Para o jurista Thomaz Bastos, o mesmo destino de Cícero

Colle arrasa com o jurista

Sérgio Colle

É praticamente uma constante nos discursos filosóficos a crença de que os humanos planejam melhor seu futuro quando têm conhecimento de sua história.

No Brasil, em consequência da degradação do ensino em todos os níveis, o ensino de história passou a ter um papel secundário, cedendo lugar ao discurso ideológico, mais ainda nas escolas de ensino médio.

Aquele que não conhece a história política de Roma pode bem surpreender-se com o pernicioso costume de compra de votos, de ​deputados e senadores, com recursos públicos (no caso de Roma, com dinheiro do saque dos tesouros dos países derrotados). Entretanto, quem bem conhece a história daquele tempo, muito bem sabe que os hábitos dos políticos de hoje são, em menor ou maior grau, os mesmos dos políticos daquele tempo e, quanto maior a impunidade, mais os hábitos de rapina se repetem.

Com a morte de Marcio Thomaz Bastos, o Brasil perdeu um jurista, mas a nação brasileira foi recompensada, até porque foi subtraído de nosso meio um habilidoso e dedicado advogado dos corruptos.

Como ministro da justiça do governo Lula ele deixou pouco para que fosse lembrado e, por que não dizer, preservou fielmente a tradição das masmorras medievais em que se transformaram os presídios deste degenerado país.
Nos últimos tempos, articulava-se ele com um formidável esquadrão de juristas, na tentativa de criar armadilhas jurídicas para desqualificar o Meritíssimo Juiz Moro, responsável pelo processo de investigação em curso na Petrobras.

NO CASO DO MENSALÃO

É dispensável aqui detalhar os milionários honorários que esse jurista recebeu para defender os criminosos do mensalão. Não faltou esforço para que o mais nobre dos juristas do STF, o Meritíssimo Juiz Supremo Joaquim Barbosa fosse colocado na defensiva, constrangido e, por que não dizer, no horizonte da desmoralização púbica, com o único fito de reduzir-se a gravidade dos crimes daqueles bandidos petistas e, por que não dizer, inocentá-los.

A Ordem dos Advogados do Brasil em coro canta loas ao jurista morto. Nada estranho numa organização que é o exemplo lapidar do corporativismo no Brasil. Essa organização não faz qualquer menção referente a estatura ética de Bastos que a meu ver, merece detida análise, a fim de que se estabeleça os limites além dos quais um homem deixa de ser jurista para ser mercenário.

Os populistas, invariavelmente corrompem a justiça dos países, mais atuando para mudar as regras do poder e prolongar-se no governo e menos para beneficiar a nação na busca da prosperidade através do trabalho honesto.

Não faltaram cabeças brilhantes na história  a bajular chefes de estado populistas, vagabundos e assemelhados. Relembro que Pablo Neruda fez um poema a Stalin e que Pablo Picasso idolatrava esse monstro.

Também não faltaram bajuladores e oportunistas a cercar Lula e Dilma, a exemplo do louvado arquiteto comunista Oscar Niemeyer (cognominado jocosamente de Mago do Concreto Alheio e conhecido no exterior nos últimos lugares da fila dos cem melhores).

EM NOME DO DIREITO

Marcio Thomaz Bastos era uma sombra ao redor dos poderosos, sempre pronto para defendê-los, em nome do exercício do direito. Entretanto, poderemos dizer que ele mais brilhou perante o povo brasileiro esclarecido, precisamente quando defendeu bandidos corruptos e ladravazes do dinheiro público.

Tais homens tornam-se célebres e poderosos. A história nos mostra que a escalada de poder desses homens somente pode ser interrompida através de processos revolucionários.

O regime militar de 64, justificado historicamente para defender o Brasil contra os traidores comunistas, é um exemplo. Nesses regimes, julga-se o homem por sua importância política e executa-se o mesmo por sua culpa política.

Foi precisamente o caso do célebre jurista romano Cícero que, em retribuição a seus serviços jurídicos aos poderosos, recebeu dos senadores romanos à época de Júlio César, nada menos que dezenove vilas. A história romana registra que o Palácio dele em Roma somente era superado em luxo e dimensão pelo palácio de Mecenas.

A decadência romana nos lembra muito bem a podridão reinante na política brasileira de hoje, quando ao povo se dá a impressão de que o bem público foi a leilão.

