Para onde vai aquela turma que na eleição de 2018 proclamava “eu votei no Paulo Guedes”?

Obsessão de Paulo Guedes é desonerar as empresas e onerar os assalariados -  Flávio Chaves

Charge do Nani (nanihumor.com)

Bruno Boghossian
Folha

A turma que dizia “eu votei no Paulo Guedes” e tentava camuflar o apoio a Jair Bolsonaro em 2018 parece ter entrado numa fria. Depois que o ministro aceitou profanar um dos principais dogmas da cartilha ultraliberal, alguns investidores, empresários e simpatizantes terão que decidir até que ponto aceitam carregar o caixão em que essa agenda repousa.

Bolsonaro e o núcleo político do governo instalaram uma chaminé no teto de gastos. A ideia é escapar da regra que limita o aumento de despesas e ampliar o Bolsa Família até o fim do mandato.

MUDOU DE IDEIA – Guedes repetia que desrespeitar o mecanismo seria irresponsável e ameaçou ir para casa se o governo recorresse a estripulias. Agora, ele endossa a confusão.

Gente endinheirada e uma parcela do eleitorado celebravam Guedes como uma âncora que estabilizaria o governo Bolsonaro. O economista neutralizaria um capitão que fez carreira em defesa do intervencionismo, defende a ditadura militar e governa a favor do morticínio.

O ministro implantou sua agenda, mas acabou anulado. Ele se tornou uma peça supérflua desde que Bolsonaro se agarrou ao centrão. Se o presidente realizar a façanha de despejar gastos, recuperar popularidade e conseguir mais um mandato, o cenário estará consolidado. O Congresso dará as cartas e Guedes ficará fora da Esplanada dos Ministérios.

TERCEIRA VIA – O rompimento inevitável deveria embaraçar uma parte dos defensores da plataforma econômica liberal. Com a exceção de devotos que erguem estátuas do economista na Faria Lima, quem controla o dinheiro agora trabalha para fabricar um candidato da chamada terceira via que possa herdar essa bandeira.

Há sinais, no entanto, de que muitos desse grupo estão dispostos a repetir a dose. O presidente ainda é o candidato favorito dos mais ricos (42% dos votos no primeiro turno), enquanto os nomes da centro-direita não têm votos de ricos nem de pobres.

Num segundo turno contra Lula, os tais eleitores de Guedes deverão ter a oportunidade de, finalmente, votar em Bolsonaro.

6 thoughts on “Para onde vai aquela turma que na eleição de 2018 proclamava “eu votei no Paulo Guedes”?

  1. As elites da Faria Lima, os endinheirados brasileiros, que preferem investir nos paraisos Fiscais, como o Guedes investiu nas Ilhas Virgens Britânicas, o rico dinheirinho dos lucros que exploram do povo brasileiro, escravizando a classe trabalhadora, continuarão a apostar no Bolsonaro e no Guedes, porque o Presidente fala muito bem a linguagem dessa turma da classe A, agarrada a ferro e fogo unicamente aos seus interesses, pouco se lixando para o Brasil e os brasileiros.
    Trata-se de um tiro no pé, por que com o acelerado empobrecimento do povo, quem vai poder comprar seus produtos no Supermercado ou no Shopping, uma das máximas do capitalismo?
    Destruir o dogma do Capitalismo, a formação da riqueza de qualquer país, assentada na compra e venda equivale a destruição da sociedade e o caminho aberto para a dissolução da nacionalidade da união nacional, tão cara a nós, que já sufocamos os movimentos separatistas no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
    Estão brincando com fogo, as nossas estúpidas elites.

  2. Os pobres votaram na extrema direita em 2018, enganados pelas dezenas de milhares de fakenews, nos vídeos com mensagens de que Bolsonaro iria acabar com a corrupção ( trouxe Moro para o ministério) depois demitiu o juiz, destruiu a Lava Jato ao nomear o crítico da operação, Aras para a PGR e que levaria a classe operária para o paraíso. Só deslavadas mentiras.
    Em três anos, o povo está passando fome, atrás de osso e restos de supermercado, desemprego alto e destruição da Saúde e da Educação, nesta área importante para o país, só nomeou quem não entende nada de Educação, que está um desastre total, agora um pastor com experiência de Igreja está destruindo tudo que foi construído na era FHC. Cadê a meritocracia? Mais uma fake news, não há mérito nenhum é cargo para o setor evangélico, da bala e do Centrão.

  3. Os ricos continuam com Bolsonaro, que governa para essa classe, que nunca sonegou tanto, com a Receita Federal deitada inerte diante do trator Guedes. É uma flexibilização nunca antes vista neste país. Desastre na arrecadação.
    Quem vai se arriscar a multar e ter o destino dos fiscais do Ibama na era Ricardo Sales.
    Que fase o país vive. Medievo é aqui.

  4. Querem fazer um capitalismo sem renda para os trabalhadores. Toda reforma foi para retirar renda dos que menos ganham.
    Entendo que esses liberais no Brasil, com raras exceções, são um bando de idiotas.

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