Pelo conjunto da obra, o ministro Gilmar Mendes ganha o concurso Piada do Ano

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A criatividade de Gilmar Mendes impressionou o júri

Carlos Newton

Realmente, muito difícil a escolha da Piada do Ano de 2017. As reuniões da comissão julgadora entraram pela noite, com alto consumo de peru à brasileira e bebidas alcoólicas, em meio a discussões acaloradas, xingamentos entre jurados e juradas, o clima quase chegou ao conflito generalizado, devido ao altíssimo nível das piadas. A famiglia Vieira de Melo, por exemplo, concorreu com anedotas em série, tipo “Irmão de Geddel se diz tranquilo: Não encontrarão nada!”; “Digitais não provam ligação com o dinheiro, afirma a defesa de Geddel”; “Irmão diz que Geddel vai esclarecer tudo sobre os R$ 51 milhões”; “Mãe de Geddel declara que o filho não é ladrão, mas apenas um homem doente”, e por aí afora.

Mas não foi desta vez que levou o cobiçado troféu. Na reta de chegada, também a famiglia Maluf se inscreveu, com anedotas de grande criatividade: “Maluf retirou a próstata há 20 anos, mas advogado diz que agora o câncer voltou”; “Prisão de Maluf no Natal viola os direitos humanos da mulher dele”; “Sem saber que Maluf usa fraldas geriátricas há 20 anos, advogado diz que ele precisa de ajuda dos outros presos para ir urinar”.

MAIS FAMÍLIAS – A tradicional famiglia Neves não quis ficar por baixo e se inscreveu com várias piadas: “Andrea Neves alega que ia vender apartamento a Joesley por 40 milhões”; “Aécio sobe à tribuna e se diz indignado com a injustiça”; “Em carta aos tucanos, Aécio Neves diz que irá provar “inocência”; “Aécio pede desculpas aos eleitores pelos palavrões na conversa com Joesley”.

Embora Lula tenha sido considerado “hors concours”, porque faz uma piada atrás da outra, vive em ritmo de “stand up comedy”, a famiglia da Silva também tentou concorrer: “De repente, Lula acha o contrato e recibos de aluguel do apartamento”; “Recibos de aluguel de Lula foram impressos em 25 máquinas diferentes”; “Lula inventa o dia 31 de fevereiro nos recibos”; “Nos recibos de Lula, esqueceram de pagar o IPTU”. Foi um nunca-acabar. Mas acontece que  a famiglia Lula da Silva já ganhou três vezes, é melhor ficar “hors concours”, imitando Clóvis Bornay nos antigos desfiles de fantasias de carnaval.

TEMER INSISTE – Como se sabe, o presidente Temer não se conforma em jamais ter vencido, diz que está sendo boicotado pelo júri, é uma chatice. Realmente fez por merecer as inscrições, mas ficou longe da vitória, porque algumas piadas não têm a menor graça, como “Temer se elogia e diz que este é um governo que não mente”; “Temer alega na TV que gravação falsa de Joesley causou uma crise”; “Planalto enfim admite que Temer será candidato à reeleição, e não é Piada do Ano”; ou “Problema urológico de Temer não é nada demais”.

Enquanto isso, na cadeia em Curitiba, Eduardo Cunha também tentava vencer, apresentando anedotas altamente criativas: “Cunha diz que sua família está passando necessidades”; ‘Cunha alega que Funaro fez uma surpresa ao lhe presentear com dois carros de luxo”; “Eduardo Cunha acusa o doleiro Funaro de ser ladrão” etc.

Muitas outras piadas se destacaram: “Cabral diz que nunca recebeu propina, era tudo caixa 2”;  “Ministro da Defesa ameaça punir o general Mourão”; “Eduardo Paes diz que não tem nada a ver com a corrupção no Rio”; “PT vai recorrer de novo à ONU para garantir candidatura de Lula”, a relação de piadas é interminável:

O GRANDE VENCEDOR – Com tamanha concorrência, foi muito difícil escolher o vitorioso, mas a comissão julgadora acabou elegendo o ministro Gilmar Mendes, por sua versatilidade, ao fazer piadas simultâneas no Supremo e também no Tribunal Superior Eleitoral. Em seu voto que inocentou Temer no TSE, por exemplo, Gilmar se esmerou ao argumentar que “não se substitui um presidente da República a toda hora, ainda que se queira”. E levou a platéia ao delírio ao acrescentar que isso não se trata de “fricote processualístico”, vejam que é mesmo um piadista travestido de ministro.

Além de afirmar que “o país vai lamentar o fim do foro privilegiado”, arrancando aplausos entusiásticos, outras tiradas do ministro, ao libertar José Dirceu, Jacob Barata, Eike Batista e tantos outros, acabaram formando um impressionante conjunto da obra. O ponto alto de Gilmar Mendes foi ter criado uma insuperável piada de alcance internacional, com a qual demonstrou o rigor de seus julgamentos: “Multas aplicadas a partidos podem ser pagas em até 700 anos”.

Com este prazo fatal de 700 anos, a anedota do presidente do TSE foi sucesso de público e de crítica, porque jamais se viu nada igual em nenhum país do mundo, seja civilizado ou não. E assim foi feita Justiça no concurso Piada do Ano 2017, como o próprio Gilmar tanto ansiava.

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P.S.O pior de tudo é suportar o choro dos derrotados. Ninguém se conforma em ter perdido. (C.N.)

