Participação de Pazuello em ato pró-Bolsonaro parece afronta ao comando do Exército

Eduardo Pazuello em ato pró-Bolsonaro no Rio de Janeiro: estatudo militar proibe oficiais da ativa de participar de manifestações políticas

Ao lado de Bolsonaro, Pazuello marcou presença

Malu Gaspar
O Globo

A participação do general da ativa e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na manifestação de apoio ao presidente Jair Bolsonaro coloca o comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, diante de uma escolha delicada.

Como oficiais da ativa são proibidos pelo Estatuto dos Militares e pelo Regulamento Disciplinar do Exército de participar de manifestações políticas coletivas, pelo menos em tese o comando do Exército deve puni-lo. Mas, se o fizer, corre o risco de o presidente da República revogar a punição.

ARTIGO 45 – A proibição de que oficiais da ativa participem de manifestações políticas está expressa no artigo 45 do Estatuto Militar e é levada tão a sério que não há registros recentes de punições para oficiais que a tenham desobedecido.

A última vez que algo do gênero aconteceu foi em 2017, quando o general Hamilton Mourão afirmou em uma palestra de uma loja maçônica de Brasília que, se o Judiciário não resolvesse o “problema político do país”, os militares o fariam.

A declaração provocou indignação de vítimas da ditadura e a cobrança, por parte do Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff queria que Mourão fosse punido, mas o comandante, general Villas Boas, conseguiu negociar uma espécie de punição branca. Dois antes, Mourão já tinha sido afastado do Comando do Sul por manifestações políticas.

“MEU GORDINHO” -Desta vez, a atitude de Pazuello foi ainda mais explícita. O general subiu no carro de som onde Bolsonaro discursava. Sem máscara, ele cumprimentou manifestantes. O presidente o chamou de “meu gordinho”.

Além da afronta às regras disciplinares do militar, o ato de Pazuello causa preocupação no Exército porque cria um precedente e pode levar a outros oficiais da ativa a julgar que devem se manifestar livremente em atos políticos.

“Os subordinados estão olhando. O que for feito agora, enviará uma mensagem para os próximos meses”, comentou um interlocutor do comandante Paulo Sérgio.

CAUSA PREOCUPAÇÃO – A situação de Pazuello vem causando preocupação no Exército desde que ele foi convocado para depor na CPI da Covid. Nos treinamentos prévios ao depoimento, Pazuello demonstrou irritação e mais de uma vez disse que estava no ministério cumprindo uma missão como oficial general.

Nos bastidores, o comandante lhe mandou instruções para que não dissesse isso na CPI.  Também ordenou que Pazuello não fosse fardado ao Senado. Ainda assim, Pazuello mencionou diversas vezes seu status de militar durante o depoimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA situação está ficando esquisita. No Dia das Mães, quem desrespeitou o Regimento foi o próprio ministro da Defesa, Braga Netto, que participou da manifestação em Brasília e até discursou, falando em nome das Forças Armadas. Ele é da reserva, mas não deveria ter participado de ato político.  (C.N.) 

7 thoughts on “Participação de Pazuello em ato pró-Bolsonaro parece afronta ao comando do Exército

  1. Prezado Carlos Newton, Me parece que o articulista enganou-se pois o Estatuto dos Militares não veda a participação de militares em ato politico, pois reza : Art. 45. São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político.
    E quanto à sua nota, o Gen. Braga Neto exerce um cargo político, portanto todas as suas atuações e declarações são políticas. Na minha interpretação de sua nota ele não poderia ser Ministro da Defesa ou ministro de qualquer outra pasta, pois os cargos são todos politicos.
    Ainda consta no Estatuto dos Militares, no
    § 1º É proibido ao militar o uso dos uniformes:
    a) em manifestação de caráter político-partidária;

    Entende-se portanto que os militares podem participar de manifestação de caráter político-partidária

    Ou estou enganado?

    • Foi noticiado no jornais que essa maluquice desrespeitosa aos que morreram na pandemia NOS custou cerca de 500 mil reais! Isso daria para muitas marmitas para os que têm fome. Mas jumentos não têm sentimento.

      Ninguém me perguntou mas vou responder: a participação do Pazuello na manifestação “arranjada” pró-Bolsonaro é uma afronta á disciplina militar, uma vergonha para o cidadão brasileiro e uma desmoralização para o exército. Naquele meio deveria haver miliciano, criminoso, loucos varridos e mediocres querendo se promover.

  2. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Carlos Newton , Marcelo Copelli , Jorge Béja , essas afrontas ás forças armadas são de propósito por parte do Presidente Jair Bolsonaro , visando levar a ” POLÍTICA , A INDISCIPLINA E O CONFLITO ” para dentro dos quartéis brasileiros e o general Eduardo Pazuello , esta se prestando a isso.

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