Para defender Palocci, ninguém melhor do que José Dirceu, que também ficou rico fazendo consultorias e não está sendo acusado de nada.

Carlos Newton

Não há dúvida de que a bem-sucedida diversidade profissional experimentada por Antonio Palocci é muito semelhante à situação de José Dirceu, embora o chefe da Casa Civil tenha esquecido de mencionar isso, ao tentar se defender, quando alegou que outros políticos e economistas também agiram da mesma forma, citando Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Maylson da Nobrega e outros.

Realmente, todos lembram que, quando perdeu o mandato, cassado pela Câmara devido a seu envolvimento no Mensalão denunciado por Roberto Jefferson, José Dirceu afirmou na Câmara que não tinha recursos em investimentos ou poupança, e teria de trabalhar como advogado, para conseguir pagar as contas e sustentar a família.

Mas nem precisou fazê-lo, os tribunais se livraram dele, porque logo percebeu que consultoria dá muito mais dinheiro e menos trabalho, tanto assim que pouco tempo depois Dirceu já se tornara um homem muito rico, envolvido com grandes corporações nacionais e estrangeiras, e que sorte ele teve, é impressionante.

Mas hoje poucos se lembram de que, na legislatura anterior, ainda no governo FHC, quando surgiu o escândalo dos chamados “Anões do Orçamento”, o então deputado federal José Dirceu fez um importante discurso da tribuna da Câmara dos Deputados. Estava em debate o processo de cassação do deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), e Dirceu então defendeu a estranha tese de que não eram necessárias provas para se cassar um mandato parlamentar, pois apenas as evidências já seriam suficientes.

Como ensina o ditado popular, “pau que dá em Chico dá em Francisco”. E o candente pronunciamento do então deputado José  Dirceu, ovacionado pela bancada do PT, agora pode servir perfeitamente para ser usado na análise da situação de Palocci, pois nem são necessárias provas de tráfico de influência e coisas que tais, vez que as evidências realmente abundam, me perdoem a utilização deste verbo homoafetivo em texto de tamanha aridez.

E nota-se que também abunda no currículo de Palocci a dedicação total ao interesse público, desde seu ingresso na política, lá em Ribeirão Preto. Na função de prefeito, mostrou-se incansável no afã de deixar a cidade limpa, em todos os sentidos, ao apoiar incondicionalmente a empresa Leão & Leão, que cuidava de limpar até mesmo os cofres municipais, sem maiores cuidados com o duplo sentido das palavras.

Depois, o amor aos amigos de Ribeirão Preto prosseguiu, quando ministro da Fazenda, e Palocci fazia questão de prestigiar as festivas reuniões por eles oferecidas na mansão do Lago, onde ia espairecer da estafante dedicação ao patrimônio público, que despertou interesse até ao simplório caseiro Francenildo que cuidava do luxuoso imóvel. E foi também o interesse público que fez o poderos ministro da Fazenda quebrar o sigilo da conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal e levar pessoalmente os dados aos donos da Organização Globo,  que gentilmente o atenderam, denunciando o caseiro como corrupto nas páginas da revista “Época”, todos se recordam.

Agora, é esse espírito público incomum que novamente leva Palocci a enfrentar a tudo e a todos, com bravura indômita, para se manter à frente da Casa Civil e salvar o país dos maus políticos e administradores, deixando com isso de faturar milhões e milhões na Projeto Consultoria, vejam só que dedicação esse ministro demonstra ao país.

Aliás, foi uma injustiça o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aquele que fraudou a Constituição para atender aos interesses dos banqueiros, não ter agraciado Palocci com a Medalha da Vitória, honraria inspirada nos heróis que deram a vida pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial.

O ainda chefe da Casa Civil merecia a honraria muito mais do que José Genoino. Afinal, Palocci está mostrando que é mesmo um guerreiro, um batalhador, um combatente. Ninguém luta pelo poder com mais empenho do que ele. É um exemplo para o PT, para o governo e para o País. Um cidadão verdadeiramente acima de qualquer suspeita, como no genial filme do diretor italiano Elio Petri.

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