Pesquisadora condena mitos existentes sobre adoção de crianças

Júlia de Aquino
Site da UERJ

Mãe adotiva há mais de duas décadas, Ana Perez Pacheco escolheu o tema “adoção” para concluir seu mestrado em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da UERJ, em 2008. A dissertação, contudo, abrange diversos aspectos acerca do assunto, como a reflexão sobre uma possível adoção aberta e sobre a situação da mãe doadora. Além disso, sinaliza para a importância de uma discussão sobre mitos e preconceitos que cercam o tema.

Para a autora, é essencial reconhecer as diferenças econômicas e culturais existentes entre as duas famílias (biológica e adotiva), para, a partir daí, buscar uma adoção aberta, sempre privilegiando os interesses da criança. Segundo Ana, “a necessidade da verdade envolve não só o fato de se revelar à criança adotiva a sua condição, mas principalmente a possibilidade de se lidar com esta condição de forma cristalina”.

MÃES INVISÍVEIS

Em sua análise, ela expõe que a as mães que doam seus filhos são consideradas invisíveis, apesar de nosso sistema ainda enxergar os laços de sangue como prioridade. A expressão “luto não franqueado” está relacionada ao luto vivido por essas mulheres, que por inúmeras razões optam pelo caminho da doação de seus filhos e  acabam sendo marginalizadas. O estudo aponta que o conceito de “abandono” é tratado de forma equivocada, já que em muitas situações a “entrega” (termo mais utilizado nesses casos) está relacionada ao sentimento de amor.

Mitos também contribuem para que o assunto, ainda hoje, seja considerado um tabu. Muitos enxergam a adoção como um ato de caridade. Também há a crença infundada no risco de um suposto desvio de caráter genético do indivíduo adotado, além de outros mitos como o da rejeição por parte da criança no momento em que ela souber sobre sua verdadeira origem. Tantas crenças, segundo a autora, têm alicerce nos dogmas sociais e no senso comum, já que o Ocidente não trata do assunto com naturalidade: “A adoção é algo que foge ao ‘natural’ da cultura ocidental moderna, fincada na tradição da família consanguínea”.

A pesquisa relembra, por fim, a importância da implantação de políticas de governo e de ações comunitárias para se estimular a adoção consciente, além do apoio a diversos tipos de relação, como a homoafetiva e a socioafetiva, por exemplo. Segundo a pesquisa, “as novas configurações familiares trazem consigo também novas possibilidades de adoção”.

 

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