Passarinho, o maior carreirista da República, mais de 30 anos voando sobre cargos e mais cargos. Todos com salários e mordomias exorbitantes. Senador, ministro, não deixou nada proveitoso.

Paulo Solon:
“Não conheço Marco Maciel, o magrela do tempo da ditadura. Mas sempre que você se refere a ele, logo me vem à memória ou à lembrança um outro aproveitador, pertencente à direita radical “golpista”, chamado Jarbas Passarinho. Esse Passarinho, mas ainda que o major Curió, só conseguia cargos no tempo da ditadura.Gostava de se exibir com discursos vazios.
Uma vez, como capitão de fragata, trabalhando no Comando da Marinha, fui designado para ir à sua posse como ministro do Trabalho. Quase dormi, na primeira oportunidade, fui embora. Um pretensioso chato de galochas, como se dizia na época”.

Comentário de Helio Fernandes:
Meus parabéns por lembrar e esclarecer um dos personagens mais nefastos, perniciosos e perigosos da ditadura. Não só pela falta de caráter, de escrúpulos, de convicções, mas pelo carreirismo espantoso. Você acertou no coração, ao dizer que só CONSEGUIU CARGOS NO TEMPO DA DITADURA. Comecemos por aí

Em 1964, aos 44 anos de idade, ainda era major, não passaria disso, tinha certeza. Nasceu no Acre, mas servia no Pará, A PEDIDO, prática comum no Exército. Ninguém se aproveitou tanto da ditadura quanto ele. Logo que os generais tomaram o Poder nacional, em 1º de abril de 1964, no mesmo dia Passarinho tomou o Poder estadual.

Começava uma das mais longas e vazias carreiras civis perpetradas (é essa a palavra exata) por um militar. Foi “governador” do Pará, expulsando o eleito. Expulsou também o prefeito de Belém, e colocou no lugar outro major, Alacid Nunes, de quem era padrinho de casamento.

Espertíssimo, Passarinho dominava o Pará, mas queria SER ELEITO E HOMOLOGADO PELO VOTO. Que voto? O da Assembléia Legislativa, acuada, amedrontada ou acompadrada. Isso aconteceu dois meses e meio depois do golpe.

Ficou “governador” até 1966, arbitrariamente passou o cargo ao “compadre” Alacid, se “elegeu” (?) senador no mesmo 1966, o Pará era apenas um trampolim, descobrira a vocação nacional. Lógico, quem poderia VENCER tão iluminado PERSONAGEM?

Chegou à capital como “senador”, mas como já falava pela “Revolução”, ninguém ligava para as aspas. E aí não parou mais, até que foi colhido pelo ostracismo, mas Nossa Senhora, como acumulou cargos.

Assumiu no Senado, saiu no mesmo dia, foi ministro do Trabalho de Costa e Silva, que substituía Castelo Branco como “presidente”. Passou para a reserva como coronel. De uma vez só, deixava o Senado, sem cumprir o mandato, abandonava a carreira militar e ainda ninguém sabia, ficaria pouco tempo como ministro do Trabalho. Costa e Silva sofreu um derrame, foi considerado incapacitado, teve que haver nova eleição.

Foi um fato inacreditável, nessa República também inacreditável. O candidato do grupo que estava no Poder era Orlando Geisel. Mas como os generais já estava divididos, perdão, DIVIDIDÍSSIMOS, lançaram outro nome, o do chefe do SNI, Garrastazu Medici. Diga-se a bem da verdade que não queria, resistiu, mas acabou aceitando.

Pela primeira vez, colocaram urnas em quartéis, navios, bases da Aeronáutica. Orlando Geisel perdendo em todos os lugares, quem ganhava? Não Medici, e sim o general Afonso Albuquerque Lima, de grande prestígio. Mas foi vetado pelo grupo de Orlando Geisel (já aí com apoio do grupo de Medici) alegando que “ele não era general de 4 estrelas, só tinha 3 estrelas, como Superiores podiam fazer continência a um general Inferior?”. Farsa completa.

Aí, desistiram da “eleição”, DIVIDIRAM o governo, Médici “presidente”, Orlando Geisel “ministro da Guerra”, com todos os poderes, Medici não interferiria na Segurança. Medici fez remanejamento no Ministério, Passarinho passou do Trabalho para a Educação, nenhuma importância ou inconveniência, era incapaz para as duas posições. Importante se manter no Poder, e usá-lo discricionariamente, ditatorialmente, arbitrariamente, coisa que fazia muito bem.

Aí não parou mais na CARREIRA, nas entrevistas, nas aparições na televisão, nos acordos. Em 1974, fingiu que deixava o cargo (ou os cargos, ficou 8 anos sem ir ao Senado), mas precisa “ser eleito” por outros 8 anos. Aí teve que ficar no Senado, Ernesto Geisel tinha horror a ele, assumiu a Presidência, nem cogitou dele para nada.

