Petrobrás deve 106 bilhões de dólares e vende ativos para pagar 15%

Pedro do Coutto

Reportagem de Gabriela Valente, Geralda Doca e Bruno Rosa, O Globo edição de segunda-feira, revela que a Petrobrás vai colocar à venda 49% da Gaspetro e também negociar a BR Distribuidora com setores privados, a fim de reduzir, na fração de praticamente 15%, o total de sua dívida, que se eleva a 106 bilhões de dólares. Observa-se assim que o governo Dilma Rousseff inicia um roteiro para a privatização parcial da empresa. As transações devem ser concluídas, espera a administração da Petrobrás, até o primeiro trimestre de 2016.

Se esse fosse um dos temas da campanha eleitoral, Dilma Rousseff teria diminuído, é claro, o total de votos que obteve nas urnas de 2014. Mas esta é outra questão. O fato é que a desmobilização de ativos, se restrita as duas empresas, é muito pequena diante da dimensão do endividamento. Mas o Conselho de Administração, de acordo com a reportagem, também estuda negociar parte da Transpetro, embora esta subsidiária deva ser incluída numa segunda rodada.

De modo geral, o objetivo é atrair sócios particulares para melhorar a governança e os níveis de eficiência. Este trecho, sob o ângulo econômico, significa tacitamente uma confissão de incapacidade que atualmente continua envolvendo a principal companhia brasileira e que começou com a onda de assaltos aos cofres da empresa. Contratos superfaturados, pagamentos de propinas, multiplicação absurda de preços através dos famosos termos aditivos. Uma situação de descalabro, ampliada com o corte de investimentos anunciados há poucos dias pelo presidente Aldemir Bendine.

QUADRO NEBULOSO         

O quadro, entretanto, é nebuloso, não se sabendo até agora o que pensa a respeito a presidente Dilma Rousseff. Pois existe ainda, no meio das dúvidas, a questão dos ativos da Petrobrás nó exterior. Em alguns casos, existem hipóteses ou de venda ou abertura de capital das empresas que formam a holding. Mas como abrir o capital se a matriz acumula dívidas no montante de 106 bilhões de dólares? A Petrobrás deverá dar prioridade à venda de ativos que tragam receita em dólares. Nesta escala os campos petrolíferos no Golfo do México, na América do Sul , onde opera em regime de parceria com empresas que pertence ao banco BTG.

PPRIVATIZAÇÃO

Porém, penso eu, é necessário avaliar a existência ou não de financiamentos liberados pelo BNDES e complexos envolvidos na Operação Lava-jato. De qualquer forma, o que o governo está cogitando é de uma privatização parcial que, por seu turno, pode se ampliar através do tempo a participações privadas maiores das que estão sendo projetadas para agora. Isso porque, sendo a Petrobrás uma empresa de capital aberto, através da venda de subsidiárias, e da possibilidade da compra de ações na Bovespa e Nova York, por exemplo, a estatal pode perder sua condição de majoritária em termos de controle acionário.

Sucederia, portanto, a desestatização, objeto de várias tentativas desde sua criação pela lei 2004/53, governo Vargas, e sua implantação em 54, tendo como primeiro presidente Juraci Magalhães, da UDN, em 58 eleito governador da Bahia. Não estou dizendo que a privatização, em tal escala, fosse uma solução negativa. Pode ser que cause um efeito exatamente ao contrário do vendaval do petróleo. Estou colocando apenas a existência dessa perspectiva.

Pois qual o caminho alternativo capaz de ser adotado para zerar um endividamento da ordem de 106 bilhões de dólares? Montante fantástico, ainda por cima sujeito ao risco de câmbio, além dos juros. Os juros em dólar são baixos. O risco de câmbio, porém, será sempre alto. Ainda mais agora.

8 thoughts on “Petrobrás deve 106 bilhões de dólares e vende ativos para pagar 15%

  1. O PT, Dilma e Lula, vão conseguir o que FHC tentou e não conseguiu, vender a Petrobrás, pois do jeito que a destruíram com as corrupções que são apuradas pela operação lava jato, estão destruindo esta grande empresa que Getúlio Vargas construiu, eles, “PT” não construíram nada, mas destruir foi fácil, este partido não enganava o saudoso Leonel Brizola quando dizia: O PT é a esquerda que a direita gosta.

