Paulo Guedes e Roberto Campos Neto voam ao lado do doce pássaro da fantasia

Resultado de imagem para paulo guedes e roberto campos neto

Campo Neto e Paulo Guedes reforçaram o caixa dos bancos

Pedro do Coutto

O título é inspirado em uma peça de Tennessee Williams. As matérias referindo-se ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estão contidas em duas reportagens na edição de O Globo desta terça-feira. A primeira é de Marcelo Correia, Geralda Doca e Gustavo Maia. A segunda é de Gabriel Shinohara. Os personagens voam ao lado do doce pássaro da fantasia e da ilusão, muito distantes da realidade dos fatos.

Depois de ter redigido erradamente a medida Provisória que o presidente Jair Bolsonaro assinou sem ler e foi obrigado a refazê-la, o ministro Guedes afirma que o governo trabalha para publicar nova versão do texto, cujo objetivo principal, para ele, é preservar empregos. Essa não.

DISSE GUEDES – O ministro afirmou que o primeiro texto de fato foi mal redigido e que a nova versão vai incluir uma redução salarial de 1/3 dos atuais vencimentos dos empregados. Os empregadores arcarão com 1/3 e o governo com outro terço. Assim, quem ganha por exemplo R$ 2.100, receberá R$ 700 da empresa, outros R$ 700 do governo e sofreria redução de R$ 700.

Como os leitores já sentiram, a ideia é completamente absurda. Como poderia o governo realizar uma folha de pagamento envolvendo praticamente 100 milhões de trabalhadores? Ainda que isso pudesse ser feito, o efeito da redução salarial prevista por Paulo Guedes derrubaria o consumo, arrecadação de tributos e a do INSS, atingindo ainda os 8% do FGTS. 

MENOR ARRECADAÇÃO – Como se constata, caso a medida entre em vigor, a arrecadação de Imposto de Renda sofrerá forte diminuição. O mesmo se aplicaria ao imposto sobre o consumo, arrecadado pelo ICMS dos Estados. Incrível. Custa crer que um homem altamente especializado na matéria econômico-financeira possa aceitar uma situação como a que está proposta.

A fantasia e a ilusão são passageiras do projeto do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Anunciou que está concluindo a elaboração de medidas que terão impacto de 1 trilhão e 200 bilhões de reais.

Esse montante equivale a 1/3 do orçamento federal para este ano, previsto em 3,6 trilhões de reais. Campos Neto revela o projeto de reduzir o depósito compulsório aplicado aos bancos, hoje na escala de 25% dos depósitos dos correntistas. O compulsório passaria a ser de 17%.

JOGO DOS NÚMEROS – Para o economista do BC, esse lance de dados deve liberar 68 bilhões para a economia, uma vez que os bancos teriam mais recursos para emprestar a seus clientes. Qual a distância entre esses 68 bilhões e 1 trilhão e 200 bilhões de reais? Vale a pena lembrar que o ministro Paulo Guedes, no início do governo Bolsonaro, anunciou uma economia de 1 trilhão de reais ao longo de 10 anos valendo portanto 100 bilhões a cada exercício. O presidente do Banco Central voa na ilusão até aterrissar na realidade.

Paulo Guedes e Roberto Campos Neto estão iludidos. Se o governo não tem recursos para cobrir o déficit da Previdência Social, calculado em 244 bilhões este ano, como poderiam injetar recursos financeiros para assumir o pagamento de 1/3 dos salários e muito menos lançar a nuvem da ilusão a todo o país?15

7 thoughts on “Paulo Guedes e Roberto Campos Neto voam ao lado do doce pássaro da fantasia

  1. O comandante do Exército, o general Edson Pujol, divulgou, nas redes oficiais das Forças Armadas, um vídeo que traz uma mensagem inteiramente oposta àquela do presidente da república.

    Em tom grave, dramático, o general afirma que o coronvírus será o maior desafio de sua geração, e diz que a família verde-oliva estará pronta para essa guerra.

    O contraste com o discurso de Bolsonaro não poderia ser maior.

    https://youtu.be/f1pmexyCcGg

    • Ao que parece o amigo não entendeu bem o recado ulterior, do general, no seu final. Observe que, depois de referir-se ao processo pandêmico declarou, alto e em bom som, erguendo o punho cerrado: …”o braço forte atuará, se for necessário, e a mão amiga estará mais estendida do que nunca aos nossos irmãos brasileiros A todos, parafraseando a nossa canção, se a nossa Pátria Amada está sendo ameaçada LUTAREMOS SEM TEMOR”!
      Deu para entender agora? O recado foi dado, meu!

