Para ter apoio, Alckmin aceitou até recriar o imposto sindical obrigatório

Charge do Xavi (Arquivo Google)

Carlos Newton

De uma hora para a outra, o quadro político mudou totalmente, imitando a imagem da nuvem, eternizada pela criatividade do político mineiro Magalhães Pinto. Os partido do Centrão, que dispõem de aproximadamente 40% do horário gratuito, preferiam apoiar Ciro Gomes, tese defendida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal líder do bloco e pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, amigo particular do candidato do PDT. Mas acontece que Ciro Gomes é do tipo autocarburante, que pega fogo sozinho.

Ao chamar de “filha da puta” a promotora que vai processá-lo, ele abriu a guarda, mais uma vez, e fortaleceu os defensores da candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que vive em cima do muro e de bico calado.

PAUTA DE EXIGÊNCIAS – Na reunião mantida nesta quinta-feira com Alckmin, o partidos do Centrão apresentaram uma pauta de reivindicações como condição para fechar uma aliança. Os partidos querem garantias antes de oficializar o apoio ao tucano, que já é dado como certo entre alguns dirigentes das agremiações.

Uma das exigências foi apresentada na reunião pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP) – a criação de um novo modelo de financiamento de sindicatos. Com o fim do imposto sindical, que obrigava os trabalhadores a contribuir com sindicatos, federações e centrais, a fonte secou. Extinguir a contribuição obrigatória foi um dos raros acertos do governo Temer, e agora Alckmin aceitou negociar a sinistra reivindicação, capaz de fazê-lo perder votos ao invés de ganhar.

CIRO À ESQUERDA – A escolha feita pelo Centrão fez Ciro Gomes virar imediatamente à esquerda. Vai aumentar a pressão sobre o PCdoB e o PSB, tentando isolar o candidato do PT, que deverá ser Fernando Haddad. O primeiro passou foi defender a libertação do ex-presidente Lula da Silva, preso desde abril, e criticar o Poder Judiciário e o Ministério Público.

“O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso”, disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

E a eleição fica ainda mais dividida entre os principais candidatos – com Jair Bolsonaro, na extrema-esquerda; Ciro Gomes e Fernando Haddad, na esquerda; e Marina Silva, Geraldo Alcmin e Alvaro Dias, no centro.

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P. S. –
A divisão dos votos será impressionante e já não dá mais para saber quem deve ir para o segundo turno. (C.N.)  

12 thoughts on “Para ter apoio, Alckmin aceitou até recriar o imposto sindical obrigatório

  1. Concordo com seu P.S. Sr Newton.

    Com esta excrecência toda, já da para acreditar naqueles que acreditam no Bolsonaro direto no primeiro turno.

    A esquerda esta jogando as eleições no colo do “ôme” !

  2. De fato o Brasil é um país sui generis, parte do seu povo idolatra um governo porque deu condições ao pobre de comprar, viajar, ter seu veículo, ainda que hoje tenhamos em torno de 70 milhões de inadimplentes, esse tão decantado governo gastou R$ 70 Bilhões com copa do mundo e olímpiada para mostrar ao planeta o seu crescimento, afirma que o Brasil teve crescimento do PIB, que foi quitada a dívida externa, possui 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, no entanto, eu me pergunto, então qual é a razão da previdência social estar quebrada, a saúde pública estar sucateada, e criança com 9 anos ainda não saber ler o que dirá escrever, induvidosamente chegamos a uma patamar absurdo de insegurança e o que é pior temos uma divida interna equivalente a aproximadamente 75% do PIB.

  3. Apesar de seu preparo, Ciro Gomes, infelizmente jogou mais uma vez a possibilidade de chegar a ser Presidente, no mato( como se diz por aqui).

    O Geraldo Narigão tem,agora, amplas possibilidade de ir para o segundo turno já que vai ter um tempo de programa eleitoral na TV muito grande.

    O Ciro defendendo o lula tentando atrair votos do PT, perdeu o caminha da seriedade.Lamentavelmente!

    Abraços.

    • Caro César;

      É verdade que Ciro parecia ser o mais preparado, apesar dos pesares, e ter as melhores propostas, embora um tanto confusas, mas devido ao seu temperamento seria preciso que ele fosse outro Ciro. E o que estamos vendo é o velho Ciro Gomes sendo, nada mais nada menos do que ele mesmo. Já desperdiçou outras oportunidades de se colocar como um candidato capaz de atender as expectativas do povo brasileiro.

  4. Se o tucano Alckmin for para o segundo turno, não deve esquecer de andar sempre com o FHC a tiracolo, sera a receita para o Bolsonaro vencer.
    Agora se Ciro Gomes enfraquecer muito, só haverá primeiro turno, com o “capitão” levando a fatura de barbada.
    Estas pesquisas divulgadas até cansar, com insistência abusivas pela globo, sempre lembrando lula como primeiro colocado, não sei onde são feitas, haja visto que pelas ruas, só se encontra eleitores do Bolsonaro.
    O povo esta cansado dos políticos, sonham com um regime militar e como os militares se negam a intervir, então um militar da reserva, quebra o galho.
    Este ano, vai mudar e muito, os que declaram votar em branco e nulo, deverão descarregar seus votos em candidatos novos ou em políticos comprometidos com a renovação.

    • “os que declararam votar em branco e nulo deverão descarregar seus votos em candidatos novos”…

      É o que eu tenho dito, caro Janjão, e torço por isso. E incluamos aí os indecisos também, eu mesmo me filio a essa turma, por enquanto.

  5. CN, você cometeu dois equívocos. Colocou Bolsonaro na extrema-esquerda, quando na verdade queria dizer extrema direita. O outro equívoco é considerar Bolsonaro extrema-direita e não considerar o PT-haddad extrema esquerda. Afinal eles apoiam a ditadura da Nicarágua que até o Mojica repudia.

  6. Bom Dia Carlos Newton,

    Nesse momento todos os artigos giram em torno dos políticos e de suas coligações. Realmente como você disse é imprevisível quem irá para o segundo turno.

    Mas uma pesquisa divulgada ontem pelo Ipsos-Estadão mostra uma realidade preocupante para qualquer futuro governante.

    É gritante a rejeição a todos os candidatos >>> http://www.tijolaco.com.br/blog/lula-segue-lider-e-passa-ate-o-querido-moro-na-ipsos-estadao/.

    Sabendo-se que esses números não vão mudar antes, durante e depois do pleito, inclusive poderão se agravar depois de divulgado o resultado com a reação dos derrotados, como poderá governar o eleito, independentemente de sua base política, se a média de rejeição está acima de 50% para todos e alguns chegam a 70%?

    Uma coisa é o Governo Temer que está em final de mandato e não precisa se preocupar com popularidade.

    Outra, bem diferente, é um governo eleito que terá um mandato inteiro pela frente e a popularidade é um fator que influenciará no Congresso para votação de medidas, que em muitos casos, são necessárias e impopulares.

    Pense num artigo sobre esse assunto.

    Desejo-lhe um excelente fim de semana.

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