Pergunta das ruas: Dilma chega ao final do mandato?

Pedro do Coutto

No espaço de ocupa brilhantemente no Globo e na Folha de São Paulo, Elio Gaspari coloca a questão essencial, traduzindo a pergunta que está nas ruas, nos locais de trabalho, nos restaurantes e nas áreas de lazer, na cabeça do povo, portanto, se Dilma Rousseff chega ou não ao final do mandato? Na minha opinião, depende dela própria e não dos outros em quem confia, porque, em seis meses de governo sua queda de popularidade impressiona pelos números levantados pelo Datafolha e pelo Ibope. A questão política, assim, mais uma vez se desloca para a opinião pública, rompendo os limites que envolvem o gabinete presidencial em Brasília.

Na edição de sábado, Folha de São Paulo, Valdo Cruz, Natuza Nery e Marina Dias focalizaram a iniciativa da presidente da República no sentido de liberar cargos e verbas para conter a fonte da crise entre o Executivo e o PMDB. Não é por aí, isso não funciona da prática, além de desgastar mais o próprio poder. Que representa tal atitude? Uma troca irresponsável de uma coisa por outra, como se tal caminho representasse uma solução concreta. Não representa.

DESAFIO COMPLEXO

A indagação de Gaspari na edição de ontem, domingo, permanece no panorama como um desafio político dos mais complexos. Complexo porque, na verdade, sem o respaldo da população, os governos não caminham e terminam se deslocando para crises de alta intensidade. Foi o caso de Vargas em 54, de seu vice Café Filho em 55, de Jânio Quadros em 61, de João Goulart em 64, até o de Costa e Silva em 69, depois da assinatura do Ato Institucional nº5, que representou em dezembro de 68, uma ruptura total com a democracia brasileira.

Todos esses desfechos comprovam para uma realidade: quando os governos perdem a opinião pública, terminam perdendo poder. Nessa sucessão de crises, deve-se acrescentar a mais traumática de todas para o país, que foi o impeachment de Fernando Collor em 92. O desabamento de Collor teve origem na corrupção, a qual lhe retirou o apoio que havia alcançado nas urnas. Sob o aspecto criminal, terminou julgado e absolvido pelo Supremo tribunal federal por cinco votos a três, porém politicamente antes deste desfecho foi condenado maciçamente pela opinião pública.

SEM SUSTENTAÇÃO

Não são poucos os exemplos, portanto, os de presidentes que não completaram os mandatos. Todos eles caíram por falta de sustentação popular. Eu disse que chegar ou não ao final do governo depende exclusivamente de Dilma Rousseff. Isso porque a responsabilidades dos atos e compromissos do governo cabe-lhe integralmente, uma vez que o exercício do poder é intransferível. Não adianta tentar dividi-lo por setores, porque simplesmente o conjunto não pode ser igual à soma das partes. A soma das partes é importante, mas o movimento delas tem que funcionar coordenadamente. A descoordenação é visível no Palácio do Planalto. O governo não possui um projeto definido, tanto assim que, de um lado, fala em conter gastos públicos, de outro aumenta a dívida interna do país em um trilhão de reais, e insiste em manter 38 ministérios entre os quais aqueles que exercem, ou deveriam exercer, funções convergentes. É o caso dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, para ficarmos apenas neste exemplo.

CONTRADIÇÕES

Como se todos esse fatos não bastassem, ainda temos que incluir, para efeito de reflexo popular, o contraste entre os compromissos da campanha eleitoral e as ações de governo. Umas chocam-se frontalmente com as outras, razão pela qual a opinião pública, perplexa, retira seu apoio ao Planalto, no momento presente, além de desconfiar de mais efeitos negativos no futuro. Isso de um lado. De outro o fato de as pesquisas do Datafolha e Ibope, Respectivamente apresentarem visões populares extremamente negativas , tanto para o governo, quanto para a presidente.

Aconteceram e foram divulgadas antes da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa. Assim, depois dela o panorama só pode ter piorado para o Executivo. Sinal de que uma tempestade encontra-se bastante próxima. Dilma Rousseff precisa mudar de atuação com urgência absoluta. Caso contrário, ela poderá terminar perdendo o combate que trava contra si própria. No fundo, vejam só, ela de fato não acredita no êxito da política econômica colocada a sua mesa pela equipe liderada pelo ministro Joaquim Levy. Se acreditasse, não necessitaria de recorrer à liberação de verbas e cargos para mantê-la.

5 thoughts on “Pergunta das ruas: Dilma chega ao final do mandato?

