Para se reeleger, Bolsonaro quer travar aumentos da Petrobras até as eleições de outubro

Charge do Cacinho

Pedro do Coutto

A questão dos preços da gasolina, do diesel e do gás faz parte de um panorama bastante amplo que coloca posições divergentes no próprio governo: o presidente Jair Bolsonaro quer travar os reajustes pelo menos até as urnas de outubro.

Tal posicionamento choca-se com o pensamento do ministro Paulo Guedes, autor da indicação de Caio Paes de Andrade para a Presidência da estatal, que inclusive pode se deslocar para a esfera judicial ou para um conflito administrativo no Conselho da própria Petrobras.

NOVA INVESTIDA  – Reportagem de Fábio Pupo, Folha de S. Paulo desta quarta-feira, revela a nova investida de Bolsonaro para travar aumentos da gasolina e do diesel na reta final das eleições para a Presidência da República. Ele determinou estudos para que seja encontrada uma fórmula que estabeleça um intervalo maior sobre os reajustes de preços até que o eleitorado decida sobre a sucessão presidencial.

A disposição de intervir no mercado de combustíveis confronta-se com o pensamento de Guedes, que sucessivamente condenou a política de intervenção estatal neste mercado. Por uma coincidência do destino, Caio Paes de Andrade é da equipe de Paulo Guedes na Economia. Foi indicado pelo ministro para dirigir a empresa e a indicação causou um duplo reflexo negativo. Primeiro, a divergência entre liberar os preços ou travá-los como deseja Bolsonaro.

A segunda contradição é que setores da Petrobras ameaçam ir à Justiça contra a indicação porque Paes de Andrade não reúne os requisitos fundamentais para presidir a Petrobras. Ele não tem prática com o universo do petróleo e isso está sendo apresentado contra a sua indicação.

VANTAGEM DE LULA –  O Ipec divulgou no final da tarde de terça-feira e O Globo publicou em sua edição de ontem, reportagem de Bernardo Mello, destacando que no estado do Rio de Janeiro, em matéria de intenção de voto, Lula mantém a vantagem de 15 pontos sobre Bolsonaro. Dois dias antes, o Instituto Quaest havia publicado que no Rio havia um empate entre ambos na escala de 35%.

Evidentemente a pesquisa do Instituto Quaest estava e está errada, o que prejudica os que costumam escrever sobre o assunto, pois num dia são levados a fazer análises sobre números que não são reais.

O Ipec revela também que sua pesquisa foi encomendada pela Rio Indústria e se estendeu ao universo dos evangélicos. Entre esses, aí sim, Bolsonaro leva vantagem. Ele tem 46% contra 29% para Lula. Um aspecto bastante sensível destacado pelo Ipec é que do eleitorado pesquisado, a presença dos que se disseram evangélicos é de um terço. Acho uma base muito ampla.

POSIÇÃO NAS PESQUISAS  – Joelmir Tavares, Folha de S. Paulo de ontem, publicou extensa reportagem sobre os bastidores do MDB que, de fato, aceitam Simone Tebet como candidata da legenda, através da terceira via. Mas condiciona o apoio a que ela melhore sua posição nas pesquisas do Datafolha ou do Ipec. Nos últimos levantamentos ela aparece com 1% dos votos.

Ela pode crescer, mas a terceira via depende da convenção do PSDB e do Cidadania. Verifica-se assim a importância que ganharam as pesquisas eleitorais no país. Antigamente muitos não acreditavam nelas. Sempre acreditei no Ibope e continuo acreditando no Ipec e no Datafolha.

ROBÔS E PERFIS FALSOS  –  Foi excelente o editorial da Folha de S. Paulo de terça-feira sobre a existência em larga escala de perfis falsos em plataformas da internet superestimando manifestações de seguidores, compartilhamentos e comentários que são produzidos por robôs. Esses perfis falsos têm como objetivo influir comercialmente para a adesão de propaganda de empresas ou de mensagens daqueles conhecidos como influenciadores.

A Folha de S. Paulo cita como exemplos o que acontece no TikTok, no Facebook e no Instagram, acrescenta que os perfis não autênticos e são controlados por pessoas que atraídas pelas promessas de ganhos extras, chegam a gerir até 500 contas diferentes. Um verdadeiro absurdo. A FSP conclui que se trata de uma prática que tem como objetivo percepções falsas do mercado de informação.

11 thoughts on “Para se reeleger, Bolsonaro quer travar aumentos da Petrobras até as eleições de outubro

  1. Liberdade de Imprensa?
    Democracia?

    Folha de São Paulo retira matéria de sua Capa rapidamente para não melindrar o governo

    De “Insegurança alimentar sobre no Brasil em 7 anos” foi substituída pela notícia da limitação do ICMS, que se trata de medida que visa tirar o governo do alvo sobre a questão dos preços de combustíveis, energia…

    • Mal foi condenado pelo TCU a devolver 2 milhões recebidos em diárias indevidas… agora ainda terá que reparar os prejuízos causados com sua atuação kkk

  2. O ministro Paulo Guedes, diz em Davos, que os que criticam o teto do aumento do ICMS no valor de 17% ou é despreparado, ingrato ou militante. Essas reações são típicas de pessoas autoritárias, que não suportam críticas.
    O ministro, quando fala, não pensa. Os três adjetivos, destinados aos governadores, cabem como uma luva no figurino dele. Acrescentaria o de mentiroso. Guedes mente que é uma beleza. A redução do ICMS não terá o condão de reduzir o preço dos combustíveis na bomba, no Posto.
    Uma “autoridade”, que chamou o funcionalismo público de parasita, empregadas domésticas não deveriam viajar para a Disney e que filho de porteiro não podia frequentar Universidade com financiamento público, como poderíamos chamar esse homem insensível e insensato.
    Quanto ao adjetivo ” despreparo” é ele mesmo. Está aí, há três anos e meio e não consegue segurar a inflação, reduzir os índices de desemprego, manter os juros abaixo dos dois dígitos e conter a alta dos juros. Exatamente como o presidente Bolsonaro, Guedes coloca a culpa sempre nos outros, irá é a Pandemia, ora é a guerra da Ucrânia, só falta botar a culpa no Flamengo e na briga do técnico com alguns craques, qualquer motivo serve, para ele ficar impune.
    Além do mais, esse despreparado, tem um lado positivo, quel é? Sabe cuidar muito bem dos seus investimentos, nos paraisos fiscais das Ilhas Britânicas Virgens, para fugir dos impostos sobre a renda, aqui no Brasil.
    Guedes também é um mestre, na Arte de permanecer como Ministro, mesmo sem entregar nada ao presidente em termos de melhora dos índices econômicos. Tenho um palpite: Guedes nunca contraria as ordens de Bolsonaro e vai mais além da frase histórica do general Pazuelo, que disse no hospital com o presidente ao lado, ” um manda e o outro obedece, simples assim”. Guedes obedece, antes do presidente mandar, pois intui maravilhosamente os desejos presidenciais. Está aí, o seu segredo da longevidade no cargo.

    • Caro Roberto,
      Favor incluir na lista de adjetivos ao nosso superministro, Hipócrita.
      O sujeito estuda numa escola publica, se forma numa federal, faz mestrado e doutorado com bolsa do governo, e agora quer diminuir o Estado pra que a população não possa desfrutar dos benefícios dos quais ele gozou prazerosamente.
      Enfim, a hipocrisia.

  3. Desde de 2018 que a Folha vem com essa lorota de “robôs” e bla, bla, bla…. quase 4 anos depois e não se provou nada. Teve ate CPI! Na realidade durante esse tempo quem foi condenado por manipulação da internet foi o Haddad! De quem a Folha nunca viu nadinha….

  4. Já houve a campanha “O Petróleo é Nosso”; agora, e muito mais importante, temos que ter a campanha “Os equipamentos da linha Òleo e Gás, tem que ser feitos no Brasil”.
    Aí sim, teríamos nossa independência.

  5. Bolsodilma!
    Nem inovar na corrupção, o Minto sabe!
    Tentando fazer o que Dilma fez!
    O que Bolsonaro e Dilma tem de mais igual? A ignorância e dependência dos seguidores!
    Assim, como os petralhas acreditaram nela e ajudaram a afundar o país, agora os mintorianos farão o mesmo com seu Deus.
    A diferença está em que, os mintorianos, correm com as duas possibilidades: reeleger o estelionato eleitoral ou trazer Lulla de volta!

    Fallaverna

    • Para travar efetivamente só distribuindo pelos frentistas e como brinde, sacolas de caquis verdes contendo o logotipo do posto..

  6. O que está em andamento é um processo para viabilizar a Petrobrás à privatização total.
    Com um lucro de R$ 106 bilhões e distribuição de R$ 100 bilhões para os acionistas as custa do suado dinheiro do povo e a inflação corroendo os salários. O importante é apresentar a Petrobrás como empresa altamente lucrativa para atrair os compradores.
    Diferentemente de Lula , Ciro Gomes tem credibilidade e tem projeto para fazer a Petrobrás alavancar o progresso, como sempre foi no passado antes de Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro

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