Petrobras se omitiu e agora põe a culpa em ex-diretor

Direção da Petrobras diz que Costa tem de assumir tudo sozinho

Raquel Landim
Folha

A Petrobras responsabiliza o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, pela explosão de custos na refinaria de Abreu e Lima, cujos investimentos previstos saíram de US$ 2,4 bilhões em 2005 para os atuais US$ 18,5 bilhões. Costa é um dos principais delatores do esquema de corrupção na estatal, investigado pela Operação Lava Jato.

Segundo nota divulgada à imprensa, Costa propôs ainda em 2007 “a antecipação de diversas obras da refinaria, alterações do projeto e na estratégia de contratação, o que levou a um grande número de aditamentos contratuais”. Costa já admitiu que cobrava propina das empreiteiras envolvidas na obra, ficando com uma parte e repassando o restante a políticos.

A estatal divulgou a nota por conta de matéria publicada pela Folha, que mostrou, com base em relatório da auditoria interna da própria estatal, que a refinaria de Abreu e Lima vai gerar uma perda de US$ 3,2 bilhões para a Petrobras. Os gastos com a construção subiram tanto que as receitas geradas pela refinaria ao longo de sua vida útil, trazidas a valores atuais, não serão capazes de pagar o investimento. Na nota, a Petrobras não nega o valor do prejuízo, nem que seus administradores tinham conhecimento. A diretoria aprovou a fase de execução de Abreu e Lima em novembro de 2009 e o conselho de administração deu aval para a continuidade das obras em junho de 2012 dentro do seu plano de negócios.

TESTES NÃO INDICARAM…

Segundo a nota, “testes realizados pela companhia até 2013 não indicaram a necessidade de reconhecimento de perdas de investimentos realizados na refinaria de Abreu e Lima”. A própria nota esclarece, no entanto, que esses testes são realizados para todas as operações de refinarias, oleodutos e terminais da Petrobras, que teriam resultado positivo no conjunto. A nota não esclarece se foi feito ou qual seria o resultado de um teste apenas para a refinaria de Abreu e Lima.

De acordo com a estatal, a diretoria executiva autorizou as obras da refinaria em novembro de 2009 com base em um estudo que apontava que a refinaria geraria um retorno positivo, “que considerou análises complementares, como desoneração tributária e perda de mercado evitada”.

A reportagem mostrou que pareceres internos da companhia – das áreas de estratégia e tributária – mostravam que essas análises complementares eram de “difícil realização”. Segundo fontes ligadas à empresa, houve “maquiagem” dos dados na época, para transformar um prejuízo de quase US$ 2 bilhões em um ganho de US$ 76 milhões.

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Segundo a Petrobras, “o projeto foi apresentado ao conselho de administração, que orientou a diretoria executiva a envidar esforços para elevar a rentabilidade do projeto”. No entanto, a rentabilidade do projeto ficou cada vez mais comprometida, chegando a perda de US$ 3,2 bilhões nos estudos técnicos realizados em junho de 2012.

A estatal afirma ainda que “é competência da diretoria executiva aprovar os projetos que compõem o plano de negócios e que cabe ao conselho de administração a aprovação de toda a carteira de investimentos”. A nota ressalta, no entanto, “que os conselheiros recebem desde 27 de abril de 2012 os relatórios mensais de acompanhamento dos principais projetos, com os avanços físicos e financeiros, incluindo a refinaria de Abreu e Lima “.

