“Pezão e Raul Jungmann ‘afinam a viola’ e prometem operações”

Jungmann e Pezão simbolizam a imagem da derrota

Jorge Béja

O título deste artigo está entre aspas porque é assim que estampa a matéria da página 15 do O Globo desta sexta-feira (22/9). Noticia que o ministro da Defesa (Jungmann) e o governador do Estado do Rio (Pezão), depois de uma crise entre ambos, a respeito da segurança pública do povo da cidade do Rio de Janeiro e adjacências, ministro e governador teriam chegado a um acordo a respeito das operações entre as Polícias Civil e Militar e as tropas federais. “Quero agradecer muito ao ministro. Afinamos a viola”, disse Pezão, enquanto Jungmann prometeu analisar “com boa vontade” o pedido feito pela Secretaria de Segurança para que militares reforcem o patrulhamento em 103 pontos da Região Metropolitana.

Que saibam Jungmann e Pezão que não é nenhum favor a presença das tropas federais em defesa da segurança do povo do Rio ou de qualquer outra cidade do país que delas necessite. É obrigação, constitucional e primária. E não se agradece a quem cumpre o seu dever. Mas o ministro não garantiu nada. Apenas prometeu.

“BOA VONTADE” – Ministro, essa sua afirmação de que vai examinar a questão com “boa vontade” é declaração ridícula e só serve para deixar o povo do Rio mais apavorado e inseguro e os bandidos mais fortes, mais violentos, mais destemidos e com território livre para prosseguir na guerra entre facções rivais e disseminar o terror.

Ministro, a segurança pública é dever do Estado, é direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e de seu patrimônio. Está na Constituição Federal, artigo 144. O senhor não sabe disso? As Polícias Militares são forças auxiliares e reserva do Exército e subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. Isto também está na Constituição, senhor ministro (artigo 144, parágrafo 6º).

TRADUZINDO – Quando as Polícias Militares, que são forças auxiliares e reserva do Exército, não têm condições de agir em defesa do povo, quem é chamado é a força principal, a força titular, da qual as polícias militares são auxiliares e reserva. Isso é o óbvio, ministro. Não é para ser visto com “boa vontade”, mas como dever impostergável, imediato, inadiável e urgente. E o senhor ainda fala em “boa vontade” e não garante nada, apenas promete?

Ministro, venha morar aqui na cidade do Rio de Janeiro para sentir o medo no semblante de cada um do povo. Ricos e pobres, todos os moradores do Rio estão sem proteção. Não se vê nenhum policiamento ostensivo, preventivo, fardado e armado, dia e noite nas ruas do Rio e cidades adjacentes.

A população quer ver as polícias, militar, civil e do Exército (e por que não da Marinha e Aeronáutica também?) em todos os lugares e não apenas naqueles “103 pontos” que o senhor falou, e sim em 100 mil e 300 pontos, se necessário.

INCAPACIDADE – O governador Pezão já reconheceu a incapacidade de governar e dar segurança ao povo. E Pezão disse que o senhor e ele “afinaram a viola”. Francamente, que molengões são os dois, o senhor e Pezão. O povo quer ouvir o governador e o ministro da Defesa dizerem que “municiaram as armas”, porque nem de brincadeira o povo aceita falar em viola.

Se o senhor não cumprir com o seu dever primário, comezinho, elementar, urgente, imediato e constitucional de colocar as tropas federais para o patrulhamento na defesa da segurança, da “incolumidade das pessoas”, como está escrito no artigo 144 da Constituição Federal, uma vez que as Polícias Civil e Militar se mostram incapacitadas e insuficientes, então que o senhor pegue a “viola” do governador, meta-a no saco e peça demissão da pasta.

Ao menos assim o presidente Temer, mesmo sem demonstrar preocupação com a guerra em que vive o Rio, talvez ele coloque no seu lugar um militar de carreira, um estrategista, ou mesmo um outro civil, não servil, destemido, corajoso,  homem de ação e que sabe o sofrimento que todo o povo do Rio passa hoje, passou ontem e há anos vem passando sem receber amparo e proteção.

SEM IDENTIFICAÇÃO – Ministro, conheço juízes, promotores de justiça, policiais civis, policiais militares e seus familiares que, quando são obrigados ir à ruas, levam apenas suas carteiras de identidade dos institutos oficiais de identificação.

