Para ser uma grande nação, é preciso ter grandes empresas

Mauro Santayana

É necessário lembrar que não existem grandes nações, capitalistas ou não, que tenham chegado a essa condição sem grandes empresas, sejam elas privadas ou estatais. Mesmo as multinacionais globais, com sua propriedade teoricamente diluída em bolsas distribuídas em vários países do mundo, e dezenas de milhares de acionistas, têm pátria, e quem não acreditar nisso, ou é ingênuo, ou mal informado.

Aqueles que estão preocupados com a corrupção – que países como a Grã Bretanha, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, a Coréia do Sul, a Rússia, e, agora, a China, nunca conseguiram domar nem eliminar, desde que se entendem por gente – precisam se recordar que, mais importante do que o combate a ela – que deve ser uma atitude permanente como escovar os dentes, e não servir de instrumento para a chegada ao poder de fascistas e espertalhões –  é ter um projeto de Nação, e que não existe projeto desse tipo que seja factível sem grandes empresas  nacionais, principalmente nas áreas de infraestrutura, defesa e alta tecnologia.

CAMPEÕES NACIONAIS – A política de “campeões nacionais” tão execrada hoje em dia, como se fosse um crime ou um folclórico hábito “bolivariano”, continua em voga nos países mais poderosos do mundo, como se pode ver pelos empréstimos e a compra de ações promovidos pelos EUA para impedir a quebra de empresas como a General Motors em 2008; ou o apoio do governo norueguês à Statoil, uma empresa 100% estatal, que está avançando no Brasil, com a benção e a comemoração dos mesmos energúmenos que defendem o esquartejamento e a total privatização da Petrobras.

A grande tragédia da Operação Lava-Jato é que ela está, ao que parece, deliberadamente (não há outra explicação para as multas e bloqueios bilionários que estão sendo propostos para os maiores grupos econômicos nacionais) destruindo as grandes empresas e os programas estratégicos que poderiam fazer parte de nosso projeto de Nação para o Século XXI – vide o caso da Odebrecht, quanto ao submarino nuclear brasileiro, e ao míssil A-Darter em desenvolvimento pela Mectron com a África do Sul, e da própria Estratégia Nacional de Defesa – sem deixar nada em seu lugar, a não ser, em suas consequências, um falso mito, uma situação ainda pior para empresários e trabalhadores, boatos e mentiras, e hipocrisia.

E muita gente boa, incluídos leitores que nos acompanham aqui e alhures, ainda não compreenderam isso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A preocupação de Santayana é procedente. Para ser uma grande nação, realmente é preciso ter grandes empresas. O maior exemplo da força positiva dos campeões nacionais é a Coréia do Sul, que levantou sua economia através de grandes corporações incentivadas pelo governo. No caso do Brasil, porém, o problema não parece ser causado pelas grandes empresas especificamente, mas pelos grandes corruptos, que são verdadeiros recordistas mundiais. (C.N.)

25 thoughts on “Para ser uma grande nação, é preciso ter grandes empresas

  1. Concordo. Porém, para este petralha enrustido, podemos falar que duas grandes empresas públicas (Petrobras e Eletrobras) com a administração dos petitas foram feitas reféns desta quadrilha que assumiu o poder em 2003 e hoje amargam um imenso pesadelo.

  2. O problema é que, aqui no Brasil, a política de “campeãs nacionais”, ao contrário do que aconteceu na Coréia e na Noruega, serviu para mascarar aportes de dinheiro feitos sem um estudo cuidadoso, como no caso dos incentivos às empresas de Eike Batista, e para canalizar recursos para serem roubados pela corrupção.
    O apoio do governo americano à GM em 2008 foi muito mais para evitar a perda maciça de empregos no caso de quebra da empresa e de sua substituição no mercado por fabricantes estrangeiros do que para investir no crescimento da empresa.

  3. Artigo improcedente e contraditório!

    Desde quando um comunista se preocupa com grandes empresas?!

    Santayana confirmou a maneira como classifico o seu texto, quando atacou a Lava-Jato, culpando-a pela destruição de nossos grandes projetos neste sentido!

    No entanto, omite o crime dos petistas nos roubos à Petrobrás e Eletrobras, que as deixaram quase falidas, transferindo a Moro a responsabilidade pela prisão dos empresários ladrões, cúmplices de Lula, petistas e de vários partidos políticos, dentre eles o PMDB, como causa de não termos ainda grandes marcas nacionais!

    Simplesmente uma afronta à minha conhecida e limitada inteligência, quanto mais àquelas consideradas normais e infinitamente melhores que a minha, de poucas luzes!

    Santayana não tem a finesse de Leonardo Boff, mas é tão mal intencionado e rasteiro quanto o ex-frei, e seus textos devem ser lidos com atenção e cuidado, pois o recado é sempre DESTRUIDOR quando envereda contra a Justiça que seus aliados políticos devem enfrentar, os petistas, pelos roubos e prejuízos que ocasionaram à nação brasileira!

    • Concordo com seu ponto de vista. No último artigo do Boff no JB:

      “O persistente bullying sobre o PT e Dilma Rousseff”

      Podemos ver o quanto estes dois são alienados com o que vem aconteceno no Brasil.

  4. Para ser uma grande Nação, é preciso ter grandes Empresas COM MATRIZ NO PAÍS. As únicas que desenvolvem Tecnologia Nacional e Capitalizam 100% de seu Capital aqui dentro. Melhor ainda quando estas Empresas com Matriz no Brasil se tornam Multi-Nacionais, trazendo Lucros de fora para dentro.
    Isso exige grandes EMPRESÁRIOS, que para surgirem em quantidade, exigem um grande POVO, bem alimentado, com Saúde e muito bem EDUCADO em Casa, e INSTRUÍDO principalmente Cientificamente, na ESCOLA, o que exige sábios PAIS & MÃES, e valorizados PROFESSORES(AS).
    Sábios PAIS & MÃES, e valorizados PROFESSORES(AS), sabem que a maior Riqueza de uma Nação são suas CRIANÇAS que devem ser a “menina dos olhos” de qualquer Governo Patriota.
    Assim, se criam as Estruturas, que produzem uma grande NAÇÃO, que tem muitas grandes EMPRESAS COM MATRIZ NO PAÍS.