À ESPERA DO SALVADOR

A nação romana daquele tempo clamava por um salvador, enquanto que Virgílio proclamava brilhantemente em sua obra literária a vinda do mesmo, puro, justiceiro e nobre. Pois bem, o salvador aconteceu no nome de Caio Otávio, o filho adotivo do assassinado Júlio César. Sua administração foi tão brilhante que ele foi cognominado de Augusto.

Cícero, acostumado à corrupção reinante, usou de seu sinete e sua habilidade oratória para desmoralizar Augusto, em defesa da casta podre de senadores que o fez milionário. Tudo ele fazia em nome da república, enquanto enriquecia.

A história nos conta que nas proscrições (ajuste de contas com os conspiradores de Júlio César), Cícero foi enquadrado como traidor e, sem mercê, decapitado. Suas mãos foram pregadas na porta principal do Foro Romano e lá permaneceram por seis meses, apodrecidas.

Voltando ao jurista brasileiro morto, se existe algum consolo para a nação brasileira, é que dela foi subtraído um defensor de corruptos milionários próximos ao poder.

Para a Academia de que faço parte, na qual se julga o homem por seus méritos intrínsecos à luz das referências mundiais do conhecimento, esse homem não fará falta alguma, mesmo porque nas melhores escolas de direito do mundo ele é considerado um ilustre desconhecido.

Podem nos subtrair a liberdade, mas jamais subtrairão nossos sonhos. Esse não era o fim que eu desejava ao Sr. Thomaz Bastos. Para ele, na minha ótica de história, eu mais desejaria o final destinado a Cícero.

Sérgio Colle é professor da UFSC. (Artigo enviado por Mário Assis)

29 thoughts on “Para o jurista Thomaz Bastos, o mesmo destino de Cícero

    • O MAV julio, que agora aparece com este nome, mas bem pode ter mais uma dúzia, mas não difere dos outros pela sua falta de conhecimento e entendimento. Pessoas, como ele, que certamente têm uma formação acadêmica irrepreensível pois certamente estudou em uma das muitas escolas que formam analfabetos funcionais. A postagem do juliomostra claramente a desordem mental daqueles que foram abduzidos pela lavagem cerebral pestista. Se ao menos o “pouca atividade mental” para não dizer idiota tivesse lido e entendido o texto teria tido a possibilidade de avaliar claramente a idéia. Mas não, ler cansa. Principalment os analfabetos funcionais cansam rapidamente quando têm que ler nem que seja o título da matéria. Então, julio o autor do texto, não defende nem gregos e nem troianos porque o finado, que se foi, defendia qualquer um desde que pagasse bem. Na próxima, aproveita para aprender um pouco pois os analfabetos funcionais muito em breve serão extintos assim como os dinossauros o foram um dia.

  1. Formidável artigo do professor Sergio Colle.

    Com raríssimo talento e habilidade com as palavras,conseguiu desconstruir o mito do
    advogado e jurista Thomas Bastos (agora reduzido a cinzas).

    PS:Que o editor do blog,Carlos Newton,mantenha o autor deste artigo como articulista eventual do blog.

    • só para quem crê:

      JÁ prestou suas contas, e SEM delação premiada, SEM filigranas jurídicas.

      o que amealhou por este mundo fugaz deixou para alguns astutos, que agora riem às bandeiras despregadas…

  2. Brilhante mesmo.
    Em um mundo de “kardashians”, quanto mais “nulo” mais “brilhoso”!
    Eu não entendo essa defesa intransigente da “democracia” (feita com mais ardor justamente pelos mais “interessados no poder”)… até hoje só produziu desatinos… veja o exemplo do “barba”: depois que foi presidente desta república de bananas (e das bananas), todo “zé aruela”, ou di-uma (agora di-duas), acha que pode ser presidente… vá entender!