  1. A troca de cargos e verbas por apoio político é conseqüência do modo em que o governo e o legislativo entendem o famoso “presidencialismo de coalizão”, que se transformou num mercado aberto de dinheiro e influência onde um lado nem sempre cumpre as promessas de liberação nem o outro mantém a ilusória fidelidade que deveria ser comprada pelo primeiro. Por isso o executivo não tem coragem de cortar os ministérios desnecessários e redundantes. O grande problema é que chega a um ponto em que o executivo não tem mais verbas para liberar e nem mais cargos para dar. É o desenvolvimento clássico de uma chantagem: você paga pela primeira vez ao chantagista e depois não tem mais jeito de parar de pagar.
    Parecia que funcionava muito bem enquanto era possível manter a população satisfeita com o pleno emprego, o bolsa família e o aumento real do salário mínimo ( e dane-se para a sustentabilidade do modelo, onde só quem era incompetente, ou pior, não queria, não via que ele se esgotaria sem ter feito nada pela sustentabilidade da demanda e da oferta).
    Agora que a arrecadação diminui, a inflação sobe, e o governo corta despesas por falta de caixa, deixa cada vez mais de investir e aumenta impostos, a popularidade se derrete e a vaca vai pro brejo, enquanto os partidos fazem tudo para continuar mamando nas tetas públicas, ou melhor, no nosso bolso.

  2. A Dilma vai ao fim do mandato e talvez ainda eleja o Lulla mais uma vez. Agora, ninguém quer o espólio falido para governor e daqui a trez anos, nem Deus sabe o que vai acontecer pois o povo tem memória curta. O partido capacho vai continuar dando apoio em troca do quinto escalão e a oposição já está aposentada.

  3. O jornalista Elio Gaspari, foi um dos muitos, que se “encantou” com o modo como o PT do lula passou a
    governar o pais.
    Dizia que o “andar de baixo”, estava subido rapidamente, pelo elevador social, do edifício então construído
    pelo socialismo sindicalista.
    Agora passa a questionar se a Dilma terá fôlego para aguentar o mergulho nas águas da impopularidade.
    A resposta esta justamente em quem durante todo este tempo sustentou o PT. O PMDB. Basta que os caciques peemedebistas resolvam que sera o substituto e a Dilma cai. Motivos tem de sobra.
    A economia esta em frangalhos, a situação política também esta indo para o vinagre. Resta a Dilma uma,
    uma saída honrosa(se ainda for possível), imitar o primeiro ministro grego e convocar um plebiscito, per-
    guntando. querem que eu fique ou saia? Como a resposta sera obviamente pela saída, ela discretamente
    pede o boné e se manda. Larga o pepino para os outros. É bem fácil.

  4. DIGO E REPITO: O PROBLEMA DESSA PRESIDANTA SACRIPANTA É ANTES DE MAIS NADA PATOLÓGICO.
    ESSA MULHER SÓ VAI SAIR DO PALÁCIO DO PLANALTO DE UMA DE 2 MANEIRAS:
    1) DE PÉS JUNTOS NUM CAIXÃO OU
    2) DENTRO DE UMA CAMISA DE FORÇA COM PELOS 5 BRUCUTUS TIRANDO A ANTA A FORÇA.

    E DIGO MAIS, ESSA ANTA É MAIS APEGADA AO PODER QUE CARRAPATO EM LOMBO DE CAVALO. ATÉ MESMO O SAPO BARBUDO OU MULLA 9 DEDOS PARA OS INTÍMOS AFINOU PARA A GERENTONA MANDONA:
    NÃO TEVE CORAGEM DE IMPOR SUA CANDIDATURA , NA VERDADE ELE MORRE DE MEDO DELA!
    E FICA A GRANDE QUESTÃO:
    SE O MULLA 9 DEDOS MORRE DE MEDO DELA O POVO ESTÁ MORRENDO DE QUE?
    COM CERTEZA DE ÓDIO E SERÁ QUE VAI AGUENTAR ATÉ 2018?
    DEIXA ELA, MARIA ANTONIETA TAMBÉM PENSAVA QUE ERA ETERNA.
    E A RESPEITO DA COMPARAÇÃO DOS DELATORES COM A INCONFIDÊNCIA MINEIRA, DILMA COM CERTEZA ESTÁ MUITO MAIS PARA MARIA I, A LOUCA, DO QUE PARA TIRADENTES.

  5. Os brasileiros de boa fé vão escurraçar os petralhas e simpatizantes da política brasileira. É chegada a hora do cidadão se fazer presente e todos os dirigentes petistas não podem mais frequentar locais públicos sem serem avacalhados. O farsante mor conclama seu exército de mercenários e ignorantes a defender esse que é o mais nefasto e corrupto governo da história deste país. Bota a cara luizináçu! Tome a frente e vá as ruas liderar sua tropa! Tens coragem?

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