Pensamentos de fim de ano, quando tudo é multiplicado…

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Charge do Junião (juniao.com.br)

Ofélia Alvarenga

Sou avessa às grandes festas da Humanidade. Tudo é muitas vezes multiplicado, alegrias e não-alegrias. Melhor chamá-las, essas últimas, assim, com o devido respeito.

Ainda anteontem, no shopping, uma música de Natal me atacou traiçoeira que só ela. Como vento de cauda em avião, me pegou de jeito e eu não soube identificar de onde havia partido aquela tristeza recém-chegada. Olhei em volta, indaguei de mim onde eu estaria em anos anteriores nessa data e o que aquela canção representava pra mim. Sem resposta. Hoje já nem me lembro da doída canção. E por que doeu? Quem sabia dessas coisas era Guimarães Rosa. Foi ele que escreveu ‘apertou em mim aquele tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo’.

Tenho quase certeza de que essa tristeza não sabida é a que provoca esse meu padecimento a que chamo de choro preso. Sofro muito de choro preso. Quando ele vem, me aflige muito porque não sei quando a tempestade sem ventos, raios, chuvas e trovoadas irá passar.

Sei que final de ano é época propícia a essas mudanças no tempo.  Afinal todos nos dizem que é época de festejar. Se não queremos, não sentimos vontade, somos, no mínimo, esquisitos. E bota esquisitos nisso.

CONTAGEM REGRESSIVA – Lembro de uma vez, em São Lourenço, quando o pessoal no salão do hotel começou a contagem regressiva na virada do ano e eu desandei a chorar. É o tal do choro solto, que ensopa o rosto. Teve gente que parou de prestar atenção na festa para prestar atenção em mim. Ora bolas. Sou obrigada a gostar? E se mexe comigo essa numeração de trás pra frente a muitas vozes?

Houve um fim de ano em que minha tia Henedina, lá em Niterói, deu de gritar ‘ALEGRIA!, ALEGRIA!, desse jeito aí, em tom maiúsculo, para animar a festa. Animou a si mesma. Mereceu.  Aquele ano foi seu último.

Não, eu não penso no fim dos dias que nos aguarda, de preferência bem mais à frente, não brota daí o estremecimento, o pequeno terremoto interior.

Brota de onde? Eu SEI LÁ! Vai ver sou mesmo esquisita.

E depois, cá pra nós, ninguém canta parabéns pra Jesus no dia 25. E isto deve ser coisa muito séria mesmo.

12 thoughts on “Pensamentos de fim de ano, quando tudo é multiplicado…

  1. Prezada Sra OFÉLIA, excelente Companheira de Artigos/Comentários.

    Seu Artigo mostra uma grande sensibilidade. A senhora sempre nasceu e viveu em uma Metrópole, no caso Rio de Janeiro. As grandes aglomerações Humanas, por incrível que pareça dificultam os Contatos Humanos.

    Eu que sou oriundo das Colônias de Caxias do Sul – RS, formadas por inúmeras Comunidades ( Capelas), tínhamos o tempo bem marcado pelas grandes FESTAS DA IGREJA, comemoradas nessas pequenas Comunidades.

    Quatro semanas antes da grande Festa de NATAL começava o ADVENTO, iniciava-se a montagem do pinheirinho de Natal e do Presépio, guirlanda e placa na porta da casa com FELIZ NATAL. Na noite de NATAL, grande ceia da Família e geralmente alguma Família Vizinha com muita cantoria e repetidos NOITE FELIZ. O Papai NOEL ( S. NICOLAU ) trazia presentes para TODOS a começar pelas CRIANÇAS.
    Depois vinha 06 Jan ( Dia dos SANTOS REIS) que marcava o desmonte do pinheirinho/presépio.
    Depois do NATAL vinha o 1º DO ANO. Começava cedo esse dia, sendo costume das Crianças visitar os Padrinhos, Vizinhos, Amigos e quem viesse pela frente com um forte BOM PRINCÍPIO DE ANO,e se ganhava Dinheiro.
    A seguir vinha a PÁSCOA da Ressureição, com muitos OVOS de Chocolate. A Páscoa começava muito cedo na busca dos Ninhos.
    50 Dias depois da Páscoa vinha a festa de PENTECOSTES quando comemorávamos a descida do ESPÍRITO SANTO sobre os Apóstolos e primeiros CRISTÃOS, e o recebimento dos 10 Mandamentos nas 2 Tábuas da LEI, pelo grande MOISÉS no Monte Sinai.

    Para mim que venho do Interior, essas FESTAS TODAS me trazem ALEGRIAS e BOAS LEMBRANÇAS.

    Hoje morando em uma grande Cidade, FLORIANÓPOLIS-SC tentamos na Família reviver essas grandes FESTAS mas não é mais a mesma coisa. Telefones móveis celulares, Internet, TV, etc,etc, realmente mudam toda a perspectiva. Fazemos o possível, mas já não é mais a mesma coisa.
    Talvez seja algo assim, que em certos momentos a deixe triste. Mas não devia. O tempo vai mudando a perspectiva das Coisas.
    Abração.

    • Não é não, Bortolotto. Desde menina o Natal não ‘me apetece’, como diria uma ex-vizinha portuguesa.

      Essas festas marcadas, em que todo mundo deve estar/ficar feliz me incomodam de algum jeito. Não sei de qual jeito. Mas é vero.

      Tem algo a ver com a infância? Não sei dizer.
      Meu pai nasceu no dia de Natal. Se contasse, contaria a favor. Eu amava demais o meu pai.

      Talvez tenha a ver com a obrigação de estar feliz. Não gosto de ser obrigada a nada. Tudo precisa brotar, estar em brotação. E Natal não brota.

      Minha alma é larga, atende a muitas vontades, a obrigações não mesmo.

      Pra dizer a verdade, se pudesse, eu começava a dormir agora e acordava depois do carnaval.

      Tive uma prima, morreu aos 67 anos de hepatite C, contraída após uma cirurgia de mama, que lhe reduziu as mamas e a vida. Em bom hospital. Mas, se viva fosse, ela faria tudo de novo.

      Sou de vontades. Eu costumava dizer a uma tia que se me desse na telha eu faria. E um dia ela me fez rir muito. Quando eu pensava que ela havia esquecido esse meu jeito, ela me perguntou: “E aí, já deu na telha?”

      Ontem, eu, meu filho e a nova (nova mesmo!) norinha, estávamos combinando ir até à cidade paulista onde ela nasceu e moram seus ricos familiares. Todos de bem com a vida. O avô, aos 87, bebe bem. E eu prometo ser a nova atração do pedaço, se lá eu for. Vão querer me embebedar, coisa que nunca fiz.
      Bom, se conseguirem que eu comece, talvez eu pise fundo. Como saber?

      Será que vou ficar com riso frouxo ou mais triste? Tem gente que ri muito. Outros se fecham. Vai de cada um.

      Lembro que em Friburgo, chegávamos do Rio e a manhã era muito fria. Eu era muito mocinha. O marido bebeu, os amigos beberam, eu bebi, inexperiente, a ‘batida’ de uma vez só. Estava sem nada no estômago desde o Rio.

      Só não caí ao descer o morrinho porque um amigo me segurou. Já no carro, qualquer coisa que diziam soava como ‘barata esmigalhada’ a ouvidos infantis.
      Ria à toa. Talvez seja isto a tal da felicidade, Bortolotto. Acho que vou experimentar.
      Grande abraço
      Ofelia

    • Teresa Fabricio, ‘minha fia’. Se a alegria inventada não é de todo bem-vinda, a sofrência também não é.

      E pra essas situações acho que não existe meio-termo.

      Não sei qual a sua idade e se pode beber.
      Mas, como já disse ao Bortolotto aí em cima, tô pensando em afundar o pé na jaca.