  2. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO analisa o Plano de Venda de Ativos da Petrobras SA para reduzir seu grande endividamento de US$ 106 Bi, e pergunta se há alternativa?
    A Petrobras SA, hoje Empresa de Capital Misto, sob controle do Governo Federal via maioria de Ações Ordinárias, ( as que dão direito a Voto), é a maior Empesa do Brasil, e âncora de toda a Indústria Nacional de Petróleo/Gás, que respondem por +- 13% do PIB ( Produto Interno Bruto). Especializada em exploração de petróleo/gás em águas profundas e super-profundas, e detentora de prêmios internacionais neste estratégico setor.
    Na época de preço alto do petróleo, quando este estava em +- US$ 110/Barril, e todos diziam que com viés de alta, de peak-Oil, (pico da produção), etc, a Petrobras SA partiu para um grande Endividamento, naturalmente em US$ Dollar, para explorar o petróleo do Pré-Sal. Logicamente um petróleo em águas super-profundas é mais caro que nos outros lugares, mas com o preço nas alturas e tendência de mais altas, o negócio parecia bom.
    Infelizmente para a Petrobras SA, com o grande aumento de produção de petróleo/gás nos EUA, Canada, e Rúusia, etc, especialmente pela Técnica do Hidraulic Fracking e das enormes jazidas de tar-sands do Canada, da desunião da OPEC, da entrada no mercado de outro grande produtor que estava sancionado, o IRAN, da desaceleração da Demanda Mundial pela crise Internacional, etc, o preço do petróleo cai para a metade, US$ 55/Barril, e agora com viés de mais baixa. Nessas condições, a margem de Lucro do petróleo/gás do Pré-Sal cai muito e ela não consegue mais “carregar essa grande Dívida de US$ 106 Bi”, e tem que vender Ativos.
    A Petrobras hoje tem um Lucro Anual de +- US$ 10 bi, muito pouco para fazer frente ao Custo da Dívida.
    Vender Ativos não é PRIVATIZAR a Petrobras SA, é adequar a sua Receita com a sua Despesa. E no momento sendo uma Companhia Mista, não tem outra solução. Fosse uma Cia. Estatal Pura, como já foi no passado, e o Tesouro Nacional assumiria o Encargo, mas sendo Mista, não tem sentido essa solução.
    A lamentar apenas que a época não é boa para Venda, o mercado está francamente Comprador, e que todos estão careca de saber que a Petrobras SA precisa vender para se desEndividar, o que não ajuda a melhorar o preço de seus Ativos.
    A Petrobras SA perseguiu uma estratégia que parecia boa na época, e que agora se mostra ruim. Mas quem poderia prever na época, que hoje haveria excesso de petróleo/gás no Mercado, e que o preço cairia para menos da metade, com tendência a permanecer baixo, por bom tempo?
    De qualquer forma, o importante é o Governo Federal permanecer com o estratégico controle das Ações Ordinárias da Petrobras SA, porque ela é estratégica para nossa Balança Comercial, para nossa AUTONOMIA de fornecimento de Combustíveis/Nafta/Gás, etc, e para a INDUSTRIALIZAÇÃO do Brasil. Abrs.

  3. A verdade é que PT não tem mais capacidade moral, administrativa e intelectual de continuar governando o país. Toda essa corrupção na Petrobrás é um processo
    de privatização da empresa, inicia ao poucos. Todo processo de privatização das
    empresas nacionais começam pela sua desmoralização.

  4. Devido a premência de fazer caixa a Petrobras, com certeza, esta vendendo seu patrimônio por um valor menor do que venderia estando sem a divida do Petrolão.

    Agora uma questão fica no ar: “Quanto os atravessadores de dentro da Petrobras e fora da Petrobras estão ganhando de comissão para sub avaliar o que a empresa esta vendendo?”

  5. A Petrobras, que hoje é a terceira maior empresa brasileira (R$167,7 bilhões na avaliação do mercado), a maior é a AMBEV que vale hoje R$308,2 bilhões, está passando por uma dificuldade muito grande de equilibrar o fluxo de caixa, justamente porque o fluxo de desembolso está suplantando os embolsos.

    O fluxo de caixa líquido do primeiro trimestre de 2015 ficou negativo em R$4,904 bilhões.

    A venda de ativos para o mercado privado, isto é, a privatização parcial de ativos da entidade é uma tentativa dramática de aumentar os montantes de recebíveis para que haja equilíbrio entre os débitos (entradas) e créditos (saídas) do caixa.

    É, também, uma tentativa desesperada para inverter o processo de endividamento da empresa que se viu obrigada a tomar empréstimos para suprir o aumento do programa de investimento que se fez necessário para tornar factível a exploração dos campos do pré-sal. Tal endividamento aumentou desproporcionalmente na medida em que a empresa foi utilizada pelo governo no processo de contenção artificial dos preços dos combustíveis com vistas à ludibriar a opinião pública e conquistar a reeleição, afetando a capacidade de geração de receitas da empresa. O mesmo raciocínio em relação à utilização da empresa como via de fluxo de recursos para direcionar recursos para asseclas e para o caixa do Partido dos Trabalhadores.

    A corrida agora, depois de locupletado o partido, é para evitar que seja necessária a venda de todo o ativo da entidade, isto é, a sua total e completa privatização justificada por uma possível insustentabilidade de continuidade em função de provável insolvência diante dos credores.

    A propósito, a situação da Set Brasil é parecidíssima com a da Petrobras, porém, muito mais piorada.

    Endividamento Consolidado da Petrobras (posição até o primeiro trimestre de 2015):

    – Endividamento de curto prazo………………………………R$39,721 bilhões
    – Endividamento de longo prazo………………………………R$360,918 bilhões
    ———————————————————————————————————
    Total………………………………………………………………………R$400,639 bilhões

    Divisão do endividamento por moedas:

    – Em reais…………………………R$63,223 bilhões
    – Em dólar………………………..R$299,087 bilhões
    – Em euro…………………………R$26,853 bilhões
    – Em outras moedas………….R$ 11,270 bilhões
    —————————————————————————–
    Total………………………………..R$400,433 bilhões

    Cronograma de pagamento da dívida:

    2015…………………………………….R$29,967 bilhões
    2016…………………………………….R$38,797 bilhões
    2017…………………………………….R$37,078 bilhões
    2018…………………………………….R$54,508 bilhões
    2019…………………………………….R$75,348 bilhões
    2020 em diante…………………….R$164,735 bilhões
    ————————————————————————–
    Total…………………………………….R$400,433 bilhões

    O índice de endividamento da empresa atingiu 63,25%! Até 2013, isto é, antes da apuração da lava-jato e do reconhecimento da perda de ativos decorrentes do superfaturamento e de recursos com propina o índice de endividamento da empresa era de 54%.

    A Set Brasil que já é uma empresa inviável e com default uma vez que foi protestada por um de seus credores, o índice de endividamento é de 67%.

    As situações são parecidíssimas. Uma pena para que isso seja assim.

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