Pazuello agora nega recomendação de “tratamento precoce” e comprova ação devastadora de Bolsonaro na pandemia

Pazuello defendeu remédios ineficazes e disse que não havia “outra saída”

Bruno Boghossian
Folha

O general recuou. Depois que autoridades afirmaram mais uma vez que não há remédio eficaz contra o coronavírus, Eduardo Pazuello disse que nunca recomendou aquilo que o próprio governo chama incansavelmente de “tratamento precoce”. O Ministério da Saúde tentou empurrar cloroquina ao país, mas o militar deve ter percebido que andava em terreno perigoso.

O comprimido é a peça simbólica que comprova a ação devastadora do governo Jair Bolsonaro na pandemia. O presidente e seus auxiliares fizeram a opção por um protocolo de tratamento fantasioso, que sufocou os esforços pela vacinação dos brasileiros e até o fornecimento de material básico para a sobrevivência dos doentes.

INEFICAZ – Três dias depois de saber que Manaus estava prestes a entrar em colapso, Pazuello deu uma palestra em que defendeu remédios ineficazes e disse que não havia “outra saída”. O ministério quis despejar cloroquina no Amazonas, mas mandou oxigênio insuficiente para abastecer o estado.

Se mudou de ideia, o general deveria delatar o chefe imediatamente. Enquanto Pazuello finge indignação e diz que não indicou medicamentos, Bolsonaro segue à frente do movimento do charlatanismo. “Não desistam do tratamento precoce. Não desistam, tá?”, pediu a apoiadores, na segunda-feira (18).

SABOTAGEM – Ao longo da pandemia, o presidente fez campanha para que a cloroquina fosse usada no lugar dos imunizantes que ele trabalhava para sabotar. “Enquanto não tiver uma vacina realmente confiável, e uma vez contraída a Covid, eu recomendo que faça o tratamento precoce”, disse Bolsonaro na TV, em dezembro. “Tá aí à disposição. Pegou, toma.”

A covardia de Pazuello mostra que ele talvez tenha medo de perder o cargo ou de ser processado. A desfaçatez de Bolsonaro sugere que ele confia na impunidade. O Ministério Público e o Congresso podem investigar a responsabilidade de cada um. Os atos de ambos estão registrados em vídeo e documentos oficiais.

4 thoughts on “Pazuello agora nega recomendação de “tratamento precoce” e comprova ação devastadora de Bolsonaro na pandemia

  1. https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.oantagonista.com/brasil/vacinacao-de-irmas-da-elite-de-manaus-revolta-medicos/amp/&ved=2ahUKEwjd1KmOqqvuAhX0GbkGHfUGDskQlO8DMAd6BAg2EAg&usg=AOvVaw1wwBY7CHmYX0tRE7SpXShW&ampcf=1

    A meu ver essa manobra é indignante e repugnante!!
    Somos realmente a Belíndia!

    “O Brasil é uma Ferrari dirigida por macacos”.
    (Engenheiro da Microsoft).

    “Não temos como não afirmar, sem qualquer receio, sobre o Brasil dos dias atuais: gente, não tem “perigo” de dar certo”!
    (Roberto Campos).

    JL

  2. Durante a ditadura era impossível avaliar a incompetência, lato sensu, dos militares via escrutínio público, porque estavam protegido pelo magister dixit, equivalente a: dito inquestionável.
    Atualmente, nesta semiditadura, como “semi” significa metade, é-nos viável vislumbrar 50% do que produzem e como procedem os milicos, no âmbito da administração pública federal.
    Agora, que temos uma perspectiva um pouco mais clara do que os membros das três Forças possam oferecer ao Brasil, pelo apurado geral, cabe uma recomendação: os currículos na formação do oficialato precisa passar urgente por uma reformulação. Principalmente, no aspecto ético e especificamente profissional. Comparando a sociedade civil e as AAFF com um motor elétrico: a primeira é o rotor (núcleo móvel) e a segunda representa o estator (armadura estática), em defasagem com o mundo dos normais.
    E nas atividades custeadas pela nação, para as quais são preparados, cujos parâmetros de julgamento fogem aos conhecimentos dos cidadãos comuns? Que nota um recruta norte-americano, integrante duma força correlata a uma das nossas, atribuiria a um oficial brasileiro?

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