Paulo Ganso, houve uma pedra no caminho

Pedro do Coutto

Pelo belo e também eficiente futebol que vem demonstrando no Santos, acredito que a grande maioria da população que acompanha o esporte desejaria a convocação direta do meia armador Paulo Ganso pelo técnico Dunga, para atuar na Seleção Brasileira. A imprensa vem destacando o talento do jogador, por sinal brilhante, muito hábil com a bola, e que ataca e defende com o mesmo empenho e arte. Vai à frente, volta para fechar os espaços nas ações defensivas, sem dúvida, aos 20 anos de idade, é um jogador de nível de seleção. Além do mais, por sua juventude, contribuiria para rejuvenescer o escrete, um dos de média mais alta de idade dos últimos tempos.

Gilberto Silva e Kleberson, por exemplo, foram peças importantes no time pentacampeão de 2002. Se o Ibope ou Datafolha fizerem uma pesquisa, tenho certeza de que pelo menos dois terços da opinião pública são favoráveis à convocação de Paulo Henrique Ganso. Talvez tenha – como no eterno poema de Drumond – havido uma pedra no caminho. Afinal de contas, existe sempre uma pedra no caminho de todos nós, seres humanos. No caso, talvez, quem sabe, colocada por ele mesmo, Ganso.

Foi na final de Santos e Santo André, quando o primeiro se sagrou campeão paulista. Na metade do segundo tempo, o treinador do Santos, Dorival Junior, resolveu substituí-lo, sinalizou nesse sentido, e o reserva já estava na margem do campo, aguardando uma saída de bola, conforme a regra estabelece. Aí a surpresa, um fato raro. Paulo Ganso recusa-se a sair. E com gestos afirma que vai permanecer. O técnico recua e ele permanece no gramado. Não tinha chegado a hora do substituto: Dorival Junior  recua e desiste de fazer a alteração. É claro que Dunga e a comissão técnica viram ou souberam do episódio.

Para alguém com o estilo de Dunga, o fato pode ter se tornado fator decisivo para a exclusão. Talvez temporária, já que seu nome compõe a lista dos 30 atletas exigida pela FIFA. Mas, sem dúvida, uma exclusão não totalmente justa.

O técnico Dunga poderia, se desejasse, ter chamado Ganso para uma conversa, mesmo por telefone, e lembrado que o aspecto disciplinar é essencial para a forma que determina como diretriz básica de seu trabalho. A pedra no caminho seria afastada. Futebol para ir à Copa da África do Sul, Ganso possui. Provavelmente falta-lhe um pouco de serenidade e de reflexão. Mas aos 20 anos quem tem reflexão e serenidade? Difícil. Sobretudo num jogador que desponta como um astro e revela um forte entusiasmo em torno de sua própria capacidade de atuar. Tão bom no ataque quanto na defesa. Corre sem parar. Estado atlético perfeito. Vai ou não à Copa do Mundo? Dunga deixou um enigma no ar.

Porém a dificuldade de ser convocado pode ter aumentado, creio eu, em face de entrevista de Ganso ao repórter Bruno Lousada, O Estado de São Paulo, caderno de esportes de sexta-feira, 14 de maio. No contexto do texto, Ganso lamenta sua não convocação e, retificou palavras do próprio técnico, ao anunciar o elenco, quando disse que ele, Ganso, tinha sido reserva na Seleção Sub-20.

Ele não está sabendo bem da Seleção Sub-20 – respondeu a Lousada. No mundial do ano passado, fui titular em todos os jogos. Pena que não conquistamos o título. No ano passado, eu ainda estava no começo da carreira. Era promessa. Hoje sou realidade, acrescentou. Em face da firmeza das palavras, Dunga deve ter sido mal informado. Mas que fazer?   Torcer por uma nova inspiração do técnico, um homem de estilo rígido, mas capaz de esquecer o que passou e retirar a pedra do caminho do craque que já encanta o público de hoje e certamente vai encantar as gerações do futuro.

Talvez seja campeão do mundo.

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