Se levam suas carteiras funcionais e são apanhados pelos bandidos, são assaltados e assassinados em seguida. A doutor T., é até mais cuidadoso, prudente e temeroso. Sua Excelência quando sai à rua leva um “alvará de soltura” que confeccionou. É documento falso. Santa, justificável e necessária falsidade. Mas antes falso e ter ele sua vida preservada, do que verdadeiro e perder a vida… O medo é tanto que acredita ele que, se rendido for e mostrar que esteve preso e está na “condicional”, talvez os bandidos vejam nele um “meirmão” deles e o deixem em paz E até digam “deixa esse ir porque é dos nossos”.

20 thoughts on ““Pezão e Raul Jungmann ‘afinam a viola’ e prometem operações”

  1. Excelente artigo do Dr. Jorge Béja. Nós, que moramos no Rio de Janeiro, sabemos que o aumento contínuo da violência urbana precisa ser barrado pelo poder oficial. E tal ação não é nenhum favor ao povo, mas sim obrigação de governo!

    • Isac Mariano, a situação é de tamanha gravidade, que o Temer deveria estar hoje no Rio reunido com o governador e os comandantes das Forças Armadas e das polícias, civil, militar e do Secretário de Segurança.

      Eles improvisaram — e avisaram antes pelos meios de comunicação —- que à tarde chegariam, primeiramente, 700 militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Depois, avisaram, que o contingente seria de 950. Enfim, chegaram. Não sei quantos. Ninguém acredita no que os governantes falam, porque todos estão desmoralizados. Pois bem, sejam 700 ou 950, que adianta cercar a Rocinha?. E durante à noite? E amanhã, depois, depois e depois?. O Pezão anunciou que dos 10% dos royaltes do pré-sal, metade irá para a segurança pública. Para isso está sendo preparado projeto de lei para enviar à Alerj. Agora?. Agora é tarde. E onde tem dinheiro tem corrupção. Se tanto vier acontecer, é imperioso que uma equipe do Ministério Público e da OAB fiscalize o uso desse dinheiro, caso contrário parte dele ou todo ele vai para o bolso dos que estão no poder. E até nas prisões. Tudo tudo é improvisado. Amanhã é o perigoso dia 23 de Setembro de 2017. Um dia que pode não terminar. Ou terminar de forma dramática para a Humanidade. Está escrito.

      • Perfeito Dr. Béja!
        Agora a pergunta que não quer calar: Qual a necessidade de informar as ações do Exército de antemão?
        Estariam as nossas FFAA com medo dos enfrentamentos?
        Sim, porque é inaceitável isso!
        O Sr. Poderia explicar melhor o porque das ações inexplicavelmente anunciadas à priori.
        Atenciosamente.

        • Não, não existe medo de enfrentamento por parte dos integrantes da FFAA. Centenas dos 950 que foram para a Rocinha estiveram no Haiti, anos e anos e sabem como tratar e se comportar em situação de confronto. O inimaginável é o anúncio prévio, como aconteceu. Diz a Constituição Federal que as polícias militares (e os corpos de bombeiros militares) são forças auxiliares e reservas do Exército. Mutatis mutandi, se numa eventual guerra externa, ou mesmo interna na defesa da soberania e do território nacionais, o Exército precisar vai chamar as polícias militares, não vai?. Não são forças de reserva e auxílio do Exército Brasileiro?. Por que, então, quando a força reserva e auxiliar precisar não pode e não deve chamar a força principal, a força titular, que é o Exército. Para isso nem precisa Lei de Defesa da Ordem. Bastam a Constituição Federal e os fatos, pois ambos falam mais alto do que qualquer lei ordinária. Portanto, por imperiosa necessidade, as FFAA devem permanecer no Rio de Janeiro, em todos os cantos, bairros, ruas, praças, avenidas, 24 horas por dia, até à pacificação, até vencer esta guerra que desgraçadamente é fratricida. São brasileiros contra brasileiros. Patrícios contra patrícios.

