Para Dilma e Serra lerem. ENTENDERO? A dilacerante, angustiante e asfixiante misso de um governante. Seja como presidente, imperador, ditador, todos esses ttulos se entrelaam e se confundem.

Governar no fcil. Governar nunca foi fcil. Governar tambm no to difcil. Em tempos de crise, (quase sempre), praticamente impossvel governar qualquer pas, em qualquer poca, em qualquer lugar. E os tempos de agora so tempos de crises, e pior: de crises acumuladas pelo desperdcio dos recursos do cidado-contribuinte-eleitor. E essas crises do a impresso de terem vindo para ficar, somar ou multiplicar.

Em todos os pases, em todos os continentes, a todas as horas, assistimos presidentes fazendo discursos, declaraes, entrevistas, doutrinando como se soubessem de todas as coisas. Como se fossem autnticos donos da verdade, porta-vozes dominadores das mais diversas solues.

Est faltando humildade aos governantes. E todos ou quase todos, sempre sozinhos, arrogantes mas isolados, tristes, praticamente desligados de tudo. No vo a lugar algum, a um cinema, teatro, no andam nas ruas. (Com exceo para Serra, Dilma e outros, quando esto em campanha).

Abandonam seus palcios deslumbrantes, suas casas oficiais, do fugazes passeios, por ruas que antigamente frequentaram.

Uma vez escrevi sobre o j ento presidente Vargas, em 1951, quando voltou ao Catete: Est tentando praticar o exerccio solitrio do Poder. No conseguiu, no sabia governar, a no ser ditatorialmente.

Agora, revendo ou relembrando minhas concluses e comparando-as com afirmaes presidenciais que inundam rgos de Comunicao do mundo inteiro, voltam as dvidas, meu pavor se acentua, sinto a necessidade ou a obrigao de reafirmar toda a incredulidade expressa nas anlises que j fiz. De todas as falas dos mais diversos (e medocres) presidentes, reis e rainhas, primeiros-ministros, ditadores, aprendizes de governantes.

Esses governantes insistem na teoria, se encharcam dela em doses cada vez mais embriagadoras mas inteis, no parecem sequer perceber que tempo de realizar, de aplacar, de decidir, de transferir (recursos). Tempo de curar feridas de todos os tipos, provocadas pela omisso deles mesmos, todos eles.

No olham para a frente e sim para trs, no tm a menor ideia do que precisam construir ou reconstruir sobre os escombros que restaram, para que tambm no se transformem em escombros as raras coisas slidas que restaram, E isso no se faz com teoria, com boas intenes, com promessas vagas e que no sero cumpridas, o que a rotina de todas as sucesses de todos os pases.

(Nestes tempos de Hiroshima e Nagazaki, quando as vtimas de um homenzinho chamado Truman, dizem que perdoam mas no esquecem, e quando a indstria mais produtiva e mais lucrativa a da guerra, lembremos de Einstein: Se houver a terceira guerra mundial, a quarta ser travada com paus e pedras, tudo que sobrar. Apesar da credibilidade e da razo de Einstein, continuam se aproximando do limite).

O que que os governantes esperam? Que o tempo passe mais devagar, para que possam realizar o milagre da fuso de uma utopia puramente literria com a realidade cada vez mais ultrajante para metade da populao do mundo? (Mais de 3 bilhes de mendigos, miserveis, desassistidos e abandonados, que no tm o direito do protesto ou da revolta?)

Quais so ou sero os verdadeiros propsitos dos governantes? Dar a impresso de que vieram para fazer, para multiplicar, para construir ou reconstruir de verdade com o dinheiro do prprio cidado? Os presidentes (ou que ttulos tenham) esto preparados para provocar mais essa iluso no povo?

Ou pretendem sempre e cada vez mais contrariar o que recomendava Chesterton (sabero quem ? Onde Dilma e Serra, no caso brasileiro, teriam ouvido falar nele?), que ensinava sempre: Jamais derrube uma cerca enquanto no souber a razo pela qual ela foi colocada ali.

Todos os governantes, sem exceo, parece que s fazem cavar sem colocar nada no lugar em que cavaram. Sem substituir as cercas que removeram sem explicao e sem motivo. Me apontem um s lugar do mundo onde governar no seja o exerccio do medo, da solido, do isolamento de si mesmo, dominados pela angstia do silncio.

No mundo de hoje, haver algum mais angustiado e assustado do que um chefe de Estado, tenha ele o nome que tiver, exera as funes que exercer?

***

PS Hoje, apenas um PS e vai para John Kennedy, pela importncia da confisso, e pelo fato de representar exatamente a realidade dos governantes, dos governados e do que a Comunicao transmite para o mundo.

Conversando com seu grande amigo, o historiador Arthur Schlesinger, afirmou quase com lgrimas nos olhos: Eu quis tanto ser presidente dos EUA. E agora descubro que sou simplesmente um teleguiado dos servios de Informao e dos rgos de Comunicao. S sei o que eles querem que eu saiba. E s vou onde eles querem que eu v. Parou, disse o que era mais elucidativo, explicativo e definitivo: E o mais grave, o mundo inteiro est convencido que eu mando de verdade.

Pergunta que no pode deixar de ser feita, colocada, quem quiser que responda: existe alguma outra coisa mais DEVORADORA, DESTRUIDORA, ATERRORIZADORA?

Continuando: Depois de assumir, tenho que garantir com a maior autenticidade. No dormia de maneira alguma, pois sabia que tudo era da minha responsabilidade, e se acontecesse enquanto dormia?

possvel que termine amanh, mas desde j deixo a confisso: em matria reflexo, ainda nem cheguei fase da ANARQUIA, a mais pura das ideologias. E da qual tanto tm falado aqui.

A maior e mais intransponvel barreira a ser ultrapassada pela ideologia chamada ANARQUIA: j que defendem o NO GOVERNO, como iro governar? E hoje, praticamente sem protesto, a IDEOLOGIA PURA, virou sinnimo de baderna, de desordem. O mais comum as pessoas dizerem: Isso virou anarquia. S que no sentido depreciativo.

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