Para não ser cassado, Temer já liberou R$ 1 bilhão para agradar deputados

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Deu no Correio Braziliense

Desde que a delação do Grupo J&F – controlador da JBS – veio à tona, em 17 de maio, o governo liberou quase R$ 1 bilhão em emendas parlamentares, a maior parte para a sua base aliada no Congresso. O repasse desse volume de recursos a deputados e senadores já estava previsto e a liberação coincidiu com o agravamento da crise política. Para arregimentar apoio à reforma da Previdência – projeto considerado crucial pelo Planalto -, a Secretaria de Governo da Presidência, responsável pela articulação com o Congresso, já tinha pedido a antecipação do pagamento de R$ 1,8 bilhão em emendas parlamentares para conseguir reverter o placar desfavorável ao projeto na Câmara. A previsão era de desembolso de R$ 1 bilhão em abril e R$ 800 milhões em maio.

Levantamento feito por consultores do Orçamento no Congresso, a pedido do Estado, mostra, porém, que a liberação de verbas de emendas ocorreu de fato no período posterior à delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

INVESTIGAÇÃO – Com base na delação, o presidente Michel Temer passou a ser investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se prepara para apresentar denúncia contra o presidente. O STF só poderá julgar a acusação formal caso obtenha uma autorização de 2/3 da Câmara, ou 342 deputados.

Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, uma nova rodada de pagamentos será feita até o fim do mês. No ano, estão previstos R$ 6,3 bilhões no Orçamento para emendas parlamentares.

Para o Planalto, a preservação da base de apoio no Congresso e a manutenção da agenda de reformas são fundamentais para que a gestão Temer supere a sua mais aguda crise.

NADA A VER… – Imbassahy negou que o aumento dos repasses tenha relação com a delação da J&F. “Não tem nenhuma orientação para pagar nem mais nem menos”, disse. De acordo com ele, a liberação de recursos está seguindo “uma sequência normal”. “As emendas são impositivas e, portanto, com execução obrigatória. À medida que os ministérios informam para a secretaria que um projeto já foi fiscalizado, estamos liberando o pagamento, dentro do limite orçamentário.”

O levantamento foi feito com base no Siafi – sistema que acompanha as contas do governo em tempo real. Entre 17 de maio e 13 de junho foram liberados R$ 486,4 milhões em restos a pagar (valores de outros anos) e mais R$ 467,5 milhões empenhados (compromissos de pagamentos), somando um total de R$ 953,6 milhões em recursos para deputados e senadores em quase um mês, metade do que foi autorizado desde o início deste ano. Neste último mês, 94% das emendas parlamentares foram empenhadas e um terço das emendas que tinham sido autorizadas em exercícios anteriores foi quitado.

TORNEIRA ABERTA – Segundo os consultores do Congresso, a liberação de recursos deve se intensificar nas próximas semanas. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas. O pagamento desses valores é visto como moeda de troca entre o Planalto e o Legislativo, e costuma ser usado pelo governo para garantir apoio no Congresso. O dinheiro é o principal recurso destinado aos parlamentares para que eles possam viabilizar obras e benfeitorias em seus redutos eleitorais.

No ano passado, a ex-presidente Dilma Rousseff usou do mesmo artifício para tentar barrar o impeachment no Congresso. Somente nos primeiros dias de maio, ela empenhou R$ 1,4 bilhão em emendas para deputados e senadores, quase a totalidade do que havia liberado no acumulado de 2016 até maio. O afastamento de Dilma, porém, foi aprovado pelos senadores em 12 de maio. Ao assumir a Presidência, Temer continuou com o ritmo acelerado de liberação de verbas e empenhou outros R$ 2,4 bilhões no restante de maio.

A maior parte dos recursos liberados até agora tem como foco deputados e senadores da base do governo. Os dez parlamentares que encabeçam o ranking das emendas empenhadas são do DEM, PMDB, PP e PR, todos partidos aliados de Temer. O deputado que recebeu o maior valor foi Marco Rogério (DEM-RO), cotado a relator da provável denúncia contra o peemedebista e relator do pedido de cassação de Eduardo Cunha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme temos afirmado aqui na Tribuna da Internet, já faz tempo que Temer não governa. Sua única preocupação e salvar o resto do mandato de um  governo que já perdeu o prazo de validade, como diz o nosso amigo Augusto Nunes. (C.N.)

6 thoughts on “Para não ser cassado, Temer já liberou R$ 1 bilhão para agradar deputados

  1. Para liberar “grana” desse jeito,deve ser feito um tremendo malabarismo contábil. Como o país pode progredir com uma esculhambaçao dessa.Vota-se uma Lei Orcamentaria para não ser cumprida. Enquanto não moralizar o Sistema Contábil, o Brasil será semore uma cloaca econômica Orcamento tem de ser impositivo

  2. Deu Estadão:
    Recibos de offshore registrada em endereço ligado a famosa Mossack Fonseca são encontrados com o amigão de Temer: o coronel reformado João Baptista Lima, apontado pela JBS como “apanhador” pessoal de recursos para Michel Temer.

    https://goo.gl/3QrJxd

  3. O governador do Rio de Janeiro continua no comando do estado, mesmo partido que Michel Temer, ele está vendo o caos que o povo fluminense está sofrendo, UERJ na penúria, saúde um caos, segurança destruída com o plano de Sérgio Cabral fajuta, não conseguiu impedir a violência, pois foi um plano para colocar esta UPPs para se locupletar, aliás, este senhor tinha um plano diabólico para enriquecer ilicitamente e seu vice, Fernando Pezão era secretário de obras, sabia de tudo que ocorria nestas licitações, já deveria ter renunciado ao governo, mas o governo federal assiste de longe este estado falimentar que vive o Rio de Janeiro, sem procurar resolver o problema do povo do estado, são do mesmo partido.

  4. Desculpem a ignorância mas o que é de fato as tais “emendas parlamentares”? É mais dinheiro do povo brasileiro repassado para a classe política encher as burras com a sua roubalheira? Afinal o povo brasileiro não vê melhoria em nenhum serviço público, desde saneamento básico a saúde, passando por educação, segurança e habitação…

  5. O sr. Armando fala umas coisas esquisitas, de vez em quando.
    Essa valor da liberação de emendas, parece, constava do orçamento. Vamos ver se o teto da meta não será estourado com outras “bondades” para ele tentar, inutilmente,se livrar da degola que virá.

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