Passeata de protesto questiona privatização do Maracanã

Paulo Peres

A indignação uniu cerca de 200 torcedores, domingo último, que promoveram uma passeata contra a possibilidade da concessão do Estádio Mário Filho (conhecido como Maracanã) à iniciativa privada. O grupo reivindica ainda a garantia de setores populares no estádio.

O protesto foi organizado pela campanha “O Maraca é Nosso!”, que reúne torcedores de todos os clubes. “É inaceitável que o Estado arque com as despesas e depois entregue o estádio, que é um bem de todos, para a exploração lucrativa de grupos financiadores de campanhas políticas”, disse João Hermínio Marques, da Frente Nacional dos Torcedores, um dos grupos que integra a campanha.

Em abril, a Delta Construções, do empresário Fernando Cavendish, deixou o consórcio responsável pelas obras, após denúncias de envolvimento nos esquemas de corrupção do bicheiro-empresário Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal. No mesmo mês, a empresa IMX, de Eike Batista, foi a única a apresentar estudo de viabilidade econômica para assumir o controle do estádio.

Os manifestantes acusam governantes de mau uso do dinheiro público. Em 1999 foram gastos o equivalente a R$ 237 milhões na reforma para o Mundial de Clubes da FIFA. Para o Pan de 2007, com a promessa de deixar o estádio pronto pra Copa, foram mais R$ 397 milhões.

“Botar o estádio abaixo e gastar mais de R$ 1 bilhão na reconstrução é o mesmo que jogar nosso dinheiro no lixo”, afirma Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, lembrando que nos últimos oito anos o estádio esteve mais tempo parado do que em atividade.

Matéria recente da Folha revelou que o Maracanã ainda terá que passar por uma reforma após a Copa para adaptá-lo às exigências do COI para os jogos olímpicos de 2016. Logo, a população continuará a pagar impostos para enriquecer cada vez mais certos políticos e empresários.

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