Para se livrar das gravíssimas denúncias, o ministro do Esporte teve uma idéia genial, que aprendeu com Erenice Guerra: criou um grupo de trabalho.

Carlos Newton

Emparedado pelas gravíssimas acusações de favorecimento a falsas ONGs de correligionários do PCdoB no programa Segundo Tempo, cujo objetivo é aumentar o acesso de crianças carentes às práticas esportivas, o ministro do Esporte, Orlando Silva, apresentou uma solução genial e muito criativa: um grupo de trabalho. Como se sabe, aqui no Brasil, sempre que não se quer resolver um problema, cria-se logo um grupo de trabalho.

“Constituímos um grupo no ministério para apurar todas as denúncias que foram feitas, de modo que possamos ter a máxima transparência na resposta à sociedade. A ninguém interessa mais que fique claro para a sociedade que os recursos do programa são bem utilizados do que ao Ministério do Esporte”, afirmou Orlando Silva.

Coitado, ele parece ser como seu antigo chefe, o presidente Lula da Silva, que “não sabia de nada”. O pior é que Orlando Silva ainda tenta usar o chefe da Casa Civil como escudo, ao revelar que conversou segunda-feira com o ministro Antonio Palocci sobre o assunto. “Ele ficou impressionado com o fato das respostas que nós oferecemos para ele não terem sido veiculadas nas matérias [publicadas na imprensa]”, alegou Orlando Silva.

Como Palocci reagirá a isso? Será que realmente ficou solidário ao ministro relapso? Afinal, as reportagens contra o Ministério do Esporte estão repletas de fotos, entrevistas e números, que são irrespondíveis. Mesmo assim, será que o ainda ministro conseguiu convencer Palocci de que não houve favorecimento ao PCdoB? É possível, mas altamente improvável. 

Enquanto a presidente Dilma, estranhamente, ainda mantém Orlando Silva no palco do esporte, o Tribunal de Contas da União anuncia que vai fazer um monitoramento do Segundo Tempo. Há vários processos no TCU que apontam para irregularidades no programa: em licitações, na execução dos convênios com prefeituras e no repasse de contrapartidas.

Quanto ao grupo de trabalho criado por Orlando Silva, parece ser semelhante ao que no ano passado foi constituído na Casa Civil para investigar as estripulias da ministra Erenice Guerra, seu marido, seu filho e o resto da patota. A comissão não descobriu nada. Que país é esse, Francelino Pereira? Só Renato Russo saberia responder, porém o líder da Legião Urbana não está mais aqui.

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