 

8 thoughts on “Petrobras se omitiu e agora põe a culpa em ex-diretor

  1. É dessa forma que a Dilma e o Grã Circus Petralis, querem ‘apurar’ a roubalheira na Petrobras. O Haddad negou-se fornecer a PF as notas fiscais das empresas do Yossef. ´Vai ter que liberar por determinação judicial.
    http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/01/juiz-manda-prefeitura-de-sp-fornecer-notas-fiscais-de-empresas-da-lava-jato.html

    Já a Petrobras , uma Graça , tentou impedir que o TCU encaminhasse a documentação aos investigadores da Lava Jato.
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/01/1578376-tcu-nega-pedido-da-petrobras-e-envia-investigacao-sobre-obra-a-lava-jato.shtml
    Seria por que as investigações na África estão avançando e o dono do circo, junto com o seu amigão José Carlos Bumlai estão envolvido até o pescoço ?
    http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/04/os-lobistas-e-os-negocios-da-bpetrobras-na-africab.html

  2. Se o conselho só faz o que agora estão dizendo, bem, é muita grana para o pessoal fazer nada. A gente sabe que estes cargos são “tetas” para alguns mamarem deitado.
    Mas, o principal é sabermos, na integra, quais são as atribuições do órgão.
    A quem interessar possa, abaixo parte do Estatuto da empresa, em relação ao

    CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO.
    Vamos tirar nossas conclusões?

    Seção II
    Do Conselho de Administração
    Art. 28- O Conselho de Administração é o órgão de orientação e direção superior da
    Petrobras, competindo-lhe:
    I- fixar a orientação geral dos negócios da Companhia, definindo sua missão, seus objetivos estratégicos e diretrizes;
    Estatuto Social da Petrobras
    VII- aprovação de um Código de Boas Práticas e do seu Regimento Interno, o qual deverá prever a indicação de Relator e a constituição de Comitês do Conselho compostos por alguns de seus membros, com atribuições específicas de análise e recomendação sobre determinadas matérias;
    VIII- aprovação das Diretrizes de Governança Corporativa da Petrobras;
    IX- escolha e destituição de auditores independentes, os quais não poderão prestar à Companhia serviços de consultoria durante a vigência do contrato;
    X- relatório da administração e contas da Diretoria Executiva;
    XI- criação do Comitê de Negócios e aprovação das atribuições e regras de funcionamento desse Comitê, consistentes com o Plano Básico de Organização, as quais devem ser divulgadas ao mercado, resumidamente, quando da publicação das demonstrações financeiras da Companhia, ou quando de sua alteração;
    XII- assuntos que, em virtude de disposição legal ou por determinação da Assembleia
    Geral, dependam de sua deliberação;
    Parágrafo único. O Comitê de Negócios de que trata o inciso XI submeterá à Diretoria
    Executiva seu parecer sobre as matérias corporativas que envolvam mais de uma área de negócios, bem como aquelas cuja importância e relevância demandem um debate mais amplo.
    Art. 30- O Conselho de Administração poderá determinar a realização de inspeções, auditagens ou tomadas de contas na Companhia, bem como a contratação de especialistas,
    peritos ou auditores externos, para melhor instruírem as matérias sujeitas a sua deliberação.
    Art. 31- O Conselho de Administração reunir-se-á com a presença da maioria de seus membros, mediante convocação do seu Presidente ou da maioria dos Conselheiros, ordinariamente, no mínimo a cada trinta dias e, extraordinariamente, sempre que necessário.
    § 1º- Fica facultada, se necessária, a participação dos Conselheiros na reunião, por telefone, vídeo-conferência, ou outro meio de comunicação que possa assegurar a participação efetiva e a autenticidade do seu voto. O Conselheiro, nessa hipótese, será considerado presente à reunião, e seu voto será considerado válido para todos os efeitos legais, e incorporado à ata da referida reunião.
    § 2º- As matérias submetidas à apreciação do Conselho de Administração serão instruídas com a decisão da Diretoria Executiva, as manifestações da área técnica ou do Comitê competente, e ainda o parecer jurídico, quando necessários ao exame da matéria.
    § 3º- O Presidente do Conselho, por iniciativa própria ou por solicitação de qualquer Conselheiro, poderá convocar Diretores da Companhia para assistir às reuniões e prestar esclarecimentos ou informações sobre as matérias em apreciação.
    § 4º- As deliberações do Conselho de Administração serão tomadas pelo voto da maioria dos Conselheiros presentes e serão registradas no livro próprio de atas.
    § 5º- Em caso de empate, o Presidente do Conselho terá o voto de qualidade.

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