Parlamentares e governantes somem, e Brasília se purifica para o carnaval

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Ivan Valente, do PSOL, é um dos últimos a viajar

Matheus Teixeira
Correio Braziliense

No Senado, o plenário ficou vazio. Já na Câmara, a discussão sobre a presidência das comissões ficou para a semana que vem, se der

Mais de 15 dias após iniciar o ano legislativo, a Câmara dos Deputados ainda não iniciou os trabalhos nas 25 comissões permanentes da Casa. E não vai ser agora, às vésperas do carnaval, que os parlamentares vão esquecer a folia para esquentar a cabeça com a disputa pelas comissões. Parte importante no cotidiano da Casa, esses colegiados são responsáveis por emitir pareceres técnicos sobre a maioria das matérias em tramitação no parlamento e, em alguns casos, podem até dar a palavra final sem a necessidade de votar a matéria no plenário.

Quando é por interesse próprio, porém, os parlamentares arregaçam as mangas. Os deputados até anteciparam o trabalho e começaram a semana mais cedo para não perder nenhum dia de festa. Ontem, teve sessão deliberativa, o que é raro de acontecer: normalmente, os deputados se encontram no plenário apenas entre terça e quinta-feira. Assim, é certo que a sessão marcada para depois de amanhã sequer terá quórum, como ocorreu em outros anos.

DISPUTA PELAS COMISSÕES – Como têm papel fundamental, as comissões são alvo de disputa entre os partidos. Geralmente, a distribuição do comando dos colegiados acontece de acordo com o tamanho de cada bancada. Esta, no entanto, não é uma matemática simples.

A presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais poderosa e cobiçada, por exemplo, deveria ficar com o PMDB. Mas o comando da CCJ está no meio de uma negociação maior: os peemedebistas querem a liderança do governo, hoje com André Moura (PSC-SE), e, caso tenham sucesso na empreitada, topam abrir mão da CCJ para Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

PT deve ficar com comissões de Direitos Humanos e Desenvolvimento Regional.

TUDO PARADO – O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu, nesta segunda-feira, que os colegiados só vão funcionar depois do carnaval. Nos bastidores, os deputados articulam para serem indicados às comissões. Jair Bolsonaro (PSC-RJ) atua para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e, se conseguir, o assunto deve dar grande repercussão. Seria a repetição do que aconteceu em 2013, quando Marco Feliciano (PSC-SP), que também tem posições contrárias às dos movimentos de direitos humanos, esteve à frente da comissão e foi alvo de inúmeros protestos.

Um dos principais aliados do governo, o PSDB deseja emplacar os presidentes de duas comissões: a de Seguridade Social e Família e a de Educação. O PSD, por sua vez, quer ficar sintonizado com o presidente nacional da legenda e ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, e ficar com o colegiado que trata do tema da pasta do PSD na Esplanada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nessa época do ano (e em outras) Brasília lembra o grande Oswaldo Aranha e se transforma num deserto de homens e ideias. Mas é justamente quando a belíssima cidade melhora de nível, porque os moradores provisórios e indesejáveis somem. (C.N.)

17 thoughts on “Parlamentares e governantes somem, e Brasília se purifica para o carnaval

  1. “STF: Sarney não será julgado por Moro (O Antagonista)

    Brasil 21.02.17 19:00

    O Supremo decidiu hoje que José Sarney não poderá ser julgado pelo juiz Sergio Moro, na ação penal baseada na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. A informação é do Globo.

    No entendimento da maioria dos ministros, Sarney já é investigado em um processo que corre no Supremo, com base na mesma delação.”

  2. “Cunha vence uma (O Antagonista)

    Brasil 21.02.17 18:15

    Os advogados de Eduardo Cunha conseguiram estender o prazo para apresentarem a defesa do ex-presidente da Câmara em um dos processos que ele responde no âmbito da Lava Jato. A informação é de Lauro Jardim, do Globo.

    A ação penal em questão é a baseada na delação dos donos da Carioca Engenharia.

    O prazo para a apresentação da defesa de Cunha só começará a contar quando os advogados receberem todos os vídeos dos depoimentos dos delatores. Leia mais aqui e aqui.”

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