15 thoughts on “Pelo conjunto da obra, o ministro Gilmar Mendes ganha o concurso Piada do Ano

  1. Com certeza Gilmar teve uma desenvoltura imaginativa melhor, foi merecida sua vitória. No quesito piada barata, Temer sem sombra de dúvida. O desesperador é que estamos falando das pessoas que receberam, mesmo sem merecerem, o fardo de destravar o desenvolvimento geral do país.

  2. CN,

    Impressiona quando percebemos que TODOS, EU DISSE TODOS, os concorrentes ficaram MILIONÁRIOS com suas atuações em algum ou mais de um dos três poderes e NENHUM NA INICIATIVA PRIVADA.

    saudações

  3. CN, realmente é uma piada seguida de outra, todas de altíssimo alcance… Só rindo mesmo pra não entrar em pânico e correr pro aeroporto internacional (quem pode). Por aqui, vamos tocando o barco nessa nossa tragédia tupiniquim.

    Aproveito e dou as boas vindas ao Marcelo Copelli, já é perceptível a participação dele.

    Grande Abraço.

  4. Newton, como sempre, foi elegante com Gilmar Mendes, o onipotente.

    Eu não usaria o título Piadista do Ano, mas o Safado do Ano!

    Um magistrado que conseguiu desclassificar a Alta Corte para Baixa Corte ou Corte Baixa, tanto faz, somente sendo muito safado, mediante suas decisões de libertar ladrões do povo e país!

    De não considerar os crimes praticados, e de usar os seus poderes para enaltecer a impunidade na proteção de amigos e conhecidos.

    Mendes confirmou insofismavelmente que o STF é um apêndice do executivo e mero assessor jurídico do congresso.

  5. Reflexões sobre o ganhador de 2018 (plagiado pra caramba, mas livre):

    ” Há pessoas que tem pouca necessidade de autonomia. Ou sua força pelo poder é fraca ou eles a satisfazem, identificando-se com alguma organização poderosa a que pertencem.
    E há pessoas não pensativas, que parecem estar satisfeitas com um senso de poder puramente físico omo um soldado de combate que obtém seu senso de poder ao desenvolver e usar habilidades de luta na obediência cega aos seus superiores.

    Mas para a maioria das pessoas é através do processo de poder – ter um objetivo, fazer um esforço AUTÔNOMO e atingir o objetivo – que a auto-estima, a autoconfiança e o senso de poder são adquiridos.

    Quando não há uma oportunidade adequada para passar pelo processo de poder, as consequências são aborrecimento, desmoralização, baixa auto-estima, sentimentos de inferioridade, derrotismo, depressão, ansiedade, culpa , frustração, etc.

    Gilmar, passou a maior parte de 2017 vivendo nas ‘consequências’ citadas acima, consequentemente ao fazer uso do processo do poder realizou tanta merda.

    Desmoralizado no cargo de ministro do STF, agiu pela força, fez uso do “regime” de forma bizarra, sem importar-se em transmitir, aos Brasileiros, a ilusão de que o STF, como guardião Constituição Federal, represente os desejos das pessoas (cumprimento das Leis Constitucionais).

    Gilmar resiste porque se encaixa num ‘sistema que não pode ser melhorado, que nunca existiu para servir ás pessoas, que só existe para servir o próprio sistema’; no STF, Gilmar está vinculado a um ‘conjunto de regras que colocam o crescimento econômico e a riqueza do capital acima das reais necessidades das pessoas que vivem no Brasil’

    A conduta de Gilmar, em 2017, tornou imenso o vazio moral entre o que precisamos como espécie e o que os governos ‘democráticos’ como esse, do PMDB, nos impõem.”

    O caso desse ‘bagrão” carece de algo mais do que a retirada do mandato…

  6. São muitos os piadistas.
    Este ano deveria ter categorias…
    Traríamos ao conhecimento de todos os inúmeros palhaços.
    É apenas uma sugestão.
    Atenciosamente.

  7. GM me parece merecedor de algo mais, quiçá o título de “esculhambador-geral da república 171 do partidarismo eleitoral, do golpismo ditatorial e dos seus tentáculos, velhaco$, cujo troféu ainda se encontra na posse do “Macaco Simão”, aquele “do país da piada pronta”, injustamente, porque GM o fez por merecê-lo, junto com Temer, Geddel, Moreira, Padilha, Jucá, Sarney, enfim o “Quadrilhão do PMDB” e agregados em peso, até porque “piada do ano” me parece pouco para elle$. Até que, por dó, cheguei a sugerir aos petistas que colocassem no STF e TSE alguém que fizesse o contraponto ao GM, em condições de descer ao mais baixo nível ético do mesmo, que saísse inclusive na porrada com o mesmo, se necessário, porque essa seria a única fórmula capaz de tirá-lo de lá, porque tudo isso já estava escrito nas estrelas, e assim libertaríamos o país, mas os pamonhas não me deram ouvidos, e se ferraram de verde e amarelo, e aceitaram a troca do ruim pelo pior, ainda que rejeitada nas urnas (pra que urnas ?). Agora, vivem aí chorando pelo leite derramado.

  8. O devido respeito, organização e comissão erraram.
    Num concurso com tamanha amplitude, qualificadíssimas personagens e quantidade expressiva de indicações, era preciso classificação por categorias, conforme já sugerido pelo Tribunário Espectro. E mais: uma das categorias, a principal, tem de ser a de “Hors concours”, onde se encaixaria, já por outras escolhas anteriores, Gilmar Mendes, o “bocão”.
    Achei o resultado injusto, não para o indicado, mas para todos os demais!
    Ficam as sugestões para o concurso de 2018.

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