Pesquisa esperada com ansiedade

Carlos Chagas

Outra vez os números vão falar. Esta semana será divulgada nova pesquisa CNI-Ibope, com as atenções maiores voltadas para o resultado de duas consultas: a alta popularidade da presidente Dilma terá crescido, continua na mesma ou caiu alguns percentuais? E Fernando Haddad, conseguiu romper a barreira dos 3% nas preferências dos paulistanos para a prefeitura?

Mais importante do que registrar a vitória indiscutível de José Serra nas prévias tucanas, cujos 52 % seus adversários denigrem gratuitamente, será saber se o companheiro imposto pelo Lula começou a crescer ou fica na perigosa faixa capaz de obrigá-lo à desistência.

Tem sido preocupante a coincidência entre a grave doença do ex-presidente e sua lenta recuperação, de um lado, e a incapacidade do ex-ministro da Educação de voar sozinho, de outro. Mesmo assim, caso tendo o candidato do PT crescido alguns pontos, haverá esperança da celebração de alianças com partidos afins. No reverso da medalha, se permanecer onde está, a luz no semáforo postado na frente do Ibirapuera começará a passar de amarela para vermelha.

Quanto à presidente da República, mantendo a aprovação popular verificada na consulta mais recente, terá recebido profundo alento para continuar em sua luta contra o fisiologismo e as pressões dos partidos de sua base parlamentar.

Estando na Índia, receberá os números sob a proteção da memória de Mahatma Gandhi, quem sabe optando em definitivo pela não violência, ainda que também pela firmeza na resistência e na rejeição de quantos gostariam de colonizar seu governo. Resta aguardar as próximas horas e a divulgação da pesquisa, sempre tendo presente, é óbvio, que pesquisa não ganha eleição, exprime apenas um momento de longo processo e costuma revelar o sabor dos ventos.

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UM GOVERNADOR FELIZ

Mais do que José Serra depois das prévias no PSDB, estará feliz o governador Geraldo Alckmin. Primeiro, porque uma possível eleição do candidato a prefeito afastará para bem longe a hipótese de sua candidatura presidencial. Sobrará Aécio Neves, no ninho, mas se algum inusitado afastá-lo, dúvidas inexistem: Alckmin o substituirá, sem a sombra de Serra atingi-lo. Depois, porque a alternativa da reeleição do atual governador insere-se como natural na equação tucana.

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DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Aumentou a pressão dos Estados Unidos e aliados nucleares contra a Coréia do Norte e o Irã, proibidos de possuir a bomba. Se insistirem, os coreanos ficarão sem comida e os iranianos a um passo dos ataques de Israel. O problema é que além dos americanos, detém artefatos nucleares Inglaterra,  França, Índia, Paquistão, China, Rússia e Israel.

A quinze minutos de deter o mesmo poder encontram-se a Alemanha e o Japão, apesar das cortinas-de-fumaça pacifistas que taticamente levantam. A pergunta é sobre o que aconteceria caso o Brasil decidisse seguir as lições do saudoso ex-vice-presidente da República, José Alencar, para quem deveríamos perseguir o mesmo objetivo, sem resistências nem impedimentos. Se os outros podem, por que não poderíamos, como potência emergente?

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ESQUECENDO O FUTURO

Ataca novamente o senador Aécio Neves. Insurgiu-se, ontem, contra os cortes promovidos nas áreas de pesquisa, ciência e tecnologia, como protestaram em manifesto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Confederação Nacional da Indústria, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas e a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica.

Dos parcos 6,7 bilhões previstos no orçamento, foi decretado o corte de 1,5 bilhão. O governo, para o ex-governador de Minas, está desconsiderando o futuro. Não bastam os investimentos em infraestrutura, tornando-se necessário preparar o capital humano. Em seu entender, a presidente Dilma ignora a dimensão do desafio apresentado para o país.

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