Pastor Feliciano critica Nelson Mandela, quer se eleger ao Senado e diz que de forma alguma apoiará Dilma

Marcel Frota e Nivaldo Souza – iG Brasília

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) polemiza ao falar sobre o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Apesar de homenagear Mandela com um minuto de silêncio durante a última sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Feliciano disparou contra o líder negro por causa da aprovação de lei de aborto na África do Sul.

“Quem mata uma criança, para mim, não é meu amigo. Então Mandela implantou a cultura que chamamos de cultura da morte dentro da África do Sul”, disse Feliciano, em entrevista ao iG. “E até hoje os índices de aborto na África do Sul são dos maiores do mundo. Então, nesse quesito, Mandela não foi feliz”, criticou o deputado.

Em 1996, a legalização do aborto foi tomada por Mandela com base no alto índice de violência sexual contra a mulher. Segundo autoridades sul-africanas, cerca de 60 mil estupros são denunciados todos os anos no país.
Apesar da crítica, Feliciano elogiou a atuação de Mandela na questão da igualdade racial e prometeu uma homenagem ao líder da luta contra a segregação racial do apartheid. O deputado é relator do projeto de lei que pode destinar 20% das vagas em concursos público para negros. Ele antecipa que dará parecer favorável às cotas. “Meu voto vai ser uma homenagem a Mandela”, indica.
POSICIONAMENTO

O parlamentar avalia que deixou de ser um político somente identificado com a corrente evangélica para ocupar um espaço vago na preferência de eleitores conservadores, independentemente da orientação religiosa.

“Talvez eu revelei ao país uma espécie de político que parece que está em extinção: o político com posicionamento”, afirma, ressaltando acreditar ser hoje no cenário político “uma pessoa firme que suporta pressão”.

Isso alimenta o sonho de Feliciano em disputar uma vaga no Senado por São Paulo em 2014. O pastor diz que a decisão não depende apenas dele. É preciso avaliar a postulação ensaiada também por Eduardo Suplicy (PT), Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB). Em um cenário apenas com ele e Suplicy, o deputado diz que haveria uma “luta bonita”. “Se fosse só ele (Suplicy como candidato no estado), entraria na disputa sem medo nenhum. Seria uma luta bonita, porque o sobrenome Suplicy está atrelado a tudo o que contraria a nós (evangélicos)”, diz.

Feliciano compara a briga com Suplicy às históricas lutas entre os ex-boxeadores Mike Tyson e Evander Holyfield, em meados dos anos 1990. “Seria a luta do século (pelo Senado)”, diz, avaliando que uma candidatura a senador pode enfrentar dificuldades na hora de encontrar um candidato ao governo paulista disposto a tê-lo em seu palanque. “Não sei qual governador seria capaz de comprar essa briga”.

O tom sobe mais quando questionado sobre apoiar a presidente Dilma Rousseff, a quem acusa de não cumprir um acordo com correntes religiosas em relação à não aprovar leis favoráveis ao aborto. Em julho, Dilma sancionou lei estabelecendo direitos a mulheres vítimas de estupro – entre eles: oferta da pílula de emergência conhecidas como ‘pílula do dia seguinte’, que pode evitar a gravidez em até 72 horas após o ato sexual. “Quando a presidente assinou um documento dizendo que no mandato dela o aborto não seria votado, eu acreditei”, disse.Em 2010, a então candidata Dilma divulgou carta afirmando que não tomaria “a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A mudança foi decisiva para não apoiar a reeleição de Dilma. “Eu não posso caminhar ao lado dela”, afirma Feliciano.

20 thoughts on “Pastor Feliciano critica Nelson Mandela, quer se eleger ao Senado e diz que de forma alguma apoiará Dilma

  1. “PASTOR FELICIANO CRITICA NELSON MANDELA”. Qual é o problema? Não pode? Mandela não teve defeitos?
    “QUER SE ELEGER AO SENADO”. Novamente: Qual é o problema? Não pode? É um direito dele e de todos, inclusive do autor da matéria, querer se eleger para o Senado.
    “E DIZ QUE DE FORMA ALGUMA APOIARÁ DILMA”. Parabéns.

  2. Feliciano representa o pensamento de grande parte da população. Tem o direito de defender suas idéias, pois isto é o caracteriza a democracia.
    Quem não gostar dele, que vote em quem gostar.
    O que não pode é o que essa turminha do pensamento único quer: acabar com a liberdade de opinião e impedir o contraditório, com a destruição da reputação das pessoas que pensam diferente dela.

  3. Por falar em destruir reputação, Tuma Jr., que conhece esse governo do PT, pois foi secretário de justiça do governo Lula, lançou um livro em que mostra a prática fascista do governo petista para eliminar adversários através de calúnias e difamação.

  4. Todos sabem da minha posição como cerumano: cético de carteirinha.
    Por essas e outras não tenho religião e, se Deus existir bem, se não amém. Não me preocupo com isso. Somente o palpável e o visível. Aqui e agora.
    Como vivemos em sociedade, e a democracia numa sociedade diz que todos têm direitos e deveres, e isto está definido no dispositivo jurídico, não é democrático inibir ou proibir as pessoas de terem suas opiniões ou escolhas.

  5. Caro Jornalista,

    É justo o ponto de vista do Feliciano, afinal, representa parte da sociedade, dos eleitores que pensa igual.

    Mas, em termos religiosos, o problema do fanatismo é que o FANÁTICO que impor as regras da sua congregação a todos, inclusive a aqueles que não frequentam o seu templo, nem acreditam no seu credo!

    Se o Congresso Nacional pagasse para ele trinta dias de férias na Arábia Saudita, sem praias, sem bares, sem mulheres nas ruas, sem música… Seria um dinheiro bem gasto. Lá ele saberia o quanto é bom morar em um país onde a religião é maior do que o Estado, onde cada um dos fiéis acredita ser o dono da razão.

    Abraços.

  6. O pastor Zé Bundinha diz que não tem “nenhum tipo de preconceito”, e que vai atender negros e gays em sua secretaria “como se fosse qualquer pessoa normal”.
    Que mi, que ti e que nos pariu! Vai ser burro assim no inferno!! “Como se fosse qualquer pessoa normal”. E diz que não tem preconceito!
    Eu também não tenho preconceito! Vou atender esse “pastor” Cara de Bunda como se fosse uma pessoa normal!

  7. Prezados comentarista uma coisa tem me deixado intrigado,a globo transmitindo o festival gospel,entrada de personagens evangélicos na novela das oito. O que será que será,juro não sei.

  8. Pode ser por temor que o Crivella, cantor gospel, venha a ser governador e a Globo começa a mudar a estratégia para não correr risco de ser sacaneada nas verbas publicitárias institucionais. Normalmente, em pesquisas, o Crivella sai na frente, como agora mostram. Depois, retrocede. Mas, como os candidatos são mais sujos que pau de galinheiro, tudo pode acontecer.

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