Petistas viajaram em avião de Bené, o amigo de Pimentel

Deputado Gabriel Guimarães , no centro (de branco), abraçado a seu pai

Andréia Sadi
Folha

Aliados do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), viajaram no avião do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, na véspera da ação da Polícia Federal em que foram apreendidos R$ 113 mil suspeitos no bimotor, em outubro do ano passado.

Voaram na aeronave o deputado federal Gabriel Guimarães (PT-MG) e seu pai, o ex-deputado federal petista Virgílio Guimarães. Tanto Virgílio como Gabriel foram cabos eleitorais de Pimentel na campanha de 2014.

Nesta sexta-feira (29), a PF prendeu Bené sob suspeita de associação criminosa. Ele é amigo do governador de Minas e ligado ao PT.

A ligação de Bené com Pimentel cresceu a partir de 2012, quando o petista se separou da primeira mulher e iniciou namoro com Carolina. Benedito e sua mulher se tornaram companhias frequentes de Pimentel e Carolina.

SOCIEDADE DISSIMULADA

A polícia suspeita ainda que Bené tenha uma ”sociedade dissimulada” com Virgílio Guimarães. Para a PF, o ex-deputado recebeu pelo menos R$ 750 mil de Bené. Numa das mensagens interceptadas pela PF, Bené diz a Virgílio: “O cheque de 200 [mil] deve ter voltado. Pode pedir pra reapresentar”.

Virgílio foi apontado nas investigações do mensalão como o parlamentar que introduziu o publicitário Marcos Valério de Souza nos círculos do PT para operar um caixa dois que serviu para pagar uma espécie de mesada para a base aliada.

Valério, que operava um esquema similar em Minas para o PSDB, segundo investigações da PF, foi condenado a 40 anos de prisão por conta do mensalão.

OUTRO LADO

O deputado Gabriel Guimarães (PT-MG) confirmou ter viajado no avião do empresário Benedito Oliveira e disse que foi ao município mineiro de Curvelo agradecer os votos que recebeu na eleição para a Câmara.

No dia seguinte ao voo realizado pelo parlamentar, a Polícia Federal fez uma apreensão de R$ 113 mil em dinheiro vivo na mesma aeronave, em Brasília –na ocasião estavam presentes Benedito, o Bené, e Marcier Moreira, que já foi assessor do Ministério das Cidades, pasta controlada pelo PP.

Indagado sobre o uso do avião de Bené, Guimarães disse que o voo foi cedido. “O avião foi empréstimo em um período fora da minha eleição”. O resultado da disputa eleitoral ocorrera na véspera.

O deputado não soube informar se usou o avião de Bené durante a campanha. “Tenho que checar.” Guimarães disse ainda não achar estranho que o mesmo avião, no dia seguinte, tenha sido alvo de ação da PF.

A reportagem pediu a Guimarães que ele fizesse o reconhecimento das demais pessoas que aparecem na foto, além dele e de seu pai.

O petista identificou um dos passageiros (homem na escada do bimotor) como seu primo. O outro homem, que abraça o deputado na imagem, seria uma “pessoa de Curvelo” da comitiva que foi recepcioná-los.

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