Pezão deve disputar com Lindberg e Crivella em 2014

Pedro do Coutto

Reportagem de Fábio Vasconcelos e Luiz Ernesto Magalhães, O Globo de 19, destaca a atuação do vice Luiz Fernando Pezão na tripla catástrofe de Teresópolis, Petrópolis e Friburgo, ocupando um plano de destaque ao lado da presidente Dilma Rousseff, conforme foto que acompanha o texto. E acentua que o governador Sergio Cabral tem afirmado que Pezão é o candidato de sua preferência à sucessão estadual de 2014.

Reeleito já uma vez, Cabral não poderá disputar novamente o Palácio Guanabara. Mas pode ser candidato a presidente da República, vice presidente, senador ou deputado. Em qualquer dessas hipóteses, terá que renunciar ao governo em abril do ano eleitoral.

Cria-se, com isso, uma situação jurídica curiosa. Mas antes de entrar nela, com base no quadro político de hoje, Pezão deve logicamente enfrentar nas urnas, os senadores Lindberg Farias e Marcelo Crivella. O ex presidente da UNE, eleito em primeiro lugar no ano passado, torna-se o candidato natural do PT, seu partido, também o partido da presidente Dilma.

Peça importante para a campanha de Dilma à reeleição ou a uma nova eleição de Lula. Quem sabe? O Rio de Janeiro é o terceiro colégio eleitoral do país, Marcelo Crivella também com mandato de oito anos, certamente vai disputar a prefeitura daqui a dois anos e, se perder, concorre ao governo do estado em 2014. Mas falei que, sob o ângulo jurídico, a questão possui um aspecto curioso.

É o seguinte. Se Cabral renunciar em abril para disputar qualquer cargo eletivo, Pezão assume o RJ e, para ser candidato ao executivo não precisa se desincompatibilizar. Mas se Sérgio não deixar o posto, como vice e secretário de Obras, Pezão tem que deixar os dois cargos seis meses antes do pleito. Por aí se vê i casuísmo e o absurdo da legislação.

O governador, ao buscar a reeleição, não precisa sair. O vice, uma vez candidato, tem que se afastar. A emenda que implantou a reeleição precisa ser revista. Como está expõe o país ao ridículo.

Voltando à incompatibilidade, José Mariano Beltrame, se efetivamente o governador escolhê-lo para disputar, pelo PMDB, a prefeitura do Rio na sucessão de Eduardo Paes, este , pela lei pode disputar a reeleição sem se afastar, porém a menção ao nome de Beltrame colocada em colunas de jornais parece um recado de Sérgio Cabral de que não está satisfeito ou sintonizado com aquele que ajudou a eleger em 2008, atraindo inclusive, para ele, o apoio decisivo do presidente Lula.

Na perspectiva de o candidato vir mesmo a ser Beltrame, cuja cotação popular cresceu muito depois das forças militares e policiais terem ocupado o complexo do Alemão, Eduardo Paes ficará sem legenda, uma vez que não poderá trocar de partido sob o risco de perder o cargo e, ainda por cima, ser considerado inelegível. Mariano Beltrame, assim, deve se preparar para concorrer com o representante político da igreja Universa do Reino de Deus. Aliás, do reino de Deus somos todos nós, não apenas o planeta do Bispo Edir Macedo e também do bispo Crivela. Mas esta é outra questão.

O trocadilho que merece registro especial em torno da sucessão de 2014 é que se Sérgio Cabral permanecer à frente do executivo, Pezão, para ser candidato, necessita sair. Mas se o governador sair, e, em consequência Pezão assumir o lugar, não precisará se afastar. Pode ficar e disputar o pleito, com a Justiça Eleitoral considerando que sua tentativa de eleição equivale à tentativa de se reeleger. Parece uma peça de humor, só rindo. Surpresa? Afinal de contas, temos que considerar que estamos no Brasil. País do institucional casuísmo.

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