“Perdi porque meu adversário teve mais votos do que eu”

Carlos Chagas

Conhecidos os resultados da eleição  formal, muda alguma coisa no país real?  Nem pensar. Desfizeram-se desde as 17 horas de ontem, encerradas as urnas, sonhos e promessas ilusórias. Nem as filas  e o péssimo atendimento nos hospitais públicos desapareceram, muito menos 4 mil creches brotaram do chão, sequer o sofrível ensino público mudou por passes de mágica ou os salários dos professores tornaram-se compatíveis com a dignidade de cada um deles. Quantos eleitores, ao voltar para casa, foram assaltados por flanelinhas e flanelões? Diminuíram os frequentadores das bocas de fumo, motorizados ou a pé, comprando drogas de diversas espécies?  As cracolândias se esvaziaram nas grandes e nas pequenas cidades? Mudaram os canteiros de obras públicas paralisadas no país inteiro?

Não teria fim o desfiar do rosário de carências nacionais, com ênfase para os ladrões de colarinho branco que votaram com arrogância  nos seus preferidos. O Brasil é o mesmo, depois da temporada de ilusões verificada no período pré-eleitoral.

Para os derrotados, vale a lição de Milton Campos, depois de conhecida a vitoria de João Goulart nas eleições para a vice-presidência da República, em 1960: “Por que perdi? Porque meu adversário  teve mais votos do que eu…”

DESCOMPASSO

É nítido o descompasso entre a atuação da Justiça e a necessidade da apuração, julgamento e punição dos bandidos que roubaram a Petrobras. Se no caso do mensalão quase dois anos decorreram entre as denúncias e a ida dos culpados para detrás das grades, imagine-se nesse escândalo muito maior, onde pela primeira vez os corruptores parecem identificados e em condições de ser punidos.

Mais resistentes do que parlamentares e políticos de diversos matizes são  as empreiteiras também  envolvidas na lambança. Só depende da Justiça, mas quanto mais ela tarde, mais crescerá a hipótese de tudo terminar em pizza. Daqui ao fim do ano vive-se um momento  crucial: caso cheguem as prolongadas férias do Judiciário sem revelações e ações efetivas, melhor virar mais uma página da farsa das impunidades.

2 thoughts on ““Perdi porque meu adversário teve mais votos do que eu”

  1. Carlos Chagas, na disputa entre Jango e Milton Campos, podia-se conferir
    os votos, havia-se certeza de quem ganhou. Hoje com essas urnas eletrônicas, sem comprovante de voto, tudo pode acontecer. Pode não ter havido fraude
    nessas eleições, mas porque decretar horário de verão na véspera das eleições,
    que permitisse a argumentação para só publicar o resultado depois de 95% das
    urnas eletrônicas serem apuradas secretamente, dando a vitória a Dilma com uma pequena margem e os 5% que faltavam a maioria das urnas eram do Norte e Nordeste?
    Conforme disse o Carlos Newton, não houve teste de segurança das urnas. É a primeira
    vez na história dessa urna eletrônica que não publicam os boletins passo a passo de imediato, como fizeram em relação aos governadores de Estado, poderiam sim para maior transparência publicar os boletins juntamento, bastava fazer reajuste no horário de verão.

  2. Sei não…
    Assimilar esse nocaute eleitoral não vai ser fácil para milhões de brasileiros que esperavam, como esperam, que alguns lutem, briguem por eles, por uma gestão nacional feita com competência o que não é caso da presidente reeleita… por coisa de 3 milhões de votos de diferença, o senhor Aécio, representando a MUDANÇA ,que levou milhões às ruas, não se concretizou exatamente por causa da covardia, ou da esmola da Bolsa Parasita…
    Em termos de covardia, temos o pódio reservado para os mineiros…
    Um detalhe que deve ser levado em consideração pelo distinto público, é o da secessão, que poderá crescer, se o PT insistir no jogo da divisão que já aconteceu entre os brasileiros. Não adianta o Partido dos Trabalhadores falar de união da boca para fora,,,
    Sobre a possibilidade da divisão, o jornalista Jorge Serrão, do blog Alerta Total, já mostra o mapa do Brasil dividido entre a República Popular do Brasil – reunindo os estados do norte e nordeste – e os Estados Unidos da América do Sul – elencados pelos estados do sudoeste e sul do país…
    Como o blefe num jogo de pôquer, é aguardar e pagar para ver…

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