Mas Passarinho era invencível. Em 1983, ainda com Figueiredo no Poder, a ditadura já no chão, foi ministro da Previdência. Esse cargo era um “prêmio de consolação” por ter perdido a cadeira de senador em 1982. Quando surgia aparência de democracia, Passarinho era derrotado. Alacid Nunes rompeu com o padrinho de casamento. Foi eleito governador Jader Barbalho.

Passarinho ficou ministro da Previdência até 1986, quando haveria nova disputa para o Senado. No ano da eleição procurou o senador Sarney, companheiro da ditadura e chorou nos seus braços.

Textual: “Presidente, só me elejo senador se você me ajudar, sem o seu apoio nao posso nem me candidatar”. Sarney, tão esperto, tão carreirista e tão sem convicções quanto Passarinho, perguntou: “Faço o que você quiser, mas nunca fui ao Pará, nem sei o que posso fazer para te ajudar, mas faço o que você indicar”.

Passarinho então deu a “fórmula”. Também textual, e aí rigorosamente histórico, pois marcou uma época na vida pública brasileira: “Sarney, o Jader (Barbalho) não vai disputar nenhum cargo, comandará a eleição, para fazer seu sucessor. São duas vagas para senador, se o governador me apoiar, estou eleito, ficarei te devendo isso.

Sarney continuou sem entender. Passarinho explicou e explicitou o acordo que já havia feito, faltava o “CONCORDO” de Sarney: “Ele me apoia, me elejo, assim que deixar o governo do Pará, você nomeia o Jader ministro. Se eu nao me eleger, Jader não será ministro”. Lógico, Sarney CONCORDOU sem o menor constrangimento ou contrariedade.

Lógico, Jader, mais esperto e sem escrúpulos do que Sarney e Passarinho juntos, cumpriu o acordo, eis Passarinho de volta ao Senado, tomou posse em janeiro de 1987. E logo, com Collor, era ministro da Justiça. Quase não toma posse, a OAB protestou, pela primeira vez um coronel (e que nem conquistara a patente) era ministro da Justiça.

Mas Collor não ligou. Itamar Franco, interino, protestou, e quando Collor viajou, Itamar, interino, DEMITIU o ministro. Collor voltou, READMITIU o ministro, o que fez na mesma hora).

Sua carreira em cargos importantes acabou aí, ficou vegetando em lugares que tinham mordomias, mas nenhum Poder de fato. Sarney cumpriu o ACORDO, INACREDITAVELMENTE nomeou Jader Barbalho ministro da Previdência. Os que não conheciam os fatos, se assombraram. Numa crise política, Sarney teve que mudar ministros, Jader foi PROTEGIDO. De CORRUPTO na Previdência, como grande senhor de terras, foi transformado em ministro da Reforma Agrária.

***

PS – A ditadura durou especificamente, 21 anos, de 1964 a 1985, mas dura até hoje, não aparentemente. Só que Passarinho resistiu por mais de 30 anos, de 1964 até 1994, em cargos com mordomias, salários e corporativismo exuberantes.

PS2 – Como “ministro da Educação”, assinou decreto que provocou comoção nacional. O país todo se voltou contra ele, o que fazer? Agia ditatorialmente.

PS3 – No AI-5, o monstruoso instrumento que apavorou e horrorizou o país em 13 de dezembro de 1968, alguns ministros estavam hesitantes, não sabiam se deviam assinar.

PS4 – Passarinho então, pegou o documento, assinou e convenceu a todos, dizendo com veemência: “ÀS FAVAS OS ESCRÚPULOS“. Como se alguma vez tivesse tido escrúpulo, qualquer que fosse a oportunidade do ato, ou até mesmo ATO, como o “AI-5”.

PS5 – Como foi várias vezes “senador”, mesmo com eleição entre aspas e sem ocupar o cargo, montou na TV Senado, estrutura que domina amplamente. Nessa coFndição, já deu diversas entrevistas, no estilo que adora: FALANDO SOZINHO, respondendo perguntas PRÉ-FABRICADAS.

PS6 – Várias vezes deixou ENTREVER ou até AFIRMOU mesmo, que “apesar de sondado muitas veses, jamais quis ser presidente da República”. Ha!Ha!Ha!

PS7 – O Exército jamais ACEITARIA um coronel da reserva como presidente, com aspas ou sem elas. Mas insiste, CONTRARIANDO a hierarquia das Forças Armadas. Como você, Paulo Solon, inicialmente militar, conhece muito bem.

MÃO PERCAM AMANHÃ:
Minha primeira prisão, 22 de julho de 1963,
meu primeiro julgamento no Supremo Tribunal Federal, dia 31 desse
mesmo julho. Todos conspiravam, de um lado e do outro.
Isso, completando agora 47 anos. Inesquecíveis.

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