      Vai que eu mudo?
      Não estou aconselhando não, como dizia um amigo meu.
      Talvez fosse bom experimentar. Só um pouquinho. Só dessa vez.
      Abraço
      Ofelia

  2. Prezada Sra. OFÉLIA,

    Que ótimo esse convite para passar o Natal junto á Família da mulher do seu Filho, no interior de São Paulo.
    Esqueça que tens “que parecer Feliz no Natal”, coma bem, beba moderadamente e conte-lhes de sua fascinante vida de Jornalista, de sua bonita história, até um pouco de nosso Jornal Virtual “TRIBUNA DA INTERNET onLINE”.
    Todos vão admirar sua história de Vida porque a senhora é uma Pessoa admirável, e a senhora vai conhecê-los melhor.
    Eu não conheço nada melhor que “conhecer Pessoas”. CONVERSAR.
    O normal seria tomar moderadamente, mas diacho, se sentires necessidade, podes “enfiar o pé na jaca” porque já temos idade para isso. Só acho que a “dor de cabeça no dia seguinte” não vale a pena. Abração.

  3. Fiquei de antena ligada acompanhando a conversa de Ofélia com José Flávio Bertolotto. Confesso que tive vontade de me intrometer várias vezes.
    – tive vontade imensa de dizer da tristeza que sinto com as festas de fim de ano. Vontade de sumir e voltar em pleno carnaval. “Muitas emoções” e recordações que mexem com meus sentimentos.
    – quase digo à Ofélia “vá para a casa de sua nora”. A felicidade é feita de pequenos momentos; ela está no nosso dia-a-dia, no meio de todos.
    – “Se me desse na telha eu faria”, ai eu cantei: “Se me der na cabeça/este ano eu vou sair/se me der na cabeça/ vou sambar até cair…”
    – “Vão querer me embebedar” Beba sim, cantando: bebo sim/eu tô vivendo/tem gente que não bebe/e tá morrendo.

    Bertolotto fez um delicioso desfile das festividades que acontecem durante o ano, começando pelo Natal, que já não é igual aos meus tempos idos. A Missa do Galo que era meia noite – hora do nascimento de Cristo – foi antecipada por causa da insegurança que tomou conta dos justos. Com a Missa do Galo, festejávamos o aniversariante da Noite. Crianças não colocam mais sapatinhos na janela. Agora há troca de presentes, amigos ocultos. Novos tempos.

  4. Prezada Sra. CARMEN LINS,

    Fiquei pensando no que dizer para que a senhora não seja invadida, mesmo que por um pouco de tristeza, nas Festas de final de ano.

    Eureka!

    É como aquela técnica de olhar mais a parte do copo cheio, do que a parte vazia. Se pensarmos nas Famílias divididas, Crianças abandonadas, Gente sozinha, desamparados, etc, vamos ficar tristes.
    Mas se pensarmos na multidão de pessoas que se esforçam para ajudar os necessitados, principalmente as CRIANÇAS, por amor a Nosso Senhor JESUS CRISTO, que em certa parte Disse: “Sempre que fizerdes algo a um desses PEQUENINOS, mesmo que seja dar um copo de água, NÃO FICARÁ SEM RECOMPENSA”, e graças a Deus tem muita Gente assim, então vamos ficar Alegres.

    Porque a nossa Tradição Cristã nos ensina que o que importa é viver com Dignidade, Decência e sem Medo, da maneira mais honrosa para a Inteligência e a Cultura de cada Indivíduo.
    Abrs.

  5. Flavio Bertolotto, Obrigada pelas suas palavras tão humanas.
    Não há maior mistério de AMOR do que o AMOR INFINITO que não nos deixa acomodar, que nos empurra para a ação de servir buscando a Justiça e a Paz, como a “multidão de pessoas que se esforçam para ajudar os necessitados”
    Feliz Natal com seus queridos. Abs

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