Perspectivas futuras

Carlos Chagas

Caso Dilma Rousseff vença a eleição, em outubro, muito pouca coisa mudará. Mesmo com outros personagens, seu ministério seguirá na  linha do atual, voltado para as obras do PAC e atento à necessidade de realizações no plano social. Seu governo manterá maioria no Congresso, nas  proporções atuais, continuando o PT a ocupar funções de destaque, ainda que sem governadores nos principais estados, pelo menos conforme as pesquisas vem indicando.

A oposição de tucanos e democratas provavelmente começará esmaecida, à espera de atos e fatos negativos que todo governo fornece com o passar do tempo. O já então ex-presidente Lula, querendo ou não, constituirá um ponto de referência permanente, cuidando para conter-se diante da imprensa, que com toda certeza não o deixará  em paz.

No reverso da medalha, se José Serra tornar-se presidente da República?  Engana-se quem supuser uma volta aos tempos e aos costumes de Fernando Henrique Cardoso, ainda que  personagens daqueles idos possam ser repetidos. Mas nada de neoliberalismo exacerbado,  muito menos de novas privatizações ou alinhamento automático com os Estados Unidos.  É possível que banqueiros e especuladores não se sintam tão à vontade quanto nos últimos dezesseis anos. Com relação  à maioria parlamentar, também estará garantida, pelos mesmos  motivos que estaria com Dilma Rousseff, ou seja, por obra e graça do PMDB.

Já em termos de oposição, será diferente. O PT voltará ao período de  intransigência dos seus primeiros anos,  reforçado pela CUT e movimentos sindicais afins, com destaque para o MST. Vão todos recuperar o tempo perdido, tentando  obter resultados  que não obtiveram nos dois mandatos do Lula,  igualmente uma espécie de pólo aglutinador das oposições. E, sem dúvida, candidato a retornar em 2014.

Preocupação

Continuando as coisas como vão, dificilmente o  PT elegerá os governadores do Sul e do Sudeste, ficando as demais regiões  para analisar outro dia. Os companheiros candidatos, se não houver uma reviravolta,  devem perder no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio, Minas e Espírito Santo.

Há preocupação entre as lideranças petistas, tendo em vista a evidência de que diminuirão, também, suas bancadas desses estados, no Congresso. A única forma de contrabalançar a diminuição seria o presidente Lula mergulhar de cabeça na campanha, que sendo de Dilma, abarcaria também os candidatos a  governador, deputado e senador. Disposição para a tarefa ele tem, até já se aventou a hipótese de licenciar-se por dois meses, antes de outubro. Resta saber se existirão condições, porque um presidente da República exerce suas funções em tempo integral, instalado ou não no palácio do Planalto.

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