      • Contraste com Bolsonaro, kkkkkk. O Exército não fará o papel de desestabilizar o país como STF, Centrão, Esquerdopatas e mídia. Dentro do quartel tem muita lealdade e disciplina, coisas que a mídia desconhece. Depois desta crise veremos que estava ao lado do povo brasileiro.

  2. Antigamente nós vivíamos numa Shangri-La, não tínhamos corrupção, nosso Bando de Desenvolvimento só aplicava nosso dinheiro em obras no nosso País, Não existe uma infraestrutura é a melhor do mundo. Nossos portos são melhores do que porto de Rotterdam. Nosso sistema de saúde era exemplar. Tínhamos relações diplomáticas com quase todos países, mesmo na menor das ilhas tínhamos um diplomata, Só apoiávamos governos honestos. Políticos iguais aos nossos não existiam, eles doavam sua vida para o povo.

    Se existisse a tecnologia de viagens no tempo, acredito que a maioria de nossa população faria esta viagem. Em especial nossos jornalistas e nossa imprensa, que estão com saudades daquela época de ouro.

  3. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, nesta bela análise de como o Banco Central criaria RECURSOS para financiar a manutenção dos atuais EMPREGOS, manter uma “Renda Mínima” para os atuais +- 13 Milhões de Desempregados, +- 25 Milhões de Conta-Propistas, mais +- 5 Milhões de Restantes, enfim para que todo o Brasileiro Desamparado tenha uma RENDA MÍNIMA para o SUSTENTO, durante a EMERGÊNCIA, aparentemente não leva em conta que o Congresso votou Lei de EMERGÊNCIA devido a Crise pandemia Covid-19, vigente até 31 Dez 2020.

    Normalmente o Governo para financiar uma Despesa extraordinária emite Dívida Pública que via Open Market depende da compra pelo Mercado.
    Quando vige LEI DE EMERGÊNCIA, caso de Guerra, e no caso, a Pandemia de Covid-19, o Governo via Depto do Tesouro emite Títulos de Dívida Pública que não são enviados para o Open Market ( Mercado), não dependem mais do Mercado, mas são diretamente comprados pelo Banco Central, criando-se uma Dívida Pública Especial, na qual o Credor é o Banco Central ( do Governo), e o Devedor é o Depto do Tesouro ( também do Governo). Ora, uma Dívida Pública Especial na qual o Credor é o Governo e o Devedor é o mesmo Governo, é puramente Contábil.

    Os grandes Cientistas da Saúde, especialmente Virologistas, etc, foram unânimes em recomendar ISOLAMENTO SOCIAL com paralisação mais que parcial da Economia por tempo razoável, +- 30 dias ou o máximo que se puder, para ganhar-se preciosíssimo tempo para se Equiparem Hospitais, para que no pico da onda de contágio Covid-19, se tenha leitos e equipamentos para TODOS.
    Também com o retardamento do pico da onda, se ganharia experiência do que foi mais eficiente no tratamento, baseado na experiência dos Países que foram afetados primeiro, China, Coreia, Itália, Espanha, etc, o que salvará muitas Vidas até a IMUNIZAÇÃO total por VACINA, que deverá demorar de 6 meses a 1 Ano.

    Assim, no nosso entender, é possível o Governo se financiar até o final do ano em R$ 1.200 Bi, ou até quanto for necessário.
    Para manter a INFLAÇÃO dentro da Meta, 4%aa com variação de 1,5%aa para cima e para baixo, o Banco Central não pode sair muito fora da atual Massa Salarial ( Soma de todos os Salários da Economia), de +- 40% do PIB. Se não se fizer essa Emissão de +- R$ 1.200 Bi a Recessão seria muito forte e a Massa Salarial cairia para +- 35% do PIB, talvez até mais. Então o Banco Central deve preencher com LIQUIDEZ essa diferença e a nosso ver poderia até chegar a 43% do PIB de Massa Salarial sem muita Pressão Inflacionária, dado a ainda alta (+- 35%) de capacidade ociosa de nossa Economia.

    Durante a Crise de Saúde Covid-19 todos vamos perder um tanto, Empregadores, Empregados, Proprietários, Governo, etc, mas o mais importante é manter SUSTENTO para os mais DESAMPARADOS até superarmos a Crise.
    Depois, com a SAÚDE recuperada, produziremos dobrado.

Deixe uma resposta para Jorge Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *