Pequena reação da indústria não consegue dissipar o pessimismo

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Em meio a tantas notícias ruins e com o Congresso não economizando nas bombas disparadas no colo da presidente Dilma Rousseff, o governo viu um fio de esperança no resultado da indústria em maio. A produção computou avanço de 0,6% ante abril, contrariando as projeções de todos os analistas privados, que apostavam em queda média de 0,5%. Na avaliação de integrantes da equipe econômica, mesmo que o número esteja longe de mostrar uma virada na recessão que atormenta o país, já se começa a ver uma luz no fim do túnel.

“Temos de nos apegar a alguma coisa, pois o pessimismo passou dos limites”, diz um técnico com trânsito no Palácio do Planalto. “Não podemos negar que a situação da economia hoje é assustadora, que os números gerais que ainda veremos nos próximos meses indicarão que o país está no atoleiro. Mas ver a indústria dar um suspiro em maio foi um fato positivo. Mostra que, quando todas as condições estiverem reunidas, a reação da economia será vigorosa”, ressalta. “Mas teremos que ter muita paciência, até que a confiança seja reconstruída”, reconhece.

O grande medo do governo, neste momento, é que, independentemente dos sinais favoráveis emitidos aos agentes econômicos pelo Ministério da Fazenda, na área fiscal, e pelo Banco Central, no combate à inflação, o Congresso ponha a perder o pouco que se construiu desde que a presidente Dilma Rousseff optou por um caminho mais racional, sem as estripulias que marcaram o primeiro mandato e que estão custando caro ao país.

“Sabemos que o Congresso tornou-se um problema. Aprovar o aumento de até 78% para os salários do Judiciário foi só uma das muitas irresponsabilidades fiscais dos parlamentares. Mas vamos nos contrapor, sem agressões, sem partir para o confronto”, acrescenta um funcionário do Ministério do Planejamento. Ele acredita que a divisão no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do reajuste sinaliza que a decisão do Congresso será revertida sem traumas e os servidores terão de se contentar com o que o governo ofereceu: 21,3% ao longo de quatro anos.

Esse discurso positivo dos técnicos é compreensível, mas está longe de empolgar quem acompanha o dia a dia da economia e o funcionamento do governo.

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