Para chegar lá, sem exploração dos trabalhadores

Steiner deixou preciosas lições

Vittorio Medioli
O Tempo

“Dando-se apenas o pão, pode-se ajudar somente o indivíduo. O resultado será que, depois de algum tempo, muitos estarão novamente sem pão”. A sentença é de Rudolf Steiner, publicada na revista “Lúcifer Gnosis”, de 1905. Trata-se de um fragmento da análise das relações do capital e do trabalho, da mediação do Estado, das atitudes políticas procurando identificar na ação humana as razões do sucesso de uns e do fracasso de outros.

Steiner é o “gênio” mais eclético do século XX. Ele – como Emanuel Swedenborg, anteriormente, e Helena Blavastky – possuía uma compreensão além dos meros sentidos comuns ao ser humano da atualidade. Pode-se crer, analisando sua oceânica obra, naquilo que os Vedas ditam a respeito dos sentidos do homem. Cinco, dos sete a que tem direito a humanidade, já foram adquiridos ao longo dos cinco ciclos que se passaram nesta Terra, mais dois aguardam para os últimos ciclos da cadeia setenária.

Rudolf Steiner, provavelmente, dominaria como precursor da raça esses sentidos, que lhe permitiram atingir conhecimentos fora do alcance comum, permitindo-lhe trazer de esferas desconhecidas conceitos que fizeram a fortuna da indústria química alemã, mostraram ao homem a “biodinâmica” que se aplica na agricultura, a economia sustentável, a importância da influência dos astros sobre o universo, a pedagogia incrível do método Waldorf, a interpretação mais profunda dos quatro Evangelhos, do Apocalipse, da importância das abelhas e centenas de outros que deixam claro quando e como plantar morangos.

POUCO ALCANCE

Como exímio economista, faz lembrar, no artigo de 1905, que “doar apenas o pão” pode ser uma atitude de pouco alcance. Steiner faz uma análise moral e cármica da ação humana, além dos limites de lucros e perdas financeiras, para finalizar que o sucesso precisa considerar o aspecto educativo e disciplinador nos gestos de solidariedade.

Qualquer esforço na esfera material, por mais intenso que seja, deve-se dirigir ao crescimento do indivíduo, de suas potencialidades e da ampliação de sua consciência. É justo e necessário procurar melhores condições materiais e apagar a fome. Terão, todavia, um valor universal só em função do que estimulam nos indivíduos quando lhes concedem a emancipação.

Um homem rico, mas moralmente indigente, pouco serve à humanidade. Não há riqueza e progresso com a exploração de seres desprotegidos ou intelectualmente desfavorecidos, nem se poderá impunemente aproveitar-se de alguém e pretender que ele cumpra uma tarefa com atenção, dedicação e proveito.

AMOR À HUMANIDADE

O sucesso verdadeiro se liga aos fios invisíveis que “o amor à humanidade” desencadeia. Poder-se-á alcançar rapidamente a riqueza pelo caminho da exploração, mas exigirá um esforço repetido a cada dia para preservá-la dos ataques, já que é uma usurpação, e não um “estado alcançado”.

Já em 1905, era um erro acreditar que um Estado filantropo poderia resolver os problemas das necessidades sem ensinar ao indivíduo como prover por si essa autonomia. Acreditava que “os políticos se equivocam… baseando-se num conhecimento insuficiente da vida humana”, limitados pelo egoísmo, quando prometem o pão sem agregar educação. Steiner faz notar quanto seja indispensável a “consideração da integralidade” que diferencia certos empreendimentos de espantoso sucesso que guardam entre seus componentes a “utilidade e função social”, uma espécie de certificação de amor à humanidade.

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