  3. O senhor Colle, marcou de verde (bíle) o Blog da Internet. Espancou bilioso, o cadáver do falecido Thomas Bastos. Precavenha-se a família de Thomas Bastos pois seu cadáver não está escapo de ser desenterrado pelo senhor Colle para vilipendiando-lhe cortar-lhe às mãos para pregá-las quiçá na porta do STF. Foi tão longe no tempo e no espaço o senhor Colle espargindo bílis para tripudiar sobre Cícero. “Vitória retumbante!”. Usou ainda eu sua catilinária o vocábulo “populista”. Talvez não saiba o luminoso senhor Colle que “populista” é um neologismo genérico que foi usado pelos intelectuais da UDN em 1951 para substitui a palavra “demagogo” e espicaçar Getúlio. Populismo era uma corrente política que existiu na Rússia nos idos de 1917 de diminuta importância nos acontecimentos. Resumindo: Populismo é um neologismo genérico usado pela elite para mascarar seus preconceitos e discriminações; que foi vulgarizado pela sociologia.

  4. O autor do artigo,não é cientista político,sociólogo ou filósofo (apesar da cultura e intelectualidade para tal),mas engenheiro e titular da Academia Nacional de Engenharia (ANE).

    Sergio Colle poderia estar aposentado há mais de 20 anos (diferente do mito Joaquim Barbosa,por exemplo),prefere continuar na ativa,coordenando o laboratório de Engenharia de Processos de Conversão e Tecnologia de Energia da UFSC.

    No site http://www.floripatotal.com.br do jornal Floripa Total tem outros 3 artigos excelentes de Colle:

    1-A conspiração de esquerda
    2-Democracia e Liberdade
    3-A universidade de esquerda perdida.

  5. Tripudiar sobre cadáver é muito fácil. Já fui professor de filhos de gente de bem e de filhos de marginais confessos. Há médicos que salvam as vidas de autores de assassinatos terríveis e que também salvam as de muitas pessoas boníssimas. O necessitado em caso extremo não questiona a origem da ajuda financeira que lhe chega às mãos.
    Profissional é profissional. Se criminosos não devem ser defendidos, lutemos para que se mude a lei. Mas atacar quem o faz, principalmente depois de morto, é covardia.
    Quanto a perder as mãos tal como Cicero, ninguém está livre de acidentes em que a perda de membros ocorre. Não é de bom agouro expressar certos tipos de desejos.
    Em tempo: não fui, não sou e jamais seria advogado.

    • Carlos
      Ainda bem que você já foi professor, pois além de não compreender o artigo do Colle, parece que não viveu os acontecimentos recentes do seu país, o que o desqualifica para ensinar e debater os fatos abordados no presente texto.

  6. Caro Jornalista,

    Aprendi que uma árvore não pode dar goiaba em um galho e jaca em outro. E que não se pode servir a Deus e a Baal. Ou você é um HOMEM HONESTO e que se envergonha de fazer o que não está de acordo com a sua criação e educação, ou é um HOMEM DESONESTO e dança conforme a música ou o valor do PROGRAMA, sem perder tempo com “dores na consciência” ou questionamentos de foro íntimo. Vergonha é para quem tem.

    Além disso, é muito mais fácil um HOMEM DESONESTO fingir-se de honesto durante parte do dia com a mesma naturalidade com que se toma o copo d’água e estampar do rosto um SORRISO CÍNICO, do que um HOMEM HONESTO fingir-se de crápula em público sem sentir vergonha e “corar as faces”.

    -OU VOCÊ É UMA COISA OU VOCÊ É OUTRA!

    Por isso, acho fácil definir o CARÁTER do nosso ex-ministro que, no Ministério da Justiça da República Federativa do Brasil, não agiu como ministro de todos os brasileiros, mas apenas como REPRESENTANTE E ADVOGADO DE BANDIDO, quando usou o ser cargo para ir na contramão da vontade do povo brasileiro. Tratou de amaciar os caminhos dos seus futuros clientes, ao defender progressão de pena para todos, fim dos crimes hediondos, penas alternativas para todos, proibição do uso de algemas, prisões domiciliares e “reinserção social” aos bandidos de todas as classes sociais, justamente quando o país passava (e ainda passa) por um dos piores momentos no que diz respeito à impunidade e à descrença nas instituições.
    Quando questionado, dizia que o povo estava “agindo sob forte emoção”, e por isso não poderia fazer nada, pois havia o risco de “decisões precipitadas”. Após o término da “forte emoção”, a excelência fingia-se de mouco e tocava a remar o barco dos seus clientes, DISSIMULADAMENTE, no rumo da impunidade.

    Com certeza o nosso MINISTRO DA JUSTIÇA, ao sair desta para o NADA, deixou o Brasil mais desigual, mas desumano e MENOS JUSTO.

