Patativa do Assaré dizia que aprendera a amar a Deus na vida do animais

Resultado de imagem para patativa do assaréPaulo Peres
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Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Arte Matuta”.

ARTE MATUTA
Patativa do Assaré

Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.

Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.

Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorgeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.

2 thoughts on “Patativa do Assaré dizia que aprendera a amar a Deus na vida do animais

  1. Eu sou de uma terra que o povo padece, mas não esmorece e pensa vencer
    da terra querida, que linda cabocla de riso na boca somba de sofrê
    Não nego meu sangue, não nego meu nome, olho para a fome e pergunto que há
    Eu sou brasileiro, filho do nordeste, sou cabra da peste, sou do Ceará – Sou cabra da peste, Patativa do Assaré;

    Em 1947, Patativa do Assaré tinha 47 anos, ano em que compôs a letra e a toda de Triste Partida
    – alguns versos apenas que eu posto
    Meu Deus, meu Deus
    Setembro passou
    Outubro e novembro
    Já tamo em dezembro
    Meu Deus, que é de nós
    (Meu Deus, meu Deus)
    Assim fala o pobre
    Do seco nordeste
    Com medo da peste
    Da fome feroz
    (Ai, ai, ai, ai)
    A treze do mês
    Ele fez experiênça
    Perdeu sua crença
    Nas pedra de sal
    Meu Deus, meu Deus
    Mas noutra esperança
    Com gosto se agarra
    Pensando na barra
    Do alegre natal
    (Ai, ai, ai, ai)

    Meu Deus, meu Deus
    Setembro passou
    Outubro e novembro
    Já tamo em dezembro
    Meu Deus, que é de nós
    (Meu Deus, meu Deus)
    Assim fala o pobre
    Do seco nordeste
    Com medo da peste
    Da fome feroz
    (Ai, ai, ai, ai)
    A treze do mês
    Ele fez experiênça
    Perdeu sua crença
    Nas pedra de sal
    Meu Deus, meu Deus
    Mas noutra esperança
    Com gosto se agarra
    Pensando na barra
    Do alegre natal
    (Ai, ai, ai, ai)

    Gravado por Luis Gonzaga – o Gonzagão

  2. O Rei do Baião, Luiz Gonzaga, numa de suas viagens pelo Sertão, ouviu, gostou da Triste Partida e perguntou quem era o autor, os violeiros disseram , é de um agricultor de Assaré, um rapaz muito simples que vive da lavoura, o Antonio Gonçalves, o Patativa do Assaré. O Rei Luiz , já famoso, tomou o endereço e foi até Assaré, uma pequena cidade na micro região Sul do Ceará, chegando lá se identificou, o Patativa se emocionou e disse:

    ___Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, na minha casa? O que se assucede?
    Luiz Disse
    __Sim senhor , o Rei do Baião, Luiz Gonzaga na sua casa.
    Patativa revidou
    __E o que quer o senhor, este monstro importante, na minha casa?
    Luiz disse
    __Venho pedir permissão para gravar esta sua música e botar o meu nome como o autor.
    O Patativa deu um pulo da moléstia e irritado falou
    __Como é mesmo seu Luiz? gravar e dizer que a poesia é sua? qualquê, qualquê seu Luiz, qualquer coisa, isso jamais , a poesia seu Luiz é como um filho, só possui um pai e o pai sou eu, não vai gravar.
    Seu Luiz rebate
    __Homem, esta música eu tenho que gravar, é a música mais bonita que já vi na minha vida e eu tenho que gravar
    Patativa do Assaré completa
    __Só grava se for assim e se colocar o meu nome, tem mais, eu não quero nenhum tostão do senhor, sei que vai fazer sucesso.
    Este foi o histórico diálogo.

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