Partidos têm histórico de impunidade em casos como o do senador com dinheiro na cueca

Sua informação em primeira mão: Homem preso com dinheiro na cueca vinha para Curitiba

Charge do Lane (Arquivo Google)

Camila Mattoso
Folha

Se seguir os conselhos que tem recebido, de pedir licença por conta própria, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) pode evitar que seu afastamento seja julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Do mensalão à Lava Jato, envolvidos em escândalos de corrupção de grande repercussão não receberam punições de seus partidos.

A lista inclui Delcídio do Amaral (PT), José Roberto Arruda (DEM), Geddel Vieira Lima (MDB), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Cunha (MDB), Sérgio Cabral (MDB), e outros.

As legendas se dedicaram a esfriar as crises. É o caso, agora, de Chico Rodrigues (RR), pego com dinheiro entre as nádegas. O DEM diz que ainda vai avaliar quais medidas tomar.

DINHEIRO VIVO – Em 2005, um assessor do deputado José Guimarães (PT-CE) foi pego com US$ 100 mil dentro da cueca e R$ 209 mil em duas sacolas, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Mais recentemente, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB), então assessor do presidente Michel Temer, foi filmado correndo com R$ 500 mil numa mala, recebida do grupo Friboi.

Alguns dos personagens pediram desfiliação de seus partidos, mas por decisão própria, como Delcídio, Arruda, Geddel (condenado no caso do bunker de R$ 51 milhões), Rocha Loures e Cabral, este último condenado 14 vezes pela Lava Jato do Rio.

Nem Flordelis dos Santos Souza (RJ), acusada de ser mandante do assassinato do marido, foi excluída pelo PSD. Por enquanto ela está afastada.

REBELDES EXPULSOS – Aqueles que descumpriram ordens de dirigentes, por outro lado, entraram na mira. Como em 2003, quando o PT mandou embora Heloísa Helena (AL), Babá (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE), acusados de desobedecer orientações da legenda. No ano passado, o PDT ameaçou excluir Tabata Amaral (SP) por ter votado a favor da reforma da Previdência.

Se seguir os conselhos que tem recebido, de pedir licença por conta própria, Chico Rodrigues pode evitar que seu afastamento seja julgado pelo plenário do Supremo. O ministro Luís Roberto Barroso avalia tirar o caso da agenda da corte, justificando não haver mais motivo, caso o senador de licenciasse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com toda certeza, a impunidade neste país está chegando ao cúmulo da desfaçatez. Em qualquer nação minimamente civilizada, um parlamentar apanhado pela Polícia nessa situação vexatória já teria sido expulso do partido e da vida pública a toque de caixa, como se faz nas Forças Armadas. Fiquei lembrando aqui o caso do então senador Demóstenes Torres. Diante das acusações de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, com gravações judiciais, o parlamentar se defendeu em discurso no plenário e mais de 40 senadores se manifestaram em solidariedade ao colega, que agora quer se candidatar novamente ao Senado. Afinal, que país é esse? (C.N.)

4 thoughts on “Partidos têm histórico de impunidade em casos como o do senador com dinheiro na cueca

  1. A mesma solidariedade foi prestada a Aécio Neves na semana seguinte a uma edição da Veja onde Aécio era denunciado por falcatruas. Além do apoio de muitos ilustres senadores, Aécio nunca foi realmente investigado, julgado e nunca será punido. Provas materiais não faltam o que falta é um MPF imparcial.

  2. O serviçal do deputado do PT, em moeda atual, estava carregando, a grosso modo, mais de R$. 1.000.000,00.

    O senador do DEM estava carregando cerca de R$ 30.000,00.

    “Coisa de pobre” diria o Eduardo Paes, a exemplo do que disse para Lula sobre Maricá.

    O episódio comprovou. mais uma vez, que em matéria de corrupção o PT é imbatível.

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