Petistas e tucanos precisam “explicar” a quem o conservadorismo pode fazer mal

Charge O Tempo 29/01/2018 | O TEMPO

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Percival Puggina

Sempre me chamou a atenção o modo como tantos analistas observam as posições do governo federal e de seus membros mais falantes e os acusam de serem “petistas com sinal trocado”. Verdade que durante as últimas duas décadas o vaivém do balanço da política emperrou do lado esquerdo. Subiu e manteve no alto seus tripulantes. Fernando Henrique e Lula, quem não sabia ficou sabendo, eram “inimigos” íntimos e a rivalidade entre seus torcedores, uma construção engenhosa e embusteira.

As relações entre os dois principais líderes da política brasileira no período produziriam excelente conteúdo para um drama recheado de conflitos shakespearianos.

AUTOIMITADORES – Lula gostaria de ter sido FHC e este gostaria de ter sido Lula. Aquele nutre indisfarçável sentimento de inferioridade em relação ao tucano. Este gostaria de posar como líder popular. No entanto, ambos convergem na destruição do conservadorismo, inimigo comum que tinham como totalmente derrotado por WO na guerra cultural.

Para que parcela significativa da população compreendesse a transformação a que fora submetida, foi necessário que o “progressismo” da esquerda operasse no poder durante duas décadas e produzisse terrível estrago nas relações em sociedade e na ordem social. Por fim, foi necessário que se despisse inteiro ante os olhos de todos e ensaiasse os próximos passos em propostas legislativas ainda mais perniciosas.

Desde o começo do novo governo, qualquer passo na direção desejada pela maioria do eleitorado, como por exemplo a substituição de alguns donos das posições de mando, natural à alternância do poder político, era atacado como radicalismo e intolerância. A vitória dos conservadores era aceitável, desde que tudo ficasse como estava. Acusava-se o novo governo de fazer o que fora eleito para fazer.

GUERRA AOS CONSERVADORES – O conjunto de siglas partidárias, a miríade de organizações da sociedade, o imenso aparelho esquerdista nos poderes de Estado, e boa parte dos grandes meios de comunicação, passaram a agir com um roteiro bem definido: guerra total aos conservadores e à penetração do conservadorismo na sociedade.

O coronavírus abriu enorme espaço para o autoritarismo e para a concentração de poder político. Governadores, prefeitos, presidentes de legislativos e órgãos colegiados foram favorecidos pelos plenários vazios, pelos conchavos “in vitro” e reuniões “em vídeo”. Ele também desacelerou uma agenda em desenvolvimento havia alguns meses no sentido de iniciar a formação de um movimento conservador no Brasil. As “lives”, hoje em voga, não substituem os plenários e auditórios porque não proporcionam as mesmas possibilidades de agregação e articulação dos colóquios, encontros, congressos.

Quando se abrirem os currais da pandemia estaremos na arrancada das eleições de novembro. No curto prazo, esse voto é nossa principal arma para proteger nossa cultura, nossos valores e nossa fé da corrosão a que foram submetidos durante tanto tempo. Hoje são vulneráveis à intolerância das estruturas de poder preexistentes, mediante intimidações, censura, demissões e prisão.

10 thoughts on “Petistas e tucanos precisam “explicar” a quem o conservadorismo pode fazer mal

  1. O que é conservadorismo? O autor do texto deveria explicar o que ele entende por isso? Conservadorismo é manter o status quo? Esses artigos são muito pobres em explicar.

  2. Passei a vida quase toda com os “conservadores” e “revolucionários” me ensinando erradamente o que era conservadorismo. E diziam até que o método científico era revolucionário e não conservador. Mas eu via a história da ciência boa, sempre como uma conservação e aceitação de idéias novas apenas com boa argumentação e muito convencimento racional. Mas aprendi em vivência o que é conservadorismo quando vi o inventor da web, Donald Knuth, dar uma aula no KTH com o giz branco. Conservadorismo é o seguinte: conservar o velho e o novo juntos, e só se desfazer do velho quando ficar realmente provado que deve ser substituído. É o que fazem na Suécia.

  3. O conservadorismo é, anti-humanista.
    Um conservador que pega a Constituição para ler é incapaz de fazer uma interpretação sistemática de seu conteúdo.
    Muito conservador que conheço e se meteram a fazer direito, são os que mais ficam reprovados na OAB.

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