Para frente, depois da Era do Consumo

Vittorio Medioli
O Tempo

Li um interessante artigo publicado no jornal “Valor” desta semana, de autoria do presidente de FCA, Cledorvino Belini, que chama atenção para a “inovação” como forma mais direta e valiosa de sobreviver ao atropelo da crise. Ainda mais neste momento de provações enfrentadas pelos setores econômicos que sustentam o sistema e alimentam diretamente o erário, o estômago das pessoas, e garantem “ordem e progresso”. Para isso Belini chama a atenção para a “educação” como chave e panaceia da sociedade.

No jornal O Tempo do último sábado, uma entrevista do instituidor do projeto Inhotim, Bernardo Paz, aponta “sua” saída pela quebra de paradigmas sociais, uma revisão plena do “modus vivendi” marcada pela volta ao “natural”, ao lado artístico da vida que a humanidade deixou fora da “urbis”. Um resgate da tribo deixada atraente pela tecnologia.

Os avanços, especialmente da comunicação, deixam em segundo plano a necessidade de se aglomerar entre as muralhas de concreto. Paz, provavelmente influenciado pelas teorias da Era de Aquário, pelo esoterismo insurgente, se lança no espaço inexplorado do “pós-moderno”, da superação do trivial, que, aliás, é o norte do próprio projeto “Inhotim”.

DESEJO DO CONSUMO

A sociedade chegará ao momento em que o desejo do consumo estará saturado, e a mola mestra de hoje terá que ser substituída por outras fórmulas. Quais? Aí na bola de cristal temos duas visões: aquela do homem de indústria, que movimenta as engrenagens da economia, e a do outro, o colecionador de arte, o mecenas, vislumbrando uma saída dos paradigmas. Da fórmula do progresso pelo crescimento econômico. Bernardo Paz, que sabe conviver com o apelido de “louco” que se aplica com facilidade ao “profeta que nunca será reconhecido em sua pátria”, enxerga o futuro distante, mas já insurgente numa minoria.

Os discursos, aparentemente distantes, se entrelaçam na preocupação do enfrentamento da situação desfavorável, social e econômica.

Meu guru escrevia na década de 60 que chegaríamos ao ponto em que os valores que movem a humanidade nos últimos milênios se exauririam por uma parte da sociedade, mas seriam ainda necessários para outra, por meio do apaziguamento das necessidades ancestrais provocado pelo acesso ao consumo em larga escala.

Dessa maneira, os instintos de sobrevivência mais grosseiros e animalescos, com sua rudez e ferocidade, deixariam superadas as lutas com unhas e dentes para encher o estômago.

PÓS-FARTURA

Encontrando a fartura, deixará de disputar seu abastecimento como uma fera que se vale de tudo. A prole amenizaria os instintos, deixaria de caçar e passaria a ter disposição e tempo para procurar dentro de si valores que transcendem a cruel disputa. Isso se apercebe agora no despertar de pessoas que enxergam a vida não só como uma luta, mas como uma pacífica convivência.

O vidente teósofo Charles Leatbeater, no livro “O Homem, de Onde Vem e para Onde Vai”, profetizou, em 1900, a televisão e a internet, descreveu também formas de vidas para as épocas atuais e futuras que deixam para trás o modus vivendi dos últimos séculos. Haveria, assim, já uma sociedade mais sábia, moderada e feliz à procura da superação do mero materialismo. Mas, se uma parte evoluiu, outra tenderia a se extinguir na estreiteza de sua compreensão. Assim como o homem de Cro-Magnon sobreviveu ao Neandertal.

Belini enxerga na inovação a “via”, e esta se dará em sintonia com a procura de novos valores, auspicados por Paz. A inovação deve se dirigir a um norte, sinalizado pela necessidade de conversão de métodos impróprios para os sustentáveis e limpos.

A sociedade civil, tanto no mundo empresarial como no artístico-cultural, vem apresentando propostas muito valiosas. Acendendo luzes na escuridão que deveriam ser aproveitadas pelo mundo oficial.

3 thoughts on “Para frente, depois da Era do Consumo

  1. As pessoas devem comprar de acordo com suas as posses, assim como governos devem gastar menos do que arrecadam.
    Não é tão difícil de entender.

  2. Tem gente, não lembro os nomes, mas são do mercado financeiro que fazem um paralelo de nossos dias com os dos anos 1930 e que enxergam como uma única forma de superação da atual crise de estagnação economica atual uma nova guerra mundial, que tantas tragédias provocaram nos anos 30 e 40, mas que sem dúvida foi o principal fator de recuperação econômica, principalmente para os EUA.

    Só tem um “probleminha” básico nesse raciocínio: Quando perguntado a respeito de quais armas seriam utilizadas numa 3ª Guerra Mundial, Albert Einstein declarou que não tinha a minima idéia, mas garantiu que a 4ª será com paus e pedras. Assim quem imagina que a única forma de superação da atual crise financeira/economica seja uma nova guerra mundial, Ócidente(EUA + OTAN + Japão + outros) x Oriente(Russia + China + Irã + outros) , podem ter certeza que os vencedores e os sobreviventes sentirão inveja dos mortos.

    Logo, realmente caminhamos para uma nova concepção em termos de novos valores, o consumismo desenfreado realmente vai ficando cada vez mais insustentável e o fim da História como uma vitória final do Ocidente(EUA principalmente) sobre o resto do mundo(Rússia principalmente) não tem a minima sustentação.

    O que virá daí não tenho a minima idéia, mas com certeza não será uma imposição de visão de mundo e interesses como foi no governo Baby Bush. Obama, inteligente que é, parou de fazer “coisas estúpidas” e até vem tentando acertar, aliás têm acertado muito mais do que errado, diga-se de passagem.

    Mesmo não tendo idéia, sou capaz de afirmar que só o entendimento será capaz de evitar grandes tragédias e o fim da humanidade, que logicamente seria, aí sim, o FIM DA HISTÓRIA!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *