Paulada na cabeça errada, na hora errada e numa briga errada

Carlos Chagas

Talvez pela ausência do Lula, em viagem a Cuba e à República Dominicana, o PT deu esta semana a impressão de andar meio perdido. Em Brasília o presidente do partido, Rui Falcão, em reunião com a bancada, atacou o Ministério Público. Para ele, uma oposição sem cara, porém mais forte do que a parlamentar, “que abre margem para aventuras golpistas, desqualifica a política e assemelha-se ao nazismo e ao fascismo”.

Uma paulada para ninguém botar defeito, mas na cabeça errada, na hora errada e numa briga errada. O Procurador Geral da Republica, Roberto Gurgel, havia encaminhado ao primeiro escalão do Ministério Público as denúncias de Marcos Valério contra o ex-presidente Lula. Deixou claro não endossar as acusações do bandido já condenado a 40 anos, mas,apenas, cumprir o ritual que lhe cabe. Ignora-se a que procurador de primeira instância caberá examinar a matéria e, então decidir se lhe dá ou não andamento. Seria o momento de o PT declarar guerra a todo o Ministério Público?

Mas tem mais. No Rio, em manifestação encenada pela CUT, no auditório da ABI, José Dirceu investiu contra o Supremo Tribunal Federal e seus ministros. Não se conteve, depois de ouvir diatribes e aleivosias de líderes da central sindical contra o Poder Judiciário. Engrossou o coro num momento em que deveria ficar calado, réu condenado que é no processo do mensalão. Só terá despertado amuos na corte prestes a mandá-lo para a cadeia.

Em suma, parece estar faltando tranquilidade ao PT para enfrentar as agruras do momento. Atacar instituições nacionais como o Ministério Público e o Judiciário não é próprio sequer de diretórios estudantis, quanto mais do partido político considerado em recente pesquisa o primeiro entre os demais. Porque uma coisa é bater na imprensa, como os companheiros vem batendo sempre, acusando-nos de estar a serviço de interesses antinacionais.

Pode até ser que certos de nossos meios de comunicação comportem-se exagerada e injustamente. Trata-se de uma questão de aumentar a tiragem e melhorar a audiência. Agora, é outra coisa pretender sufocar a liberdade de pensamento e de divulgação em nome da preservação do poder. Quem agiu assim, no passado, foram nazistas e stalinistas, cultores do regime de partido único e donos das verdades absolutas. Sempre que atacado, o PT ressuscita a proposta do controle do conteúdo da imprensa, esquecido de que quando era oposição, foi graças à mídia que conseguiu sobreviver e chegar ao poder.

Faz falta a presença do Lula para arrefecer ímpetos suicidas e impedir um confronto no qual todos perderão.

AGREDIDOS, OS MARIMBONDOS REAGIRÃO

Que o PMDB não é mais o mesmo, ninguém duvida. De aríete responsável pela queda da ditadura, transformou-se em cultor do nepotismo e da ocupação de espaços subalternos para tentar sobreviver e atender baixas reivindicações de seus líderes. Uma lástima, mas do males o menor, pois em outras condições o partido já teria desaparecido.

Contentando-se com pouco, que na realidade é muito, na medida em que se locupleta com as benesses do poder, de que forma o PMDB reagirá à proposta atribuída ao Lula, de substituir Michel Temer por Eduardo Campos, em 2014, na chapa da reeleição de Dilma Rousseff?

Vão botar a boca no trombone os variados espécimes dessa fauna fisiológica. Se sua capacidade de construir é nenhuma, parece óbvio que o partido ainda possui condições para destruir. No caso, a aliança responsável pela presença de Dilma no palácio do Planalto. O PMDB já funcionou com penas de tucano, nos tempos de Fernando Henrique. Chegou a apoiar José Serra. Mudou-se para o PT por mera conveniência, jamais por ideologia. O caminho para o retorno pode estar em manobras inconseqüentes como a de trocar Michel Temer por Eduardo Campos. Sempre que se acutila com um bambu a casa de marimbondos, eles saem voando e picando…

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