Perguntas sem resposta

Carlos Chagas

Tudo so dvidas, na crise da roubalheira de Braslia. Quanto tempo levar o Supremo Tribunal Federal para decidir se o governador Jos Roberto Arruda fica preso ou deve ser libertado?

O plenrio da mais alta corte nacional de justia ir pronunciar-se quarta-feira, sobre o habeas-corpus negado liminarmente na sexta-feira passada?

Ou a deciso ser tomada a conta-gotas, no prazo de trinta dias estabelecido em lei, mantendo-se assim Arruda atrs das grades?

Caso libertado, e quando libertado, o governador licenciado reassumir suas funes, como seria de seu Direito?

A renncia de Arruda seria objeto de negociaes de seus advogados com o Supremo, condio essencial para ele poder ir para casa? E se o indigitado governador fincar p e decidir em definitivo que no renuncia, ficar preso at o final de seu mandato? Ou reassumir?

O vice-governador em exerccio, Paulo Octvio, ter seus diversos pedidos de impeachment considerados pela Cmara Legislativa ou, como aconteceu com Jos Roberto Arruda, a maioria dos deputados distritais far corpo mole, no apreciando ou at rejeitando o impedimento?

Ter o Superior Tribunal de Justia mecanismos legais e vontade poltica para afastar Paulo Octvio, como afastou Arruda? Nesse caso, assumiria o presidente da Cmara Legislativa, outro aliado do governador? E o Supremo Tribunal Federal, instncia definitiva, receberia novos pedidos de habeas-corpus?

Quanto decretao de interveno federal em Braslia, endossada pelo presidente Lula atravs da ao do Procurador Geral da Repblica, seria negada de pronto pelo presidente do Supremo Tribunal Federal? Ou ganharia o plenrio, arrastando-se a deciso por diversas semanas?

No caso de concedida a interveno federal, quem o presidente Lula indicaria ao Congresso, obrigado a pronunciar-se? O ex-deputado Sigmaringa Seixas,o ex-ministro do Supremo, Seplveda Pertence ou o ministro da Defesa, Nelson Jobim? Nenhum deles, mas um candidato a interventor ainda desconhecido? E se o Congresso negasse a designao e a prpria interveno?

Se aprovada por deputados e senadores em sesso conjunta, enquanto durasse a interveno, provavelmente at 31 de dezembro, estaria o Congresso impedido de alterar a Constituio? Existem propostas julgadas imprescindveis, na pauta dos trabalhos parlamentares?

No meio dessa confuso, haver tranqilidade poltica para a realizao das eleies de outubro? Ou… (cala-te, boca)

Exageros

No deixa de ser meio ridcula essa presena macia dos candidatos presidncia da Repblica em camarotes, palanques e asfaltos diversos, em diversas capitais do pais, sob o pretexto de brincarem o Carnaval. De Recife a Salvador, do Rio de Janeiro a So Paulo, Jos Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes e at Marina Silva desdobram-se em saudar e confraternizar com a multido, ensaiando passinhos descoordenados e apresentando-se meio fantasiados, com chapus de cangaceiro e sucedneos.

Bem fez o presidente Lula em cancelar sua presena nos desfiles e permanecer entocaiado no palcio da Alvorada. Isso se no tiver cedido tentao de, ltima hora, aparecer para desnecessariamente testar sua popularidade. No precisa, a menos que o Sambdromo carioca tenha decidido fazer as vezes do Maracan de Nelson Rodrigues, que vaiava at minuto de silncio.

Mas os candidatos, aqui para ns, deveriam ter permanecido em cone de sombra, quem sabe dando os ltimos retoques a seus ainda desconhecidos planos e programas de governo. Adianta pouco dizer que o brasileiro diferente, que adora quanto seus dolos misturam-se aos blocos, escolas de samba e sucedneos. Porque no . Pelo menos no Carnaval, o eleitor deveria ser deixado em paz.

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