar diretamente relacionadas com os discursos e ações belicosas do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores mais fiéis, que têm confrontado de forma polarizada e plebiscitária as instituições democráticas, em especial o próprio Supremo, mas também o Congresso Nacional.

PAGANDO PARA VER – Precisou que o Supremo “pagasse para ver” ao demonstrar seu compromisso firme com a democracia, por meio de decisões consistentemente unânimes e contrárias às preferências do presidente, para que, mesmo timidamente, os céticos e temerosos com a solidez das instituições democráticas brasileiras percebessem que as ameaças autoritárias do presidente Bolsonaro não passam de um blefe.

Se as chances de sucesso da estratégia de confronto com as instituições democráticas são praticamente nulas, por que de Bolsonaro não apenas insiste em utilizá-la, mas também o faz de forma cada vez mais virulenta e ameaçadora?

Bolsonaro blefa porque essa é a uma das poucas armas, talvez a única, que populistas plebiscitários, como ele, dispõem para continuar alimentando seus vínculos políticos e identitários com seu núcleo duro de eleitores.

ESTÁ ENCURRALADO – Bolsonaro, na realidade, encontra-se encurralado e, consequentemente, necessita não apenas de conexões identitárias polarizadas, mas da sua utilização com intensidade e frequência cada vez mais alta.

Quando Bolsonaro decidiu governar de forma minoritária, rejeitando a necessidade de construir coalizões legislativas estáveis, ficou cada vez mais dependente destas conexões diretas com seus eleitores para sobreviver, especialmente a partir de apelos de perfil fortemente identitário que funcionam como atalhos cognitivos de proteção para os membros do grupo.

A má gerência da pandemia do novo coronavírus e os riscos decorrentes das investigações em curso pela Polícia Federal e dos inquéritos no Supremo obrigaram Bolsonaro a fazer importantes inflexões no seu governo contrárias aos compromissos assumidos com seus eleitores. A montagem de uma coalizão de sobrevivência com os partidos do Centrão e a intervenção na Polícia Federal, que culminou com a saída de Sérgio Moro, são exemplos que corromperam alguns dos pilares centrais que nutriam as conexões identitárias com seus eleitores.

CONFRONTAR É PRECISO – Sob risco de ver erodir ainda mais as suas conexões identitárias e observar seus eleitores mais fiéis também se desgarrarem, Bolsonaro não pode se dar ao luxo de simplesmente parar de falar. Precisa do confronto polarizado para continuar a existir politicamente.

O presidente, portanto, enfrenta um dilema de difícil solução. Tem que manter seu núcleo duro firme e coeso por meio de apelos identitários cada vez mais inflamados e com alguma coerência, mas, ao mesmo tempo, não pode cruzar os limites institucionais que venham a colocar em risco o seu próprio mandato. Ou seja, precisa dar a impressão que vai para os extremos, mesmo que ele saiba que não pode fazer isso, pois o desfecho final será certamente desfavorável a ele mesmo.

13 thoughts on “Para agradar seguidores fanáticos, Bolsonaro blefa ao desafiar os limites institucionais

  1. Com a descoberta do gabinete do ódio, virá o Impeachment ou a interdição.
    Prefiro a interdição, votei no LOUCO e quero que agora seja escorraçado como tal.

    Cordialmente.

  2. 57 milhões de eleitores votaram nele
    44 milhões no Haddad
    40 milhões nem em um nem no outro. Foram brancos, nulos e justificativas fora do domicílio eleitoral.
    Logo, 89 milhões não votaram nele.
    Os seus acham que será reeleito? Estão enganados! Tem muita gente que votou e se arrepende. Tem quem ficou em cima do muro e se arrepende.

  3. Não podemos acusar o PR de má gerencia na pandemia pois o mesmo não gerenciou nada.
    Agora, deve passar de centenas os mortos por descumprirem as medidas sanitárias global e nacional espelhando-se no péssimo exemplo de nosso presidente. Contaminaram-se e superlotaram rapidamente os leitos hospitalares; deixando centenas e centenas em todo o pais morrendo a espera de um leito hospitalar.

  4. O Bolsonaro é acusado de ser fascista, nazista e agora também, de ser a reencarnação de Adolf Hitler.
    A única coisa que ele é mesmo, é um destrambelhado, só isso.
    Até hoje, não conseguiu aprovar um só projeto, que não tivesse sido descaracterizado pelo congresso nacional. Mesmos com as alterações sofridas, mesmo assim, tem sancionado quase tudo que vem do congresso.
    Portanto que tipo de ditadura é essa em que o “ditador” não tem poder? E que o presidente da câmara de deputados, mesmo não sendo o presidente do congresso nacional, é o verdadeiro “mandão” do legislativo. Também o fato de um ministro do STF, que foi nomeado por um presidente que não foi eleito, Sarney, que não deveria ter tomado posse na ocasião, já que Tancredo Neves não foi empossado, a vice presidência de Sarney, não existia. Ainda pesa o fato de que a tal “PEC DA BENGALA”era inconstitucional, nem deveria ter sido votada, afinal, quem indica ministro para o STF, é o presidente da república, quem aprova a indicação é o senado, portanto a câmara de deputados não participa do evento, dai o fato de estenderem por mais cinco anos o mandato de ministro do STF, acho extremamente inconstitucional. No caso, a então “lei da bengala”, só deveria valer para ministros empossados após a sua publicação.

    • Se fosse valer sua interpretação sobre a pec da bengala, então reforma alguma da previdência deveria atingir quem já estivesse empregado. Só valeria para gerações futuras.
      Mutatis mutandis

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