          • Em complementação, social e jurídica. O povo do Rio vive em estado de calamidade pública em matéria de segurança e vitimados pela violência. O povo pede socorro. Pergunta-se: para que o Poder Central preste socorro ao povo deste ou daquele estado, desta ou daquela cidade, é preciso pedir?. Em caso de catástrofe, as vítimas precisam pedir socorro e o poder público, seja de que âmbito for, precisa autorizar o socorro?. É claro que não. De Janeiro até hoje, véspera do fatídico 23 de Setembro de 2017, nenhum policial foi assassinado em Nova York. No Rio, 102!. A violência urbana, agravada pelo vácuo deixado pela falta de liderança e ampla e ilimitada corrupção, está em toda a parte. Estatística recente mostrou que 67% do povo venezuelano tem medo de ser assassinado. Também igual porcentual (67%) do povo do Rio tem o mesmo medo. Lá, assassinado pela milícia do Maduro. Aqui pela milícia de governos acéfalos e corruptos. Tudo isso é calamidade pública que não é apenas aquela decorrente de catástrofes naturais ou não.

  2. Sugiro uma “operação na cabeça dos dois” , esse cara quer transformar FFAA em “polícia secreta” que trazem a identificação na farda dizendo a hora e o local da “operação secreta” !!!! O nosso país tá sem comando, que as FFAA assumam o País , antes que Dilma seja chamada para ser Ministra da Economia !!!!

  3. Alguém já disse.
    Quer conhecer uma pessoa, dê-lhe poder.

    Eu até fazia uma ideia bem diferente desse cara, Jungmann, mas estava enganado.
    Nao passa de mais um idiota oportunista, a procura de algo que o beneficie, um bom emprego….

  4. A causa do guerra do tráfico é que existe mercado, existe uma gentinha rica, gentinha estribada que paga pelas drogas vendidas. Logo a culpa começa por aí. E o povo do Rio reclama por que quer, e nem merece apoio da polícia, pois basta a polícia matar uns cinco que aí já vão pra rua protestar contra a polícia. Então que paguem pelo preço de sua covardia e hipocrisia, povo do Rio. Vocês estão na pior por que vocês nunca valorizaram a polícia. Preferem a um policial pai de família morto do que a um bandido. Vocês não gostam né de bandido? Então agora segurem as pontas. Agora vão lá pra Copacabana bater panela e levantar bandeira contra a polícia. Não é sempre assim? Então segurem as pontas. Pra vocês verem que sem ordem o mundo não funciona. Sabe o que resolveria tudo? Toque de recolher do exército. Mas aí isso ninguém quer. Por que na hora que morrer uns cinqüenta começa o chororô. Então se danem todos!

  5. O presidente da câmara, pede a saída ao governo do estado do secretário de segurança Roberto Sá, quem é Rodrigo Maia para pedir algo, é investigado pela lava jato, está como presidente da câmara porque o Eduardo Cunha, o corrupto, está em cana, não tem nenhuma competência, acho que o secretário de segurança Roberto Sá está tentando resolver o problema de segurança do Rio de Janeiro, está fazendo um bom trabalho, mesmo com poucos recursos, não está se vendendo aos políticos, espero que o governo o mantenha como secretário de segurança.

  6. O Rio de Janeiro está bem servido de “autoridades (in)competentes.
    Um faz parte do Quadrilhão do Temer, e o outro do Quadrilhão do Efeagacê…..
    Coitado dos cariocas.

  7. Desejo para o senhor muitos anos de participação futura neste Blog; é um prazer e muito instrutivo ler seus artigos.
    Dr Béja, sei que o senhor viu muitas coisas ruins durante os “anos de chumbo” muitos erros foram cometidos; mas, os canalhas usam estes erros para demonizar o período militar. Do mesmo modo que os comunistas soviéticos faziam na manipulação da realidade e da história este canalhas fazem com nós, no intuito de se livrarem de uma intervenção militar moralizadora.
    Nós não temos saída pelo voto; eles tem a direção e os meios para mudar de acordo com suas conveniências (deles).
    Sinto muito Dr Béja e Sr Carlos Newton mas não vejo outra saída a não ser uma mudança drástica desta situação e deste modo, o melhor seria pelas FFAA constitucionalmente.
    Mas uma limpeza em regra deverá ser feita, mas não só no porão não, no sótão também, pois as excrescências vem de lá de cima como tão bem vemos nos artigos da nossa querida TI.
    Se é para não acontecer nada, então os artigos aqui postados só servem para “envenenar” nossas almas.
    Mas conforme o Sr Théo, acredito na Lei do Progresso e penso que vamos conseguir minimizar as agruras do nosso querido povo brasileiro, dando um pouco mais de dignidade a coisa pública.
    Abraço.

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