Pedido de cassação de Flávio Bolsonaro completa três meses parado no Senado

Oposição acusa Flávio por suposto envolvimento com milicianos

Camila Turtelli
Estadão

Um pedido de cassação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) completou três meses parado no Senado nesta terça-feira, 19. Parlamentares do PSOL, Rede e PT protocolaram no dia 19 de fevereiro uma representação no Conselho de Ética contra o filho mais velho do presidente da República Jair Bolsonaro.  

“O pedido foi protocolado e, dentro do prazo regimental encaminhado para a Advocacia do Senado”, afirmou ao Estadão o presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Jayme Campos (DEM-MT). Segundo o senador, desde então não houve resposta.

PANDEMIA – Campos afirmou que não há prazo definido para o parecer técnico ser apresentado e especula que o motivo para o atraso é a pandemia do novo coronavírus, embora não tenha justificado a relação de um caso com o outro. Os servidores da Advocacia-Geral do Senado continuam trabalhando, assim como os próprios senadores, que tem participado de várias votações desde o início da crise de saúde.

Na ação original, entregue em fevereiro, os partidos acusaram Flávio Bolsonaro de quebra de decoro parlamentar por suposto envolvimento com milicianos, prática de “rachadinha” (embolsar salário de servidores) e manter funcionários fantasmas no gabinete da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quando era deputado estadual.

ALEGAÇÕES – Entre os argumentos apresentados estão a relação do senador com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em uma operação policial no interior da Bahia no dia 9 de fevereiro. Segundo o Ministério Público do Rio, Adriano teria se beneficiado de um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj.

A mãe e a ex-mulher de Adriano, Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, foram nomeadas assessoras do então deputado estadual e transferiram parte do salário a Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema.

ADENDO – Nesta terça-feira, dia 19, as siglas fizeram um adendo ao processo para incluir a acusação do suplente de Flávio no Senado, Paulo Marinho (PSDB), de que ele foi informado com antecedência por um contato da Polícia Federal acerca da alvo da Operação Furna da Onça, que desbaratou o esquema de rachadinha na Alerj e tinha Queiroz como um dos alvos. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo. Flávio disse que o suplente está desesperado para ocupar seu lugar no Senado.

O presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos, disse ao Estadão que vai anexar as novas denúncias ao texto original para que a Advocacia do Senado possa entregar um parecer único sobre o caso. Ele afirmou, ainda, que, quando os trabalhos presenciais da Casa forem retomados, irá cobrar mais agilidade da área técnica. Não há previsão para isso ocorrer.

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