Pequim desafia Washington e irá proteger sua soberania no Mar do Sul da China

Hua Chunying, a porta-voz da China, foi curta e grossa

Ben Blanchard e David Brunnstrom
UOL/Reuters

A China afirmou nesta terça-feira que tem uma soberania “irrefutável” sobre as ilhas em disputa no Mar do Sul da China, depois que a Casa Branca prometeu defender “territórios internacionais” na rota marítima estratégica. Nos comentários que fez na segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, rompeu com anos de postura cautelosa dos Estados Unidos em relação à assertividade das reivindicações territoriais de Pequim na Ásia.

“Os EUA irão garantir a proteção de nossos interesses ali”, disse Spicer quando indagado se o presidente norte-americano, Donald Trump, concorda com os comentários de seu nomeado para secretário de Estado, Rex Tillerson, que no dia 11 de janeiro disse que a China não deveria ter acesso às ilhas artificiais que construiu no contestado Mar do Sul da China.

“É uma questão de se estas ilhas estão de fato em águas internacionais e não são parte da China propriamente dita, daí sim, vamos impedir que territórios internacionais sejam tomados por um país”, disse.

RESPOSTA DA CHINA – A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, disse em um boletim à imprensa nesta terça-feira que “os Estados Unidos não são parte da disputa no Mar do Sul da China”.

Pequim reivindica a maior parte do Mar do Sul da China, e Taiwan, Malásia, Vietnã, Filipinas e Brunei reclamam partes do mar, que tem vias marítimas estratégicas e fartas áreas de pesca, além de reservas de petróleo e gás.

A soberania chinesa sobre as Ilhas Spratly, situadas no Mar do Sul da China, é “irrefutável”, disse Hua, mas a China também se dedica a proteger a liberdade de navegação e quer conversar com nações envolvidas diretamente para encontrar uma solução pacífica.

PAZ E ESTABILIDADE – “Exortamos os Estados Unidos a respeitarem os fatos, falarem e agirem cautelosamente para evitarem prejudicar a paz e a estabilidade no Mar do Sul da China”, afirmou a porta-voz Hua Chunying.

“Nossas ações no Mar do Sul da China são sensatas e justas. Independentemente das mudanças que ocorram em outros países, o que eles dizem ou querem fazer, a determinação da China em proteger sua soberania e seus direitos marítimos no Mar do Sul da China não irão mudar”, acrescentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo se vê, logo na primeira semana o governo Trump já conseguiu ressuscitar a Guerra Fria, por causa de umas ilhas que ficam lá do outro lado do mundo e somente são importantes em possibilidade de guerra convencional (sem falar no petróleo, é claro, que tanto fascina os americanos). Se Trump pensar que pode mandar no quintal dos chineses, vai ter uma surpresa desagradável. (C.N.)

14 thoughts on “Pequim desafia Washington e irá proteger sua soberania no Mar do Sul da China

  1. “Se Trump pensar que pode mandar no quintal dos chineses, vai ter uma surpresa desagradável.”

    Quem está querendo mandar naquilo que não tem direito, são os chineses. A surpresa será dos chineses.

    Ou o autor do artigo esquece que a China tem uma multidão de inimigos por este ato de usurpação?

    Interessa aos chineses uma guerra (qualifiquem-na como quiser) com os americanos e seus parceiros prejudicados?

    Podem escrever: à primeira pressão sólida de corte de venda de produtos e inserção no mercado mundial da produção chinesa farão pensar duas vezes.

  2. O Trump se esquece que 75% do PIB Americano vem de serviços , patentes e licenças?
    Até os produtos da Hp são produzidos na China , que por sinal já colocou uma indústria de computadores em Cuba. ?

  3. Este é o motivo pelo qual eu sempre prefiro ler notícias em inglês.
    Vamos rever e interpretar um pouco.
    Trump recebeu um telefonema de Taiwan, acertado previamente, o que deixou a China furiosa.
    Posteriormente diz que “Everything is under negotiation including One China” (tudo pode ser negociado, inclusive uma só China.
    Preciso realmente explicar que Trump quer negociar e rever acordos e usou chantagem? A resposta da China foi interessante, ela deixa claro que uma só China é algo inegociável (abre um caminho para o resto).
    Jornalistas precisam aprender mais. O comentário ao final do artigo, com a insinuação boboca sobre petróleo, também foi ruim.

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