    • Caro Fálvio, permita-me assinar embaixo. Acertou na mosca: empresas nacionais ganham o dinheiro aqui e seu lucro é investido aqui, ajudando o desenvolvimento do país.

      • Prezado Sr. NÉLIO JACOB,
        Também tenho muita admiração pela sua experiência de vida, e seus Artigos.
        É verdade que num mundo globalizado e inter-dependente não podemos ter só Empresas com Matriz no Brasil, mas puxa, também não podemos “entregar todo o ouro para os Estrangeiros”.
        3/4 de Empresas com Matriz no Brasil , e 1/4 de Multi-nacionais já estava bom. Temos capacidade para isso. Abrs.

      • Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA,
        É verdade, mas temos também no setor Industrial a PETROBRAS SA, a EMBRAER SA, WEG SA, USN- SA Volta Redonda, VALE SA, KLABIN SA, VOTORANTIN SA, etc, e nos Serviços, BB, CEF, Brasdesco, Itaú, etc. Mas ainda é muito pouco, muito pouco. Abrs.

  5. Concordo com o “Para ser uma grande Nação, é preciso ter grandes Empresas”. Corrupção nunca vai acabar! Porém o que o autor deixou claro que a sua filosofia vai ao encontro com a filosofia do Paulo Maluf: “Rouba, mas faz”. “Estupra, mas não mata”! Só que na gestão petralha a roubalheira e corrupção SOMENTE beneficiou o próprio PT e a sua curriola!! Essa historinha de “Fora Temer” é porque a grana desviada da corrupção agora não vai mais para as mãos da cumpanheirada, mal acostumada! Simple assim.

  6. Qual é a grande empresa de Cuba? E da Coréia do Norte? Por acaso o maduro/chavez bloqueou e sufocou a PDVSA? Então por que ela está endividada e atingiu o patamar mínimo de produção de petróleo dos últimos 13 anos em maio passado? Ditadores, estes sim, são a desgraça de qualquer país, cidade, aldeia e até de uma família.

    • É mesmo! E qual é a grande empresa da China, pertencente ao Partido Comunista? Os dois maiores bancos do mundo? A maior companhia telefônica, e a SINOPEC? E a Huawei? E a China Grid, que está comprando os ativos da Eletrobras? E uma série de fábricas de automóveis, muitas que já estão vendendo no Brasil? E a que comprou a Sigenta? E as que estão comprando metade dos EUA, e boa parte da Europa? Todas estatais e “comunistas”? servem?

  7. Só teremos grande empresas competitivas quando o governo parar de atrapalhar.
    A Coréia do Sul é um país liberal, que não atrapalha o empreendedor, não privilegia uns em detrimento dos outros.
    Empresas nacionais fortes só em ambientes de liberdade empreendedora, de igualdade perante as leis, de livre competição, fazendo com que os empreendedores nunca parem de investir, de se reinventar.
    Experimenta abrir um comércio, pequeno que seja, de uma porta, no Brasil. No mínimo 6 meses de burocracia. Como é que vai se ter empresas competitivas deste jeito?
    O resto é choro de comunista/socialista que sempre coloca a culpa nos outros de seus erros.

    • A Coreia do Sul só chegou onde chegou graças a maciça intervenção do governo. Aliás, ela e todos os tigres asiáticos, incluido o Japão. Aconselho o senhor a ler antes de falar besteira.

      Government Interventions and Productivity Growth in Korean ManufacturingIndustries

      http://www.nber.org/papers/w5060

  8. Grandes empresas raramente “morrem”. Quase sempre há interessados no “espólio”, sejam ativos, clientes, perspectivas etc., que as adquirem por preço justo na hora da crise, e que darão andamento à produção e aos projetos.
    Quem “morre” é a administração, a gestão, não raro em razão de práticas contaminadas por atos corruptos.

  9. Empresas não importa o tamanho nem a nacionalidade todas tem o mesmo objetivo que é o lucro e para atingir empregam milhões de trabalhadores.
    Para alcançar o objetivo empregam, produzem, exportam, recolhem encargos, tributos, inclusive 35% sobre o lucro e parte do lucro liquido remetem seja do país para fora ou de fora para o país.
    Repetindo que sobre os salários, encargos, tributos, inclusive os “35%” e todos os demais puxadinhos incide o I C M S .

    • A Esso é a brasileira Raízen e temos a WEG, JBS, Termomecanica, Itau, Bradesco, BRF, Ultrapar, Cielo, Gerdau, Pão de Açucar, CSN, Vale,……..

      • Prezado Sr. DANIEL S. LABELI, Muito O)brigado por nomear mais um tanto de Empresas com Matriz no Brasil. Mas é muito pouco. Praticamente toda a estratégica Indústria Automobilística/Auto-Peças, Telefonia, Remédios, etc, são de Empresas com Matriz no Exterior. Creio que elas detém +- 60% da Economia Nacional. É muito. Temos quefazer um grande esforço para ir comprando-as. Abrs.

  10. Supondo que a teoria das campeãs nacionais seja correta, a incompetência enraizada dos petistas para gerir tal política jamais permitiria que desse certo. Some-se à roubalheira e chegamos aonde chegamos. É de uma cara de pau enorme querer defender o indefensável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *