Para ser reeleito na Fifa, Blatter põe a culpa nos mordomos e tenta inocentar também Ricardo Teixeira.

Carlos Newton

Interessante a matéria de O Globo hoje, inocentando Ricardo Teixeira de acusações que pesam contra ele na Europa. O atestado de bons antecedentes está sendo passado pelo secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke. “Teixeira está limpo, tenho satisfação de anunciar isso. Um membro da Football Association (Inglaterra) nos afirmou isso, através de documentos esclarecendo que Teixeira não pediu qualquer coisa para votar na Inglaterra na escolha da Copa do Mundo de 2018”, afirmou, acrescentando que não haverá investigação contra o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira.

Ao mesmo tempo, na reunião do Comitê de Ética da Fifa, outros dois dirigentes passaram a ser acusados: Mohammed bin Hammam, do Qatar, e Jack Warner, de Trinidad e Tobago, presidentes da Confederação Asiática de Futebol e da Concacaf, respectivamente. Eles foram suspensos por tempo indeterminado, por acusações de corrupção no processo eleitoral da Fifa. Outros dois membros do órgão sofreram punição igual, pelo mesmo motivo. Seus nomes ainda não foram divulgados, mas ambos pertencem à União de Futebol do Caribe, ligada à Concacaf.

É como se o presidente da Fifa, Joseph Blatter, estivesse botando a culpa nos mordomos, no desespero de ser novamente reeleito. E está muito enganado quem pensa que as declarações do secretário-geral da Fifa serviram de alvejante para limpar a fralda de Teixeira. Muitas outras acusações pesam sobre ele, que admitiu na Justiça suíça ter havido pagamentos de propinas na FIFA, reconhecendo que fez acordo para barrar a publicação dessas informações pelo tribunal da cidade de Zug, na Suíça, no caso da ISL.

Entre 1989 e 1999, a empresa de marketing ISL foi responsável pela venda dos direitos de TV das Copas, maior fonte de renda da FIFA. No início da década, a ISL quebrou e quase levou consigo a Fifa. Um processo foi aberto e se constatou no ano passado que o pagamento de propinas ocorreu dentro da entidade e que a ISL servia como empresa laranja para impedir que o pagamento da corrupção fosse revelado.

Apesar da comprovação das propinas, os bastidores do processo, depoimentos e culpados foram mantidos em sigilo. Isso porque as partes envolvidas chegaram a um acordo e uma multa de US$ 5,5 milhões (aproximadamente R$ 8,9 milhões) foi paga como punição. Pela lei suíça, quando há um acordo, os detalhes do processo são mantidos em sigilo.

Joseph Blatter, presidente em exercício, concorre a mais um mandato e tenta jogar outros dirigentes no caldeirão, para escapar incólume. Mas precisa também limpar Teixeira, que faz parte da gang. O presidente da CBF foi citado há duas semanas em CPI no Reino Unido por ter pedido favores em troca de votos à Inglaterra para ser sede da Copa de 2018. Questionado, Blatter declarou ao jornal suíço NZZ que as acusações que pesam sobre Teixeira não são crimes diante da lei suíça, mostrando que o presidente da CBF continua inatingível.

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