    -Para o planeta, para os cidadãos trabalhadores de todas as classes sociais, para quem tem vergonha na cara e para as família honestas que pagaram os seus honorários FARÁ MENOS FALTA DO QUE O MEXICANO ROBERTO BOLAÑOS, O ETERNO CHAVES.

    Abraços.

  7. Excelente texto do Prof. Sergio Colle. Aos que “elogiam” o defensor da escória brasileira sugiro que atentem ao que disse o maior jurista desse país – Sobral Pinto: “O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar. Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”.
    A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.

    • Caro Walmor,

      A divulgação das convicções morais e profissionais do saudoso Sobral Pinto,neste oceano de oportunismos e canalhices sem fim do Brasil,revela que nem todos conjugam a máxima
      de que “os fins justificam os meios”.

      PS: As frases de Sobral Pinto valem por um artigo.

  8. Parabéns ao colega engenheiro pelas razões expostas. De quebra, desconstruiu o mito Oscar Niemeyer, despropositadamente endeusado, servil a capitalistas de peso, mas com um rótulo de comunista vermelho. Difícil servir a dois senhores.

    Aliás, é o que fez o Thomaz Bastos. Tendo servido a bandidos, não se pode dizer que serviu à Ética. Se conseguiu vitórias nos julgamentos do STF, a justificá-las sempre se encontrarão razões apoiadas no tráfico de influência do que restou de um poderoso ministro da justiça de um governo cleptocrático, como esse que continua.

    Um homem de bem não discorda do que disseste. Como bacharel em direito e operador jurídico em tribunais administrativos, tenho o privilégio de não ser obrigado a defender os interesses do Erário nem do cidadão contribuinte. Minhas funções limitam-se a defender a verdade. É muito mais cômodo. Esse costume é que me obriga a elogiar a lucidez e a coragem do colega Colle. Parabéns, mais uma vez.

  9. Esse Prof. Sergio Colle eh um genio… conseguiu verbalizar com inteligencia e clarividencia, os meus sentimentos!!!! Parabens, mestre…. nao te conheco, nunca te vi, mas eu te amo!!!! O pseudo-jurista, traidor da Patria, com certeza ja esta la no inferno, aporrinhando o diabo!!!

  10. Faço as palavras deste texto as minhas. Este advogado, aliás não caberia outra profissão, em nome do maldito dinheiro defendia sem pestanejar quem quer que fosse, de políticos corruptos a pedófilos, o dinheiro sempre esteve em primeiro lugar em sua vida sempre! Como ministro fez manobras políticas e mesmo fora do ministério deixou seus seguidores e puxa sacos, até hoje sua influência negativa é como uma sombra nebulosa que fica pairando sobre o CADE Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência. Com sua influencia maléfica ele conseguiu evitar que a Carbocloro hoje Unipar Carbocloro tivesse seus documentos apreendidos em uma legitima busca e apreensão em 2009 na sede da empresa pela policia federal fosse devidamente confiscado, pois em um mandado de segurança suspeito conseguiu que fosse devolvido a esta empresa, e mesmo que esta liminar pudesse ser cassada os promotores deste caso “perderam prazos” incrível não? E a empresa de Frank Unipar Carbocloro disse que nada tinha a ver com este cartel, agora em 2016 surge a mesma empresa na operação lava jato e este senhor respeitoso senhor Frank faz uma delação premiada. Oras quem acredita em papai noel? Vocês acham que a Carbocloro então não era e é a empresa que preside este cartel do cloro, alguém tem duvida? O que o Cade esta esperando para condenar esta empresa, ou o fantasma do Doutor Marcio Thomaz Bastos ainda ronda os ministérios de Brasília e as casas dos seus funcionários ? Será que o Cade ira nos dar mais este diploma de burros?

  11. Verdadeiramente o Cade nos deu um diploma de burro. na nota tecnica 120 do final de ano os técnicos do Cade sugeriu penalizar apenas a Unipar Carbocloro e a Canexus por formação de Cartel.
    Infelizmente não adianta denunciar neste Brasil nada, pois essas empresas fizeram generosas doações em campanhas eleitorais e o sistema não deixa punir os executivos e as outras empresas mesmo que duas delas estejam na deleção da lava jato confessando seus crimes.
    È esta a decisão do Cade um órgão politico tão somente um julgador sem imparcialidade e impessoalidade.

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