Pesquisa do IBGE sobre desemprego é estranha e requer estudo mais profundo

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagens de Daiane Costa, O Globo, Daniela Amorim, O Estado de São Paulo, e Luca Vetorazo, Folha de São Paulo, edições deste sábado, destacam a pesquisa divulgada pelo IBGE apontando uma queda de 0,7% num índice de desemprego registrada no segundo trimestre deste ano. Para o Instituto, cerca de 700 mil empregos foram preenchidos em três meses por contratos informais de trabalho como em salões de beleza, transporte de passageiros pelo UBER e até criação de pequenos negócios. O coordenador do trabalho do IBGE, Cimar Azevedo, apresentou os dados como sucesso da política econômica.

Essa visão, a meu ver superficial, necessita um estudo mais aprofundado. Não só para confirmar os 700 mil empregos assinalados, mas também para verificar se eles se encontram dentro da renda média brasileira que oscila em torno de 2.500 reais mensais. Isso porque se os 700 mil empregos constituem uma verdade, a outra face pode expor que eles surgiram em decorrência da oferta de salários muito menor do que os que formam a renda média brasileira.

INFORMALIDADE – Entretanto, a informalidade dos empregos traz consigo a não contribuição de empregados e empregadores para o INSS e também a não contribuição dos empregadores para o FGTS. Mas esta é outra questão. Até porque, em muitos casos de empregos informais, os trabalhadores recolhem seu próprio INSS para terem direito a aposentadoria no futuro. É o caso também de grande número de profissões liberais.

No entanto, vale assinalar que a contribuição dos empregados por si próprios, ou dos profissionais liberais, estão restritas ao máximo de 11% ao mês sobre o teto previdenciário até o teto de 5.500 reais.

A parte do empregador, que fica fora da informalidade, mas incidiria sobre a carteira assinada, é de 20% sobre a folha de salários sem limite. Um exemplo concreto: se alguém, como foi o caso de José Bonifácio Oliveira, quando diretor Geral da Rede Globo, ganhava, digamos, R$ 1 milhão por mês, sua contribuição é de 11% sobre 5.500 reais. Mas a Rede Globo recolhia 200.000 reais, cumprindo sua parte de empregadora.

PONTO A PONTO – Verifica-se, com base nesse quadro, que o panorama dos contratos de trabalho e seus reflexos é complicado. É preciso analisar a questão geral ponto por ponto. E na informalidade uma coisa é absolutamente certa: não há direito a férias remuneradas, não há direito ao FGTS, e aposentadoria futura será fixada com base na contribuição feita pelo empregado.

Porém, deixando de lado os aspectos sociais legais da matéria , e também a visão sobre a ocorrência de renda média inferior a 2.500 reais, existe ainda uma outra questão. Qual foi o sistema utilizado pela Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio que levou o IBGE à conclusão de que no período de abril, maio e junho aconteceu o preenchimento de 700 mil empregos informais?

Não estou com isso querendo dizer que a pesquisa resulte de uma farsa. Mas, como muitas pessoas, eu gostaria que o IBGE apresentasse dados concretos, visíveis em relação à pergunta.

 

INFORMALIDADE – Obrigatoriamente teve de ser realizado um sistema lógico para conduzir ao resultado encontrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Uma das formas de comprovação, no caso dos 700 mil empregos, deve encontrar-se no aumento de renda ocorrido em consequência. O aumento de renda pode ter sido aplicado no consumo em geral e no pagamento de dívidas. Seu registro terá que aparecer numa dessas duas opções.

Por falar em opção, a Revista Veja que se encontra nas bancas, na coluna Radar, revela que na primeira quinzena de julho o Copacabana Palace viu-se compelido a demitir cem empregados. No primeiro instante, ficaram sem opção. Porém agora com base na tendência levantada pelo IBGE, talvez ingressem na informalidade. Vamos ver.

10 thoughts on “Pesquisa do IBGE sobre desemprego é estranha e requer estudo mais profundo

  1. A única forma de Temer sair seria se alguém convencesse o Maia a aceitar o impeachment feito pela OAB. Pois isso levaria muito tempo e para encurtar o processo teriam que aceitar a 2ª denúncia que será feita por Janot.

    Mas quem pode convencer Rodrigo Maia a aceitar o pedido de impeachment ?!?!

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, analisa os dados do IBGE de que o DESEMPREGO deu bom recuo no 2º Trimestre 2017, com a criação de +- 700.000 Postos de Trabalho, mesmo sendo a maioria de “Contratos Informais”. Requer clarificação.
    Agora, uma coisa é certa, estamos saindo lentamente do fundo do poço, com crescimento da Indústria de 4% também no 2º Trimestre, depois de 2 1/2 Anos de retração. Muitos outros dados também apontam para lenta recuperação.
    Devido as turbulências Políticas, INCERTEZAS, a recuperação é lenta e comprida, mas é melhor do que se estava antes.

    A nosso ver, para a Economia, apesar de tudo, é melhor que o Governo TEMER (75) PMDB-Base Aliada, vá até o fim ( 31 Dez 2018).

  3. Caro Pedro do Couto, também estranhei, o IBG, tem apresentado uma lisura, merecendo crédito, será que Temer oso, já meteu o bedelho, para a hipocrisia governamental, caberia um pedido pela Lei da Transparência? para que o IBGE, mostra-se a verdade, acabando com a duvida? Em minha Cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes, o novo prefeito botou mil empregados no olho da rua, substituido-os politicagemente, por outros cidadãos de outros municipios, em fim uma esculhabação, esse sistema pornografico, que o Brasil, estuprado vive ou sobrevive,
    3 podres poderes, exceto a Presidente do stf, os outros, super acusados de roiubo do cofre público, a nos envergona perante o Mundo, realmente um País de bananas, em que os criminosos do alto escalão, gozam de privilègios imorais, e só os 3Ps, pobre, preto e puta, pega “cana”, estou com 88 anos, e nunca ví tanta podridão na administração pública.
    Brasil, só crescerá, quando a recomendação de Confúcio a 3 mil, se concretizar: Uma Nação se faz com Escola, que ensine,aculturando o povo em sua Cidadania, analfabtismo, ou semi, é instrumento do curral eleitoral do voto obrigatório da santa ignorãncia.
    Que Deus nos acuda!

  4. Claro ! É a nova lógica da revogação da Lei Áurea , vulgo reforma trabalhista.
    Os trabalhadores viraram tarefeiros , o Bradesco e a Caixa já estão com PDV , para recontratarem os funcionários apenas os 10 primeiros dias do mês…..
    Haja Uber para absorver tantos tarefeiros quando eles estiverem” descansando ” .

    • A Reforma Trabalhista era tudo o que o Grande Capital esperava. A escravização formal do pobre e explorado trabalhador.
      Nem Marx poderia prever tamanha barbárie.
      O presidente Temer será conhecido historicamente por ter destruído de uma vez por todas com os direitos trabalhistas.

    • PRK 30,
      O sistema Uber não consegue absorver tamanha demanda…
      Haja vista a competição entre si e com os taxistas tradicionais, competição esta que leva, inclusive, à morte destes trabalhadores. Sem falar das condições precárias de terceirização desse serviço.
      Infelizmente o prognóstico é o pior possível…

  5. Agradeço a Deus, a chegada da Uber.
    Mesmo sendo muito concorrido, tem dado para “safar” a onça, já que outra vez, fecharam a Construção Naval, mandando nossas obras para o exterior.

  6. Prezado Prof. ANTONIO ROCHA,

    Sou apenas um estudioso da Economia Política, “Ciência”, mais Arte, que comanda nossa Vida Econômica.
    Essa “Ciência”, que é mais Arte, nos diz que TUDO o que promove a geração de CAPITAL e atração de CAPITAL para nosso País, é Correto, TUDO que promove evasão de Capital para fora, é Errado.
    Infelizmente a Economia será cada vez mais Globalizada, e se um País cria Leis Trabalhistas muito Rígidas, os Capitais simplesmente se deslocam para Países que tem Leis Trabalhistas Simples, como a China, Vietnam, agora Cuba com sua 1ª Zona de Processamento Industrial de Mariel, etc,etc.
    Ou nós +- acompanhamos a média Mundial ou geraremos cada vez menos Emprego.
    Abração.

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