Perdendo o respeito

Valdo Cruz
Folha de SP

A liturgia do poder diz que algo anda errado quando um visitante, convidado ao palácio, não poupa de críticas ao seu anfitrião. Pior quando os áulicos presentes ao salão não escondem a satisfação com o desconforto do chefe.

Pois tal cena se deu em pleno Palácio do Planalto, durante recente reunião do Conselho Econômico e Social, o chamado Conselhão, que reúne governo, empresários e sindicalistas para debater os rumos do país.

Presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ubiraci de Oliveira (foto), para surpresa dos presentes, disparou críticas ao governo.

Protestou contra promessas não cumpridas de verbas para mobilidade urbana. “O governo foi a TV em junho passado e apresentou um investimento  de R$ 50 bilhões. Mas o que estou observando é que, de lá para cá, a situação não melhorou.”

Disse mais “Enquanto isso, corte no Orçamento para fazer superavit, taxa de juros nas alturas e exorbitantes transferências de recursos ao exterior para pagamento de juros aos bancos estrangeiros.”

Dilma, na mesa principal, ouvia tudo de semblantes carregado. Na plateia Ministros e assessores faziam, protegidos dos olhares da chefe, gestos de concordância. Teve quem sorrisse de satisfação. Talvez nem tanto pelo conteúdo, mas pela coragem do convidado.

Ao final Ubiraci foi efusivamente cumprimentado por colegas do Conselho. Um empresário disse: “Mandou bem”. Da anfitriã ganhou um aperto de mão seco.

O sindicalista lavou a alma de muito assessor que já não aguenta mais a descomposturas da chefe e de empresários que se cansam do jeito sabe tudo de Dilma.

Enfim, o estilo irascível da petista só joga contra ela própria. Leva ao isolamento — tem um ministro que prefere evitar o Planalto – e sufoca a criatividade de sua equipe. Algo que não combina nem um pouco com a governança.

(artigo enviado por Mário Assis)

12 thoughts on “Perdendo o respeito

  1. A efemeridade da seita petista

    Por séculos seguidos o sincretismo religioso arabio-judaico nos mostra que a religião somente é verdadeira se seu crente seguir os três pilares da fé em seu deus, sendo eles o ‘conquistar’, o‘convencer’ e o ‘converter. Somado a isso, há a premissa fundamental da fé, que leva o indivíduo a prometer, portanto, uma promessa, em proposição particular afirmativa da recompensa, sem nenhuma garantia de sua realização. Como ocorre nas demais religiões, a crença na eternidade do espírito aproxima a criatura de seu criador. Por mais que as religiões divirjam em seus dogmas, o intuito é sempre aproximar suas legitimas expressões como necessárias à sua fé. Isso é fato.

    Muito mais recentemente um grupo humano criou uma seita que funciona com esses mesmos modus faciendi das religiões ancestrais e inicialmente conquistou adeptos por sua proposta ‘revolucionária’ de alterar a organização do trabalho e sociabilizar a distribuição da riqueza. Tão logo essa seita conquistou seus admiradores passou ao segundo passo, que era convencer que ali estava o único caminho para a verdade e a vida em sociedade. O passo foi firme e veio então o derradeiro, que consistia em converter esses agora seguidores em multiplicadores, num processo infinito potencial.

    A seita ganhou todos os requintes clássicos das antigas religiões, criando seus próprios símbolos e liturgias. Ganhou também um estandarte para ser defendido a qualquer custo; um livro para ser seguido; uma única estrela para ser exaltada e um soberano senhor de todas as razões, ao que esses indivíduos que professam a mesma doutrina chamaram então de Partido dos Trabalhadores, reverenciado em seus cultos ideológicos simplesmente como PT.

    Desde seu nascimento em solo brasileiro, a utópica crença em uma revolução econômica e social pela luta de classes, preconizada por um barbudo idealista, mas nem sempre coerente com suas afirmações, fez do PT o elo de ligação entre o terreno e o celestial; a promessa e a recompensa.

    Os antigos relicários cristãos foram similarizados por fragmentos dos textos de O Capital, o Livro Vermelho de Mao, os manifestos de Lenin e pronunciamentos exaltados de Fidel. Já as indulgências do clero católico vieram a ser copiadas mais recentemente, quando o PT tomou legitimamente o poder nacional e teve seus bispos mais influentes envolvidos em escândalos que os colocava no cenário daquilo que por toda sua existência recriminou e jurou combater.

    O ser supremo dessa seita os afastou de seu sacerdócio e os colocou no limbo, mas assim como nas religiões primitivas ocorreram revoltas de anjos e o céu foi dividido em dois, um dos histriônicos guardiões dos ‘demoníacos’ petistas se rebelou e fez o paraíso conhecer a ira e as forças de outras forças ainda mais poderosas. Era o ‘Nervo de Aço’, – antonomásia de Roberto Jefferson, o papa do Partido Trabalhista Brasileiro, com sua fundação no templo de um semideus conhecido por Getúlio Vargas, aquele que ‘deixou a vida para entrar para a história’.

    Santos foram processados, condenados e presos, mas nem todos excomungados, a seita enfrentou a fúria de iconoclastas contrários a simonia petista e sem medo do saco sem fundo dos vergonhosos escândalos, o supremo sacerdote fechou os olhos e passou a negar até mesmo que era onisciente.

    Preocupado em nunca deixar o status de sumo pontífice de sua seita, o patriarca não permitiu a proliferação de outros messias e como estratagema de mostrar o quanto é ele o salvador, colocou inexpressivos semiclérigos temporariamente em seu lugar, mas apesar de invocar a onipresença e a onipotência, os resultados desagradaram os seguidores dessa doutrina e é quase certo ele voltar ao comando da cadeira número um, mas uma vez encerrada sua existência, o esfacelamento da seita é presumível, uma vez que ficará acéfala e não restará um único nome para colocar a estrela vermelha no peito, diante de uma estrela dourada de um delegado da Polícia Federal.

    O PT está com os dias contados. O trabalhismo não ficará órfão. A história se encarregará de contar essa epopeia.

  2. Sei não…
    O tempo está correndo, cada vez mais depressa, para à realização da Copa do Mundo.
    Ou seja, mais de 30, menos de 50 dias… Estamos em cima, né?
    A novidade da vez é a insatisfação dos agentes da Polícia Federal com os salários.
    De acordo com a entidade que representa os policiais federais,, eles estão ganhando a metade do que deveriam ganhar, no governo Dilma.
    Também já se sabe, que o ministro José Eduardo Cardoso, já antecipou que não irá tolerar qualquer tentativa de paralização durante a Copa…
    Em suma, mais uma faísca inesperada nessas alturas dos acontecimentos para essa que merece ser classificada como a mais estressante Copa do Mundo, vivida por um país sede…

  3. Não entendi os comentários. Queriam que fosse liberado o dinheiro para a “mobilidade urbana” ? Certamente não se trata de dinheiro para os transportes.

    Faltou raciocínio ?

  4. É mais um pelego a serviço dos grandes empresários,essa turma dos sindicato não tem moral alguma para criticar quem quer que seja,vivem às custas do erário publico e do próprio trabalhador,são um verdadeiro câncer que deveriam ser extirpados da nossa sociedade.O que deveria ser feito é uma CPI sobre esse dinheiro que abastece esses famigerados sindicatos.

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