Partir para o ataque é o maior erro de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Bolsonaro

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Dias Toffoli e Gilmar Mendes estão sendo movidos pela raiva

Carlos Newton

Todos sabem que a raiva é má conselheira, mas é muito difícil deixar de misturar as coisas. E há erros de avaliação que podem ser fatais e destruir até quem se julga indestrutível. É o caso dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, por exemplo, e também do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que pode acabar prejudicando o próprio pai, porque até hoje não entendeu que nas disputas de poder a arma mais importante é a cautela, uma lição que Bolsonaro pai não conhece e, por isso, deixou de ensiná-la aos filhos.

Movidos por uma vingança bem comezinha, que jamais poderia ser considerada uma “santa ira”, Gilmar Mendes e Dias Toffoli resolveram partir para o ataque. E decidiram agir juntos nessa empreitada contra os dragões da maldade que investem contra o Supremo (na visão deles, é claro), enquanto Flávio Bolsonaro tomava idêntica iniciativa na Justiça do Rio de Janeiro, também movido pela raiva.

AMIGOS DE FÉ – Poucos sabem que os Gilmar e Toffoli são amicíssimos, algo incomum na fogueira das vaidades do Supremo, e costumam até viajar juntos para o exterior. Mas todos sabem que Toffoli é o mais desprestigiado ministro da História do Supremo, porque foi reprovado nos dois concursos que fez para juiz e realmente nunca teve notório saber. Quando tomou posse e vestiu a toga, era absurdamente um estranho no ninho do STF. Mas Gilmar Mendes decidiu adotá-lo e desde então se comporta como se fosse preceptor dele

Foi o desejo da desforra que levou os dois ministros a cometer o erro de abrir inquérito para apurar pretensas ofensas ao Supremo, e para tanto usaram supostas prerrogativas do presidente do Supremo, cargo que Toffoli ocupa hoje no sistema de rodízio. E onde se lê “ofensas ao Supremo”, por favor leia-se “o vazamento das informações de que suas respectivas mulheres foram apanhadas numa malha fina da Receita Federal junto com outras 132 personalidades de destaque”, pois a justificativa de Toffoli misturava as coisas:

Considerando a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações (…) que atingem a honorabilidade do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.

SEM CONSULTAR – Movidos pela raiva, Toffoli e Gilmar sequer consultaram suas assessorias para saber se há base legal para abrir o inquérito, sem acionar previamente a Procuradoria-Geral da República. Simplesmente embrulharam e mandaram, e deu certo, porque já existe uma força-tarefa em ação, fazendo diligências em São Paulo e Alagoas.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro reuniu um grupo de deputados do PSL para dar entrada a histéricas representações contra o procurador-geral de Justiça do Estado, Eduardo Gussem, e o promotor Cláucio Cardoso da Conceição. O motivo real é a raiva, mas tem como justificativa a suposta atuação irregular dos dois na investigação aberta a partir da descoberta da movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa.

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P.S. 1 –
O ministro-relator Alexandre de Moraes está animado em incriminar plantadores de “fake news”, mas ainda não mostrou o menor interesse no caso das mulheres dos ministros. 

P.S 2 – Gilmar e Toffoli mexeram num vespeiro, porque acirram o brio dos auditores da Receita, que vão arranjar uma forma de comprovar a movimentação atípica das duas advogadas e abrir processos contra elas. Da mesma forma, no Rio, o inquérito contra o ex-assessor Queiroz passará a ser tocado em alta velocidade, podendo incriminar o próprio Flávio Bolsonaro pela “rachadinha” e chegar até em Bolsonaro pai.  E convém lembrar que o presidente já está sendo investigado por causa da assessora Nathalia Queiroz, que trabalhava para ele na Câmara Federal, mas morava no Rio e tinha frequência abonada fraudulentamente em Brasília. Como dizíamos no início, a raiva é sempre má conselheira.  (C.N.)

2 thoughts on “Partir para o ataque é o maior erro de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Bolsonaro

  1. E qual seria a melhor situação para Bolsonaro, levar tudo na maciota, fazer ouvidos de mercador?
    Após esses anos todos, vivendo dentro de um ninho de cobras ele resolveu roubar logo agora, e mesmo assim através de seus filhos?
    Carlos Newton, elucubrações não é minha praia, mas imagine que cem por cento dos leitores e comentaristas resolvessem partir para te atacar em tudo, artigos, frases e ideologia sem te dar um minuto de folga, como seria sua reação, seria igual a do Jeremias, o Bom que ao ser atravessado por uma espada respondeu a pergunta do agressor, dói? Jeremia responde, só dói quando dou gargalhada.
    Tem hora que fico pensando como alguém consegue uma conexão entre o coito da araras de Cafarnaum interagindo com a atracação de navios pelo capitão de longo curso Vasco Moscoso de Aragão, não em Peri Peri mas no porto de La Paz com o filho do Bolsonaro.
    Quiuspa!

  2. reprint de comentário:
    Hélio Dias sobre Gilmar Mendes:
    Há dois dias que faço buscas e pesquisas em todos os tribunais do sul, sudeste e centro-oeste, buscando ações em que Gilmar Mendes houvesse atuado como advogado… e, para minha surpresa, ele jamais advogou… isso me intrigou e fui fazer buscas sobre algum concurso público para o MP ou juiz de direito… ele também nunca prestou… ele e Tóffolli foram enfiados no STF na mesma condição… de forma ilegal… e pior, descobri que a sabatina de Gilmar Mendes no senado, depois de ser nomeado para o STF por FHC, estava marcada para o dia 8 de maio de 2002, mas naquele exato dia a OAB entrou com um impeditivo justamente porque Gilmar Mendes jamais havia advogado… a sabatina foi adiada e o então senador Suplicy pediu vistas do processo da OAB e mandou investigar… na semana seguinte, aproveitando a ausência deste senador, 16 outros senadores fizeram uma “sabatina” rápida e aprovaram a nomeação de Gilmar Mendes… só para se ter ideia, Gilmar já teve uns 5 ou 6 pedidos de impeachment desde 2004 para cá… até o MPF já entrou com impeachment e não conseguiu… Gilmar já libertou bandidos de alta periculosidade para o país, como Daniel Dantas… quando FHC nomeou Gilmar para o STFm o grande jurista Dalmo de Abreu Dallari, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, afirmou, em artigo de opinião publicado na Folha de S. Paulo, que tal indicação representava um sério risco para a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Segundo ele, Gilmar Mendes estaria longe de preencher os requisitos necessários para ser membro da mais alta corte do país…. daí se tira a ideia de quem é Fernando Henrique Cardoso & Gilmar Mendes…”
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1816189638424611&set=a.471094396267482.105276.100001007760519&type=3&theater

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